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terça-feira, 28 junho, 2022

OPINIÃO | Como a esquerda e o Partido Democrata americano organizam a ofensiva contra Musk

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

O “stablishment” tem uma máquina de destruição política pronta

Muito se fala sobre o viés ideológico na administração das redes sociais. Mas o que acontece quando a presidência de uma grande rede social não segue a tal “cartilha do sistema”?

Elon Musk tem se mostrado brilhante, não só como empreendedor. Sua compra do Twitter foi um movimento agressivo que políticos e militantes não conseguiram bloquear. Mas a guerra pelo controle do discurso continua.

O Partido Democrata americano tem uma aliança com a esquerda (incluída a extrema esquerda) e um poder gigantesco que inclui instituições governamentais, grande mídia e organizações não-governamentais.

Há seis meses, uma avalanche mundial de matérias pareciam abordar um suposto “escândalo dos algoritmos secretos” do Facebook. Frances Haugen, ex-gerente de produto da rede social, que trabalhou na área de “integridade cívica”, foi alçada à figura midiática proeminente pela grande mídia em todo o mundo.

Haugen foi entrevistada por várias grandes empresas de noticias, ganhou uma vaquinha online de centenas de milhares de dólares para despesas e foi convidada a falar ao senado americano.

O curioso é que Haugen não falava nada mais de relevante e escandaloso do que inúmeros outros denunciantes, matérias e estudos. Há até um documentário (“O dilema das redes”) sobre como os algoritmos prejudicam a saúde mental e contribuem para uma “radicalização política” entre usuários de redes sociais.

O Twitter, antes da gestão iminente de Elon Musk, foi denunciado à Justiça por se recusar a excluir postagens que mostravam cenas de abuso sexual de uma menina de 13 anos. O Twitter alegara que os videoclipes “não violavam suas políticas”. Apesar de revoltante, a grande mídia o repercutiu como fez com Frances Haugen. Por quê?

Acontece que Haugen é ativista de esquerda, com conexões e apoio de personalidades da cúpula do Partido Democrata americano, como Hilary Clinton. Entre as denúncias de Haugen, estava a “radicalização política” e as “fake news”, a “desinformação”.

Como observaram comentaristas como o conservador Ben Shapiro, o Facebook era um “queridinho” da grande mídia até 2016, quando Donald Trump foi eleito. A mobilização e propagação política nas redes sociais no sentido de eleger Barack Obama era festejada.

Após a eleição de Trump, surgiu o “escândalo da Cambridge Analytica”, também com ampla repercussão e envolvimento judicial. A Cambridge Analytica foi uma organização que estudava e procurava usar algoritmos e propaganda para a campanha pró-Trump. Steve Bannon, ex-estrategista político de Trump, estava diretamente envolvido.

O caso teve seu reflexo – por assim dizer – nos “inquéritos das fake news” no Brasil, sobre a tese de que uma campanha ilícita pró-Bolsonaro estaria acontecendo através de compartilhamentos de postagens pelos “tiozões do Whatsapp”.

Mark Zuckerberg, questionado no Senado americano, disse não ser segredo o viés esquerdista no Vale do Silício – essa admissão já desagradou a esquerda e o Partido Democrata. Mas Zuckerberg foi além ao defender, em diferentes ocasiões, uma maior liberdade de expressão e imparcialidade política na gestão de redes sociais. Logo o Facebook seria chamado na mídia de “máquina de propaganda da extrema-direita”.

O professor universitário, psicólogo e autor Jonathan Haidt defendeu recentemente que as redes sociais têm tornado as discussões sociais mais estúpidas e extremistas, à esquerda e à direita. Para os esquerdistas na mídia, porém, “extremismo” é sinônimo de “não alinhado à esquerda”.

Sem explorar mais ainda os detalhes, o Partido Democrata agora tem a presidência dos EUA. Então, já anunciaram a criação de uma “diretoria de governança de desinformação” dentro da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana. Algo que lembra o “Ministério da Verdade” do famoso livro “1984” de George Orwell.

Podemos esperar inúmeras matérias na grande mídia internacional destinadas a destruir a imagem de Elon Musk e do Twitter a partir de agora – isso já começou. E o envolvimento de agências governamentais como a NSA e o FBI, legisladores e ONGs em um escrutínio de cada tuíte, bastidores e decisões administrativas no Twitter.

Elon Musk não é um conservador e também não é de esquerda. Ele está interessado na liberdade de expressão dos “80% no meio” (palavras dele). Isto basta para ele. O Twitter e Musk tornaram-se alvo preferencial de organizações bem estabelecidas que não querem abrir mão do controle do discurso.

O que a esquerda levou uma ou duas décadas para fazer nas universidades, pode ser feito em minutos em uma rede social. O Facebook, muito maior que o Twitter, sofreu queda no valor de suas ações e certamente teve que ceder à pressão política-midiática só no episódio Frances Haugen.

Veremos como Elon Musk vai se sair contra “a máquina” e o quanto os defensores das liberdades individuais saberão ajudá-lo nisso.

Nota do autor: Por ser opinativo, as perspectivas contidas neste artigo não necessariamente refletem os posicionamentos da Revista Esmeril, seus colaboradoresne afiliados.

Com informações de New York Post, The Podcast of The Lotus Eaters, Vanity Fair, The Washington Post, Business Insider, CNN, The Atlantic, Christianity Today, Daily Mail e Reason. Imagens: Colagem: Mark Zuckerberg, por Anthony Quintano, e Elon Musk, por Steve Jurvetson; Shirley Hazzard, por Christopher Peterson (CC02).


Primeiro, há algo que você espera da vida. Depois, há o que a vida espera de você. No momento que você descobre que as duas coisas são a mesma, pode ser tarde demais para expectativas.

Shirley Hazzard

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