Todo mundo sabe que Lacerda fez estardalhaço por onde esteve, movendo os ânimos de amigos e inimigos enquanto corria a história nacional. Mas que músicas, cada qual em seu compasso, moviam os corações no entretempo? Que trilha sonora embala a existência única do polemista mais nervoso

1914. O ano em que Lacerda nascia se empolgava com a canção Atraente, da eterna Chiquinha Gonzaga.

1934. Lacerda, jovem e apaixonado pela cultura comunista, proferia um discurso pela ALN no fatídico ano em que Cidade Maravilhosa, de Aurora Miranda e André Filho era a música mais tocada do Brasil.

1939. No rastro histórico da ruptura de Lacerda com o movimento comunista, Carmem Miranda conquistava o mundo com O que é que a baiana tem? e Orlando Silva consolava corações com A Jardineira.

1948. Convertido ao catolicismo, Lacerda exultava, enquanto o Brasil cantava É com esse que eu vou, da banda 4 ases e 1 coringa.

1949. Lacerda comemorava a fundação do Tribuna da Imprensa, provavelmente ao som da obra-prima Brasileirinho, de Waldir Azevedo.

1954. Atentado contra a vida de Lacerda seguido de escândalo culminando no suicídio de seu arquinimigo Getúlio Vargas. Entre um e outro susto, o povo cantava Saca-rolha, de Zé da Zilda, Zilda do Zé & Waldir Machado, a segunda música mais tocada do ano.

1956. JK brilhava na cadeira da presidência, saltitando a Maracangalha de Dorival Caymmi, inspirando ao corvo renovada virulência dos altos de sua Tribuna.

1961. Será que o nosso Lacerda cantarolava Bat Masterson, de Carlos Gonzaga, cada vez que vestia a capa de governador hiperativo da Guanabara?

1964. Governo Jango prestes a confiscar pequenas propriedades agrícolas, Lacerda rastreando o comunismo de cada medida, soltando o verbo, população exasperada e Forças Armadas em cena. Enquanto isso, o mundo dançava Datemi un martello com Rita Pavone. Curiosa coincidência, não?

1967/68. Após ser alvo de uma prisão política, Lacerda tem seus direitos políticos cassados, amargando um ostracismo político que acabaria com o sumiço da direita civil na arena nacional. Mas Hey Jude, dos Beatles, é que era o centro das atenções.

1977. O Brasil perdia Lacerda. E a voz de Elis Regina brilhava em Romaria.

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fim
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