Exames de Raios-X deram aos cientistas a possibilidade de estimar as idades da mãe e do bebê: a mulher tinha cerca de 20 anos quando morreu com um feto de 28 semanas no útero. O corpo da múmia tem por volta de 2000 anos

A múmia. Créditos: Academia de Ciências da Polônia.

“Esta múmia é realmente única, não encontramos casos semelhantes. Isso significa que nossa múmia é a única encontrada no mundo com um feto”.

Cientistas poloneses do projeto Múmia de Varsóvia.

Ontem, quinta-feira, 29 de abril, cientistas poloneses anunciaram a descoberta de uma múmia que, por uma característica singular, é considerada única na história dos achados arqueológicos. Trata-se de uma múmia gravida. A descoberta aconteceu quando pesquisadores do Museu Nacional de Varsóvia, capital da Polônia, estavam examinando os restos mortais mumificados através de Raios-X.

“Meu marido Stanislaw, egiptólogo, e eu, ao examinarmos as imagens radiográficas, notamos no útero da falecida uma imagem familiar a pais de três filhos: um pezinho!”.

Marzena Ozarek-Szilke, antropóloga e arqueóloga da Universidade de Varsóvia, em entrevista à rede de mídia local.

O cientista Wojciech Ejsmond, membro da Academia Polonesa de Ciências, que também integra o projeto de pesquisa com as múmias egípcias, disse que eles ainda não sabem por que o feto não foi retirado da mãe antes do processo de mumificação. Marzena Ozarek-Szilke, aquela que viu o “pezinho” nas radiografias da múmia, levantou a hipótese de que pode ter havido uma intenção de “esconder a gravidez (…) ou, talvez, tivesse algum significado ligado a crenças sobre o renascimento na vida após a morte”.

De acordo com as interpretações dos hieróglifos inscritos no sarcófago, conjecturou-se que a múmia era de um sacerdote egípcio que viveu entre século I a.C. e I d.C. Mas não há, contudo, um consenso sobre estas interpretações. O periódico científico Journal of Archaeological Science anunciou a descoberta em sua última edição.

Imagens da região abdominal da múmia nas quais o feto aparece em cores. Créditos: The Sun Reprodução.

“É o primeiro caso conhecido de um corpo embalsamado de gestante (…) Isso abre novas possibilidades para pesquisas sobre gravidez na antiguidade e práticas relacionadas à maternidade”.

Destaque do artigo no periódico científico Journal of Archaeological Science.

A múmia que possivelmente fora contemporânea de Jesus Christo e da rainha Cleópatra, foi descoberta em uma escavação arqueológica em 1826 e levada para a Polônia. Transferida para o Museu Nacional de Varsóvia em 1917, lá permanece até hoje.

Com informações do portal Mega Curioso, da Revista Exame e do periódico acadêmico mensal Journal of Archaeological Science.

“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”.

Mário Quintana, poeta.

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