Os redatores do tal relatório não explicam como é possível um robô ter inteligência mas não ter consciência

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou recentemente um relatório contendo os resultados de uma investigação intrigante: o suposto ataque a humanos efetuado por robôs “autônomos”. A situação analisada fora um incidente que ocorrera em março de 2020 no qual um drone de ataque do tipo Kargu-2, fabricado pela empresa turca STM, fora agente ativo nos ataques a pessoas durante os conflitos da chamada segunda guerra da Líbia.

Kargu-2 fabricado pela STM

Inteligência artificial” é uma metonímia, isto é, uma figura de linguagem. O termo é empregado para atender à necessidade de descrever a construção de sistemas nos quais os elementos ali reunidos funcionem sob diretrizes pré-programadas. Agora, Inteligência, esta que só existe nas criaturas feitas “à imagem e semelhança de Deus“, implica numa realidade que as máquinas, os conjuntos de logaritmos, os softwares, os robôs e todas as estruturas programadas pelo homem não participam: a Consciência. O indivíduo inteligente é aquele dotado da consciência da sua própria existência; é aquele capaz de refletir sobre si e sobre o mundo.

A seriedade com que os ilustres redatores do relatório da ONU falam sobre o tema é, no mínimo, ridícula e, quando analisada mais detidamente, criminosa. Eles usam uma figura de linguagem como descrição objetiva de uma realidade inexistente e induzem os leitores a tomarem o seu partido. No entanto, esse não é um caso isolado: atualmente, a linguagem empregada nas universidades, na grande mídia e na política vêm com deficiências desse tipo. Os infelizes que têm o azar de dispor unicamente de informações com esse viés se veem reféns de um estado de confusão altamente destrutivo.

As implicações políticas sobre os conflitos na Líbia pedem uma análise mais apurada, o que não é o objetivo desta matéria. Quero aqui apenas evidenciar, sob o pretexto de um comentário sobre tecnologia, o esforço canalha e altamente sofisticado para se destruir a linguagem e, a reboque, a própria inteligência humana. Não existe esse coisa de “inteligência artificial“; assim, conclui-se que o que aconteceu na Líbia fora motivado pelas velhas pretensões humanas.

Zachary Kallenborn, pesquisador do Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e Respostas ao Terrorismo (EUA), afirmou que “o evento pode ser um marco assustador nos modelos de conflito armado ao redor do mundo“. Kallenborn está claramente associando robôs à execução de seres humanos. Observe, leitor, que esta narrativa, associada a um conjunto de outras narrativas apocalípticas semelhantes, contribui diretamente para uma única coisa: o aumento cada vez mais obsceno do poder dos Governos sobre os governados sob o pretexto da segurança, do conforto e, paradoxalmente, da liberdade.

Com informações do portal TecMundo e do site Canaltech.

“Toda a descoberta da ciência pura é potencialmente subversiva; por vezes a ciência deve ser tratada como um inimigo possível”.

Aldous Huxley

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