Bebés al Cielo” é o nome do projeto que, desde 2017, já proporcionou a mais de cem bebês uma despedida digna

“A vida, principalmente a vida de um ser inocente, de um ser indefeso, tornou-se algo negociável, não é mais considerada sagrada”.

Dom Danilo Echeverría, Bispo auxiliar de Quito.

Existe uma frase célebre atribuída ao grande apologeta britânico G.K. Chesterton que explicita, com bom humor, o estado de confusão dos nossos dias: “Chegará o dia em que teremos que provar que a grama é verde“. A frase, se inicialmente provoca sorrisos, quiçá gargalhadas no leitor, pode, depois de passada a reação cômica, provocar reflexões capazes de fazê-lo chorar de tristeza. A realidade objetiva permanece, independente da nossa capacidade de reconhecê-la. No entanto, as pessoas estão perdendo sua inteligência, sua capacidade de discernir, de catalogar, de organizar os elementos da realidade. Soma-se a isto a indigência moral, a covardia alimentada pela estupidez e um dos resultados possíveis é a passividade ante a política internacional do assassinato de bebês.

Dom Danilo Echeverría, o bispo auxiliar de Quito, disse aquelas palavras citadas na abertura desta matéria durante uma celebração eucarística para dar sepultamento cristão a 25 bebês abortados e encontrados em diversas circunstâncias nos bairros da capital do Equador. A Pastoral da Família da Arquidiocese de Quito, em conjunto com o Serviço Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses do Equador, mantém a louvável iniciativa “Bebés al Cielo“. A informação fora veiculada pelo portal de notícias Vatican News.

Os corpos dos bebês, antes do sepultamento, permaneceram vários anos no Departamento de Medicina Legal e Ciências Forenses da Polícia Nacional, sem a devida identificação. Mas, através da iniciativa da Igreja Católica no local, os pequeninos finalmente receberam um sepultamento digno no parque Santo Jardines de Santa Rosa, ao sul da capital equatoriana. Desde o ano de 2017, segundo as informações oficiais, 116 bebês que estavam entre a 10ª semana de gestação ou eram recém-nascidos, foram assassinados em Quito.

Dom Echeverría, em lúcida reflexão, afirmou que um dos mais dolorosos aspectos da realidade atual é que “só se valorizam as coisas que são caras, que têm um alto preço econômico” aquilo que é gratuito, que é dádiva “fica em segundo plano“. Ora, a vida é a maior das dádivas que recebemos, desprezá-la ao ponto máximo da passividade ante à morte de frágeis e indefesos bebês é o cúmulo da ingratidão; é, de fato, pecado que clama aos Céus por justiça.

“Aquela vida humana que não tem voz para reclamar, que não tem presença para ser notada, requer de pessoas com grande coração, com profundo sentido de dignidade, que façam valer os seus direitos, que façam valer o dom extraordinário que receberam de terem sido chamadas à existência”.

Dom Echeverría.

Ao cabo da celebração, o Bispo auxiliar de Quito pediu a Deus que tocasse nos corações dos cidadãos a fim de fazer-lhes entender que a “vida humana é sagrada, que nenhuma pessoa jamais pode ser violada“, especialmente se for inocente.

Com informações do portal de notícias Vatican News.

“Jesus, porém, disse: ‘Deixai as crianças virem a mim e não as impeçais, pois o Reino dos Céus pertence aos que se assemelham a elas'”.

O Evangelho segundo São Mateus, XIX,14.

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