Após trinta anos de ostracismo, a direita brasileira chegou à presidência através de Jair Bolsonaro. Mais se assemelhando a um Frankenstein de ideias pouco amadurecidas, e visivelmente carente de lideranças―tanto intelectuais como político-partidárias. 

Em espírito diferente ao dos liberais, os conservadores têm a convicção de que restabelecer a moribunda economia brasileira não basta para consolidar-se como alternativa ao poder―não somente ao cargo presidencial, sendo um imperativo travar embates na seara da cultura. 

Vence o melhor?

É possível simplificar a noção de guerra cultural em um conflito de valores conservadores e progressistas. Analisando as duas culturas no campo da arte, entendemos melhor a dicotomia. Enquanto o conservadorismo entende que a arte tenha por “finalidade a dignificação da vida”, como pontua o diretor de teatro Roberto Alvim em entrevista ao Movimento Brasil Conservador, os progressistas incutem-lhe “exigências revolucionárias”, como define Walter Benjamin, crítico cultural, filósofo e sociólogo ligado à Escola de Frankfurt.

Entender o atual predomínio da esquerda brasileira no campo das artes exige que se entenda a noção de guerra assimétrica, segundo a qual os oponentes lidam com enorme diferença nos níveis da organização, dos objetivos e dos recursos financeiros. Os progressistas têm objetivos definidos e, enquanto governo, organizaram o aparato estatal visando usar as artes como instrumento de propaganda, valendo-se de subsídios públicos.

Entre conservadores e liberais, por outro lado, persiste um dilema moral e técnico sobre a participação do governo no fomento às artes e à cultura. Ambos cobram-se coerência, mas diante de uma situação absolutamente incoerente. A Constituição de 1988 é centralizadora por natureza e socialista por convicção. Forjada num momento de ruptura, logo após a redemocratização, criou péssimo ambiente para os negócios, deixando empresários a mercê do Estado. Nesse contexto, investimento em arte se tornou supérfluo, quando não restrito a quem a Constituição privilegia: o Governo central.

Militância e estética da propaganda

A exigência revolucionária pregada pela Escola de Frankfurt move o domínio progressista na cultura. É o lobo em pele de cordeiro. A arte concebida como propaganda revolucionária leva a crer na revolução como a própria “dignificação da vida”, o que atrai cada vez mais militantes ao campo, afastando os conservadores e, naturalmente, criando um terrível círculo vicioso.

O cenário Norte Americano comprova este ponto. O mesmo diagnóstico de hegemonia se deu pelos conservadores por lá. O escritor conservador Andrew Klavan, no artigo  “Can Conservatives Win Back the Arts?”, faz um mea culpa quanto à resposta da direita ao domínio esquerdista: “Nós (conservadores) reclamamos do que está sendo produzido, nos preocupamos com a influência que isso terá, mas desistimos de resistir, como se não valesse a pena”

Há, contudo, uma diferença fundamental entre as realidades brasileira e americana. Thomas Jefferson, um dos pais fundadores, afirmou: “Em questões de poder, que não se ouça falar de confiança cega no homem, mas que ele seja atado, de modo a protegê-lo de danos, pelas correntes da Constituição”. 

Um Prometeu liberto

A inversão patente entre EUA e Brasil é de doer neste quesito. Se, por lá, o espírito da Constituição é ser uma corrente apta a proteger os homens da tirania do Estado, por aqui, o seu ânimo é o de proteger o homem de si mesmo, sendo o Estado o responsável pela tarefa.

Portanto, enquanto estivermos sob o jugo desta Carta Magna, dependeremos do homem por trás do Estado. Se hoje ele entende que a hegemonia progressista fez mal ao país, que apoiemos o mesmo na aplicação das mudanças necessárias. Se elas conduzem o governo a inverter o critério para a distribuição de recursos no campo cultural, que assim seja. 

Este é o cenário que nos introduz ao espírito com que assume a Funarte o consagrado diretor de teatro Roberto Alvim. Entre os tantos trabalhos de Hércules executados, a aliança com o artista recém-liberto foi um dos feitos mais comemorados pelos conservadores amantes das belas artes.

Em breve, o público brasileiro terá a chance de apreciar sobre o palco como o diretor pretende confrontar os demônios que assombram as políticas culturais forjadas em terra pátria nas décadas anteriores.

Quer uma prévia? Leia na seção Perfil.


1 Comments

  1. ANCINE FOI DE 40 MILHÕES a 1 BILHÃO em apenas 10 anos.
    Gov financial só TEATRO municipal , museus relevantes e OSESP. Carnaval só o principal com limites , agora bloquinho carnavalesco se virá Como o CINEMA Cultural na PAULISTA fechou pois ninguém SE interessa em pagar um único ingresso. Se ninguém SE interessa por que tem que estar aberto?
    Para comprar FILMES sem TALENTO de artistas sem TALENTO financiador com Dinheiro público

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

This div height required for enabling the sticky sidebar
Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views :