Joice Hasselmann e Alexandre Frota dão o seu melhor no palco, mas só colhem vaias da platéia. Já a “crítica oficial” ovaciona atuação do par

A baixeza de espirito sempre norteou a reinterpretação da história de vida dos grandes personagens brasileiros.  Nomes notáveis como D. João VI, aquele que enganou Napoleão Bonaparte transferindo a capital do Império de Portugal para o Brasil, e D. Pedro I, personagem central na declaração de independência do País, foram vulgarizados. O primeiro, sendo retratado como glutão desprovido de inteligência, enquanto seu filho, reduzido a um mulherengo incorrigível.

Apesar de reiteradas tentativas de destruir a reputação desses atores, o seu legado é perene, o que dificulta o trabalho de substituição dos verdadeiros heróis pelos medianos protagonistas da revolução. Teatro épico pede nobreza.

O presente, contudo, parco em figuras como os antigos Bragança, deixa-nos órfãos de referências adequadas. Medir as figuras de nossa monarquia pela régua com que se mede intérpretes da estirpe de Alexandre Frota e Joice Hasselmann é um escarnio. Repito. Teatro épico pede nobreza…

O par de aspirantes ao sumo teatro do mundo é a essência da pobreza de propósitos a que o congresso se deixou reduzir. O vazio de ideias, ou inexistência de roteiro consistente, é terreno fértil para reprodução de atos sem brilho.

Assistindo ao espetáculo patético protagonizado pela dupla na tão aguardada CPMI da Fake News, a impressão de que os fins justificam os meios se torna indubitável.

A “Diva do Edifício Matarazzo”

Os fins são os mais mesquinhos. Joice anseia ser a diva do Edifício Matarazzo. Após o rompimento com seu padrinho político (que a convocou ao palco, mas pediu-lhe serenidade diante da fama) resolveu se jogar nos braços de um mecenas mais afeito a investimentos inseguros.

Frota, por sua vez, pretendia se tornar o senhor latifundiário da cultura, por imaginar-se o único artista a apoiar o chefe do palácio. O problema é que nomeou-se outro para tocar a direção da cultura. O insucesso do seu plano converteu-se em fogo aberto.

Já o meio empregado, ora essa, foi o fingimento, a encenação. Nada mais natural no campo das artes dramáticas. Contudo, o par carregou na impostura, irritou o público e saiu vaiado.

As mais de dez horas que somam a atuação de Frota e Joice na CMPI quebraram o tempo todo a ilusão dramática. O roteiro exigia fabricar a existência de um “gabinete do ódio” patrocinado com dinheiro público e comandado pelo Presidente da República.

Ayan compôs a obra em poética realista. Faltou verossimilhança e o quadro desandou. A única aparência do tal gabinete, considerado como peça cabal pela crítica ─ a claque petista, centrista e novo-esquerdista que investiu milhões no espetáculo à espera de sucesso─ foi a caneca do Deputado Filipe Barros.

Falo em fingimento e encenação para evitar a palavra teatro, o que faria o pobre Shakespeare se revirar no túmulo…

Arte Rasa X Público Brasileiro

Teatro é um sistema de relações formais que desvelam a complexidade da condição humana. Mas que complexidade recompõem ali as almas penadas dos personagens em jogo? Sem contar que pecam pelo rasteiro formalismo nas atitudes, convertidas (tática velha da canastrice) em espetáculo de mau-caratismo e desfaçatez.

Apesar de aclamada pela crítica especializada, a peça é apenas mais um episódio do recorrente embate entre arte rasa VS público no Brasil. Nossos críticos, presos a hipóteses abstratas sem vínculo com a realidade, não toleram que Jair Bolsonaro seja o astro da vez por ser autentico: um legítimo representante do povo brasileiro.

Fantasiar a existência de uma organização criminosa, surgida para simular apoio a Bolsonaro, eleito como ator principal com 57 milhões de votos, tendo despendido somente R$ 2,5 milhões (contra 37,5 milhões de seu adversário) nos faz pensar no mito de Narciso, o jovem soberbo que, de tão belo, se apaixonou pela própria imagem refletida em um lago. 

Nossa crítica estabelecida, principalmente aqueles que o público habituou-se a designar Centrão, sofre do que experimentou Narciso: apaixonada pela própria imagem, é incapaz de perceber que há beleza ao seu redor, sobretudo na autenticidade de Jair Bolsonaro, astro inconteste do público conservador que o consagrou.

Ao contrário do par que tenta roubar-lhe a cena na peça em apreciação, ele é fracasso de crítica e sucesso absoluto de público.

Cartaz da peça cujo fracasso de bilheteria foi retumbante
fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

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