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quinta-feira, 28 outubro, 2021

Quociente de Inteligência: o Q.I. do ser humano está diminuindo

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

O motivo principal, segundo uma pesquisa, é a quantidade de tempo que passamos diante das telinhas

Aquele que, pela manhã, acessa suas redes sociais antes mesmo de se levantar da cama, terá dificuldade em imaginar que, nos anos 1980, por exemplo, não tínhamos tamanha facilidade no acesso à Rede Mundial de Computadores. Não só. A dinâmica das informações carecia absolutamente dessa celeridade tão comum nos nossos dias. Dependíamos basicamente da tevê, do rádio, dos jornais impressos e, não raro, das conversas espontâneas para nos manter informados dos últimos acontecimentos.

Assim, esse atraso, esse delay, nos dava tempo para pensar, para refletir — minimamente — sobre as coisas; essa suspensão do fluxo das informações nos permitia um vislumbre, uma participação tímida na ascese intelectual própria daqueles que, hoje, vivem desconectados. É bastante evidente que hoje já não é possível, pelo menos para quem pretende manter-se conectado ao sistema, trabalhar, estudar, movimentar o seu dinheiro e se manter ativo nos seus círculos sociais sem a Internet. Ela é onipresente.

Tal onipresença implica numa dependência praticamente incontornável. As pessoas são levadas — pela evidente comodidade, principalmente — a passar cada vez mais tempo conectadas, porque tudo está conectado. Observando essa realidade da perspectiva da Inteligência, nota-se que a dependência da Internet produz, como primeira consequência, indivíduos preguiçosos em pensar. É a mesma lógica observada na política da calculadora: porque criar calos nos dedos de tanto fazer continhas com o lápis se posso, com meia-dúzia de cliques na calculadora, solucionar todo o problema?

Em função da velocidade do processamento de informações, a Internet, assim como a calculadora, transmite uma falsa sensação de domínio do conhecimento. Não só. As consequências do uso absolutamente indiscriminado da rede afetam praticamente todas as instâncias da natureza humana: na esfera social o indivíduo experimenta a construção de relações fantasiosas, irreais, nas quais é sujeito ativo e passivo; no âmbito moral é, paradoxalmente, refém de sua própria liberdade, acessando lixo de todas as texturas, sabores e gradações; e, no quesito inteligência, o sujeito abre mão dos grandes esforços para entender qualquer coisa que não conste nos verbetes das enciclopédias virtuais.

Não é tão fácil entender essa problemática. O conselho dos mestres da humanidade é, invariavelmente, o cultivo do equilíbrio. Nota-se que, ao mesmo tempo em que cria indivíduos zumbis à The Walking Dead, a Internet, quando livre, dá forma a mecanismos para contrapor o monopólio da grande mídia. Nos últimos 5 anos, por exemplo, em função da crescente credibilidade que grande parcela da população dera às informações veiculadas na rede, o Brasil experimentou um extraordinário despertamento político.

A reação da grande mídia foi apregoar a narrativa de que as pessoas, em função sobretudo das “fake news” da Internet, passaram a uma polarização política absolutamente maléfica à “Democracia”, ao “Estado Democrático de Direito”, às “Instituições Democráticas”. E, como a sanha em reduzir toda a complexidade da realidade a paradigmas ideológicos não conhece limites, a mídia concorrente da Internet passou a dizer que os cidadãos comuns — aqueles que fazem passeatas pacíficas pró-família na Av. Paulista — estão sob os efeitos da diminuição da inteligência em função do uso indiscriminado da… Internet.

Um estudo realizado por pesquisadores da Noruega analisou o banco de dados que armazenava os resultados de 730 mil testes de Q.I. aplicados em jovens convocados para o serviço militar daquele país nos últimos quarenta anos. Os aumentos anuais do Quociente de Inteligência dos noruegueses baixaram para 2 pontos nos anos 1980, para 1,3 ponto na década de 1990 e, finalmente, para míseros 0,2 ponto neste século. Fenômeno semelhante fora observado no Reino Unido e na Dinamarca.

A causa, já demonstrada acima, é a quantidade de tempo que o indivíduo passa diante das telinhas. Há, no entanto, outra consequência desta realidade analisada pelos pesquisadores: as bolhas de opinião. Segundo a pesquisa, as pessoas que passam horas nas redes sociais tendem a fecharem-se em redomas de narrativas nas quais há um favorecimento unilateral de opiniões. Daí o surgimento da massa feroz de cidadãos motivados contra o status quo político em boa medida mantido pela grande mídia. Dois pesos, duas medidas: a mídia pensa que o povo é burro.

Com informações da Revista Veja.

“Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”.

Sócrates (470 a.C.- 399 a.C.)

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