27.1 C
São Paulo
quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Nos tempos do Imperador

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Em Petrópolis, a Cidade Imperial, arqueólogos encontram artefatos do final do século XIX em escavações no Palácio de Cristal

Incrustada na serra fluminense Petrópolis é um refúgio para aqueles que fogem do calor carioca. Mas não só. A cidade é, como indica o nome latino, a terra de Pedro, a cidade que ainda vive sob a atmosfera da Corte. Em Petrópolis vive-se sob a presença permanente dos símbolos da monarquia brasileira.

Marc Ferrez – LAGO, Pedro Correa do. Coleção Princesa Isabel: Fotografia do século XIX. Capivara, 2008.

O principal destes símbolos é, sem dúvida, o palácio de veraneio da família imperial, construído a mando de D.Pedro II na segunda metade do século XIX, e que atualmente abriga o Museu Imperial. Há, no entanto, outra das diversas construções dos tempos do Império que atrai as câmeras dos celulares dos turistas: o Palácio de Cristal.

A construção em estilo eclético fora encomendada pelo Conde d’Eu como um presente para a Princesa Isabel. A estrutura, inaugurada em 1884, é uma espécie de estufa gigante cuja finalidade é dar abrigo ao cultivo de hortaliças; mas fora utilizada sobretudo como sede para exposições agrícolas. Recentemente escavações arqueológicas no local revelaram objetos da época.

Desde maio, mais de duas mil peças já foram resgatadas: louças inglesas, cerâmicas alemãs, faianças, ferraduras e vidros (provavelmente originais do palácio); até um cachimbo de porcelana fora encontrado durante os trabalhos de escavação.

Escavações nos jardins do Palácio de Cristal. Fonte: G1/Divulgação

Desde 2019, por questões relativas a reformas, o Palácio está fechado para o público, mas uma parte dos achados foi colocada em exibição nos arredores da construção. As reformas, que incluíam facilidades de acessibilidade, foram embargadas em fevereiro de 2020 a mando do IPHAN sob o argumento de “carência de autorizações”. Contudo, passados mais de um ano, as escavações começaram. As descobertas no sítio que compreende os jardins do Palácio têm alimentado o entusiasmo da equipe de arqueologia.

“Há materiais ali da primeira metade do século XIX, como fragmentos de louça inglesa. Mas é possível que tenha materiais até do século XVIII. Esses aterros podem estar ligados a inundações na cidade e a remodelamentos da praça, e há chance de terem levado junto louças de famílias que viviam em Petrópolis. Nosso intuito agora é fazer sondagens mais profundas próximas à entrada, indo além dos 60 centímetros de cava, atingindo um metro e meio e chegando a materiais mais antigos, relacionados à história da praça”.

Giovani Scaramella, diretor da empresa Grifo Arqueologia

No sítio, o mestre em arqueologia Kedma Gomes, que veio de Lisboa, coordena os trabalhos de peneiramento do material (prática fundamental para a descoberta de novos artefatos). Até o presente momento, foram escavados um total de 230 metros no jardim, inicialmente remexido para a abertura de dutos elétricos e hidráulicos.

“Já encontramos fragmentos de xícara, de faiança fina, europeia, e de faiança histórica, porcelanas, azulejo português e mesmo um fragmento de anilha de esgoto antiga. Há também muito vidro plano, que pode ser do próprio palácio, que passou por restaurações. Já achamos em lotes diferentes pedaços de um mesmo prato. É um grande quebra-cabeça”.

Kedma Gomes

O custo total dos trabalhos de escavação é de R$ 174 mil Reais bancados pela câmara municipal sob a gestão do prefeito interino Hingo Hammes. Segundo um comunicado oficial da prefeitura, o plano é reabrir o Palácio ainda este ano com todos os trabalhos de escavação e restauração concluídos. O custo das obras de restauro fora orçado em R$ 875 mil Reais.

“O patrimônio tem que ser conservado no lugar dele. Nosso compromisso é mostrar a história como ela é”.

Kedma Gomes

Com informações do Portal G1 Extra.

“Altiora Semper Petens” , “Buscando sempre o mais elevado”.

Lema da cidade de Petrópolis
Assine Esmeril e tenha acesso a conteúdo de Alta Cultura. Assine!
- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

CRÔNICA丨Perda

Afrânio era um aprendiz de tipógrafo na Corte que, depois do trabalho nas oficinas da Rua da Guarda Velha,...
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img