Há diferenças cruciais entre a fé Católica e a Protestante. Não vamos abordar aqui diferenças teológicas. Deixemos a Cristo, o ponto de inflexão entre as duas crenças que dividem a paixão dos brasileiros. Aqui, esbarraremos no principal motivo do crescente pentecostal, com o objetivo de buscar as razões da suscetibilidade Católica ao avanço gramscista, em oposição à cruzada evangélica contra a amoralidade comunista no Brasil.

Embora a teologia da prosperidade difundida por correntes neopentecostais flerte com a conversão de ideias transcendentes em imanência, os marxistas não os venceram por tal debilidade.

A obediência a um esquema moral rígido afastou cristãos reformados do ataque imoral de militantes embebidos nos métodos da Escola de Frankfurt no Brasil. Ao meu ver, a estratégia comunista foi falha à medida que não percebeu o quão inócuo seria introduzir um veneno de imoralidade em um ambiente baseado no reforço moral.

A Igreja Católica não exigiu ataques exteriores. A Teologia da Libertação cumpriu a tarefa de implodir de dentro para fora as defesas da instituição milenar. Nascida após o Concílio Vaticano II, essa corrente teológica se fundamenta em Marx, ao trazer à imanência conceitos transcendentes. Partindo da premissa que o Evangelho exige atenção aos pobres, teólogos comunistas se apegam ao conceito da salvação para adaptar a ideia de redenção da alma àquela de remição da classe social.

Até agora, temos uma igreja que resiste ao avanço comunista com um potente escudo moral, e uma instituição sendo implodida de dentro para fora por meio de uma confusão teológica profunda.

Outro fator desequilibra mais o jogo. A unicidade da Igreja Católica e a clara descentralização protestante foi o ponto fundamental para facilitar o acesso comunista à primeira. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pode ser considerada a mão que puxou a nefasta ideologia para o seio da Santa Igreja.

Em 1954, ao se tornar porta-voz mais autorizada da Igreja Católica no Brasil, a CNBB já tinha influência interna sobre bispos de ideias progressistas, incentivada pelo núncio papal dom Armando Lombardi. Até maio de 1964, ano de sua morte, a liderança desempenharia papel fundamental na orientação e sustentação da unidade da CNBB.

Pistas dessa tendência progressista aparecem cedo no bispado. Em 1956, com participação da CNBB, os bispos se reuniram para discutir problemas socioeconômicos. Notável à ocaisão é o sopro de Teologia da Libertação, na presença do prestigiado economista de esquerda Celso Furtado. 

A questão social tornava-se cada vez mais relevante no ambiente Católico, o que se agrava sob o papado de João XXIII. Em carta aos bispos da América Latina, enfatizou os problemas sociais da região, manifestando-se favorável à mudança do quadro geral. 

Representante oficial da hierarquia papal no Brasil, a CNBB encontra campo fértil para difundir as ideias revolucionárias sem deparar-se com oposição. Até mesmo padres conservadores, como o Padre Paulo Ricardo, têm ainda hoje dificuldade para externar posições contrárias àquelas dos bispos comunistas, adotando uma espécie de “morde e assopra” contra as medidas mais estapafúrdias.

Nesse vídeo, por exemplo, o padre acusa os bispos e ajuíza que a “história os condenará, já que não acreditam no juízo de Deus”.

Já neste segundo, vemos o padre, numa espécie de recuo, reclamar que “polêmicas de rede social” o colocaram em discordância com a CNBB, e que os recados presentes em seus vídeos antigos haviam sido tirados de contexto.

Os protestantes, por outro lado, não têm nada próximo a esse grau de unidade. Bernardo Kuster costuma falar em “fés, crenças ou ramos Protestantes”, assim mesmo no plural, em virtude da quantidade de divergências internas.

Obviamente, essa descentralização os deixa menos vulneráveis, cumprindo aos líderes de cada ramo poder de ação autônomo, baseando-se nas próprias leituras e interpretações da Bíblia para aceitar ou não ideias exteriores ao livro sagrado.

Longe de apontar o dedo às diferentes maneiras de exprimir a fé, procuramos compreender por meio das idiossincrasias de ambas as instituições os motivos do sucesso ou insucesso do avanço comunista no Brasil.

Felizmente, os católicos começam a reagir. Mas a estrutura da própria instituição impõe-lhes dificuldades dignas das mais árduas batalhas enfrentadas pelos antigos cruzados.

Que Deus os ajude.


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