Autor, jornalista, músico, maçom, inventor – e até nadador. Saiba mais sobre os museus dedicados a um dos pioneiros da comunicação impressa

Benjamin Franklin: autor, jornalista e patriarca da independência americana

No período entre abril e outubro de 1722, uma misteriosa senhora que atendia pela graça de Silence Dogood postou ao jornal The New-England Courant quatorze ensaios, redigidos no formato de carta ao editor, onde a suposta viúva abordava de maneira articulada uma série de questões audaciosas para o século XVIII. Entre os temas dissertados, tópicos como a da perseguição à mulher, além de censura, religião, bebidas alcóolicas e relacionamentos afetivos.

Com todo esse arrojo, o material acabou por cativar seu editor, James Franklin, e os rapazes das 13 Colônias – que chegaram, ao ignorar a verdade, a ofertar propostas de matrimônio “àquela que foi sem nunca ter sido”.

Hoje, os originais desse precioso material, escrito há quase três séculos pelo pseudônimo do genial Benjamin Franklin, não pode ser mais apreciado pelos olhos de entusiastas de seu autor, embora o conteúdo tenha sido mantido intacto em exemplares do jornal. Apesar disso, boa parte do legado de Benjamin Franklin está concentrado em dois museus: no The Franklin Institute e Benjamin Franklin Museum, na cidade norte-americana da Filadélfia.

O autor precoce quebra o silêncio

Durante os seis meses em que Silence foi a vedete do New-England Courant, o editor James Franklin não encontrava motivos para reclamar. Afinal, os textos da tal dama vanguardista ajudaram a alavancar a popularidade do tabloide pela região de Boston. Mas o que parecia ser um bônus para as partes, logo, logo teria um epílogo drástico.

Réplicas das cartas de Silêncio Fazbem

Até então, embora soubesse que Silence Dogood (em tradução livre, Silêncio Fazbem) era, de fato, um pseudônimo, o empresário sequer desconfiava que a alcunha feminina era, em verdade, usada por um varão.

Pior.

De forma embaraçosa para o mesmo, o dono do jornal não acreditou ao descobrir que a obra era cria de seu irmão mais novo, o precoce e temporão Benjamin, que aos 16 anos já tentara emplacar, sem sucesso, suas epístolas no periódico.

Ao contar que publicações eram de sua autoria, Benjamin (ou Silence Dogood) selara seu destino. Rompido com James, sua missão a partir daquele instante seria a de caminhar com suas próprias pernas distante de Boston e dos olhares tutelares do familiar.

De craque da natação à filosofia

A Filadélfia de Franklin no século XXI

Filho mais novo do inglês Josiah, Benjamin Franklin (17/01/1706 – 17/4/1790) é tido como um dos principais personagens da história americana – e mundial.  Largou os estudos formais aos 10 anos, onde passou a estudar em casa e a acompanhar os trabalhos do irmão James em uma gráfica, de onde nasceria o New-England Courant.

Ao deixar a cidade-natal Boston, Franklin passaria por Nova York e Filadélfia, antes de partir a Londres, onde dedicou-se à natação e à publicação da primeira obra: “Uma Dissertação sobre Liberdade e Necessidade, Satisfação e Sofrimento”.

Em 1731, já residente da adotada Filadélfia, Benjamin Franklin ajudou a incorporar a primeira biblioteca pública, além de adquirir o jornal Pennsylvania Gazette – um dos pioneiros a lucrar. Já em 1743, Franklin publicou “Uma Proposta para Promover Conhecimentos Úteis”, obra considerada como fundamental para a fundação da Sociedade Americana de Filosofia.

Benjamin Franklin e os museus na Filadélfia

O que ver no The Franklin Institute

222 N 20th St, Philadelphia

Além de exposições dedicadas à ciência aeroespacial, energia elétrica e astronomia, um dos destaques da instituição científica mais antiga dos EUA (fundada em 5/2/1824) é a exposição permanente do Memorial Benjamin Franklin. Lá está a enorme estátua de Benjamin Franklin com 30 toneladas e 25 metros de altura, esculpida por James Earle Fraser. No instituto, também é possível conferir o para-raios, uma das inúmeras invenções assinadas por Franklin.

O que ver no Benjamin Franklin Museum

317 Chestnut St, Philadelphia

Erguido na Filadélfia em julho de 1976 para comemorar os 200 anos da independência americana, o museu (renovado em 2014) chegou a ser um dos mais visitados até o final do século XX pelos estudantes do ensino médio. Tudo lá orbita em torno da saga de Franklin, que é contada de forma interativa, desde sua infância em Boston até sua morte na Filadélfia. Dentro e ao redor do museu você confere itens como o terreno original de sua casa (demolida em 1812) e a reprodução de sua biblioteca.

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