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sábado, 28 maio, 2022

OLAVO DE CARVALHO | Crônica de um converso à Fé

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Não foram os “tradicionalistas” de charuto grosso e de chapéu os responsáveis pela minha conversão

Relativamente a muitos dos camaradas do COF, conheci o trabalho do professor Olavo há pouco tempo, foi na ocasião do lançamento do livro O mínimo, primeiro dos livros do professor que li. Pouco antes, anteriormente à minha conversão à Fé Católica, eu ouvira falar sobre o Olavo num vídeo de um canal sobre Teologia no YouTube. No vídeo, um dos apresentadores disse uma frase — e o outro concordou de imediato — que me caiu como uma pulga serelepe atrás da orelha: “(…) Com o Olavo de Carvalho é amor ou ódio; há pessoas que o amam e há aquelas que o odeiam. Você precisa conhecê-lo”.

Ao cabo do vídeo fui pesquisar. O interesse era tamanho que assisti a todos os vídeos do Olavo e sobre o Olavo disponíveis no YouTube. Não demorou muito para que eu percebesse que ele falava mesmo como se estivesse numa mesa de bar na ilustre companhia de Aristóteles e de Mussum. Sua sinceridade, generosidade e desinteresse com que falava aos seus alunos — os vídeos no YouTube eram sempre trechos de suas aulas — cativaram-me. Os vídeos acabaram e, apesar de haver aqueles que, vez ou outra, disponibilizavam o conteúdo naquela plataforma, não bastavam mais para mim. Eu precisava ingressar no COF.

As primeiras páginas de O mínimo cativaram-me mais profundamente do que aqueles trechos curtos no YouTube nos quais Olavo dava generosos esporros nos maliciosos: Olavo de Carvalho era um escritor. “O estilo é o próprio homem”. Dar uma forma verbal às nossas experiências com a realidade não é uma tarefa fácil; a bem da verdade, ao lado do cultivo da Santidade, é um dos maiores desafios da vida. Naquelas primeiras páginas de O Mínimo tive uma mostra do seu vigor e habilidade no manejo das palavras. O Olavo conseguia descrever perfeitamente o que eu via e sentia do mundo à minha volta.

Atribulado com mil e uma obrigações, só pude tornar-me seu aluno no COF mais tarde, bem mais tarde. Acerca dos desígnios de Deus, o velho Isaías escrevera: “(…) Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos (…)”. Olavo, o velho que fumava e falava palavrões no YouTube, foi o responsável pelo meu regresso à Fá Católica.

Mais, muito mais do que me confirmar para a lide na vida intelectual, essa vida bandida dos estudos sinceros, o Olavo foi um estranho — e improvável — instrumento de Deus para me arregimentar às fileiras daqueles que defendem a Fé. Non Nobis Domine. Sempre trarei na memória — e, se ela falhar, fica aqui o registro — de como aconteceu, de como se deu o meu despertar para a Fé.

Juntamente com um grupo de amigos do COF, tão logo os ingressos para o filme do Josias Teófilo foram postos à venda na plataforma online, fui um dos primeiros a comprar — numa feliz coincidência de circunstâncias. Para quem acompanhava as aulas do COF, aquilo foi como um coroamento. Na lotada sala de cinema havia um estranha sensação de vitória, como aquilo era possível? Com tantos ursos, lobos e feras selvagens rugindo à nossa volta, como ainda aquela luz podia brilhar? Não só de vitória, mas a sensação que tive naquela sala do cinema do shopping metrô Santa Cruz, aqui na capital paulista, fora também de esperança. Spes nostra!

Ao cabo da sessão, ouvimos alguns dizeres acerca da importância do trabalho do Olavo. Alguns dos seus mais aplicados alunos falaram naquela noite. O professor Rodrigo Gurgel fez um convite especial: no dia seguinte, na Paróquia de Santa Generosa, nas proximidades do metrô Paraíso, um ciclo de palestras teria início. Eu fui. Mutatis mutandis, as palestras eram como que uma extensão do COF, porque a tônica era a restauração da Fé e da Alta Cultura. Numa noite, quase no fim do ciclo de palestras, ouvi sobre Fátima, sobre a urgência de sua mensagem para o mundo. Não tinha como não ser, aquele era o momento. Converti-me.

Não foram os tradicionalistas que rezam em latim e que, antes de entrar para a missa, apagam os charutos e colocam a boina debaixo do braço, os responsáveis pela minha conversão. Um velho “boca-suja” hábil na arte de mostrar o caminho da roça aos maliciosos fora o grande responsável pelo meu regresso à Fé. Professor Olavo, obrigado por despertar em mim o amor à língua portuguesa, à literatura e, principalmente, à Fé. Agora, ao lado da Virgem Maria e do Santo Padre Pio de Pietrelcina, o senhor pode interceder por nós, seus alunos, para que “nenhuma injustiça seja cometida nesse programa [da vida]”.


“Um dia, espero, estaremos todos lá, aos pés de Nosso Senhor, e nossas lágrimas de alegria inundarão universos inteiros”.

Olavo de Carvalho

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1 COMENTÁRIO

  1. O Sr e as suas Obras ficarão aqui no eterno enquanto durar esse mundo. Olavo vive! Não há adjetivos para descrever quem foi e o que fez o Olavo para O Brasil e também para o mundo.

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