12 C
São Paulo
terça-feira, 28 junho, 2022

RESENHA | 1984

Revista Mensal
Vitor Marcolin
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

O livro de George Orwell é um relato perturbador sobre o presente

Publicado originalmente em 1949, o romance distópico 1984 é uma narrativa perturbadora. Eric Arthur Blair, sob o pseudônimo de George Orwell, descreve um mundo no qual a liberdade tornou-se uma ideia tão perigosa e inaceitável que os cidadãos já não podem sequer verbalizá-la. O Estado, personificado na figura onipresente e nada amigável do “Big Brother“, o “Grande Irmão”, valendo-se da onipresença de sua bisbilhotice, mantém os olhos sobre todas as coisas.

Nenhum ato do cidadão comum passa despercebido do arregalado olho que tudo vê do Grande Irmão; ele sempre, sempre está de olho em você. As atitudes mais ordinárias do cotidiano, como praticar exercícios físicos ou comer, acontecem sob a vigia dele. Basta um mínimo deslize nas regras de conduta impostas pelo Estado para que o cidadão desapareça juntamente com todas as evidências de sua existência.

As revoltas contra a conjuntura são coibidas da forma mais eficiente jamais imaginada: por meio do controle total da linguagem. Mas não se trata somente de um sistema sofisticado de censura e espionagem — esta, inclusive, envolvendo até crianças. Os cientistas do Estado criaram uma nova língua, um idioma com a pretensão de abranger a totalidade da experiência da realidade. A criação da novilíngua, como é chamada, tem como objetivo principal impedir permanentemente a verbalização das reflexões politicamente incorretas.

Contudo, a arrogância do “Big Brother” desacredita nos limites materiais dos meios de controlar as massas: George Orwell fala sobre um mundo no qual a polícia do pensamento observa, dia e noite, o cidadão a fim de captar as mais sutis evidências dos cacoetes mentais que denunciem o descontentamento com a tirania. Assim, o olho que tudo vê perscruta até as consciências, e as domina. 1984 não é outra coisa senão a denúncia de um mundo no qual a pena capital é ser consciente. A arte imita a vida direitinho.

***


Compre o livro numa super oferta AQUI.


“[Winston] adormeceu murmurando: — ‘Sanidade não é estatística’ — com a sensação de que essa observação guardava uma sabedoria profunda”.

1984

Este conteúdo é exclusivo para assinantes da Revista Esmeril. Assine e confira as matérias dessa edição e de todo nosso acervo.

Esmeril Editora e Cultura. Todos os direitos reservados. 2022
- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

CRÔNICA丨Perda

Afrânio era um aprendiz de tipógrafo na Corte que, depois do trabalho nas oficinas da Rua da Guarda Velha,...
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img