A revista Piauí publicou recentemente matéria, de autoria de Monica Gugliano, entitulada Vou Intervir! – o dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo” . O texto relata um episódio ocorrido em maio deste ano.

Segundo o artigo, Bolsonaro mostrara-se decidido pela necessidade de se tomar medidas extraordinárias contra a atual composição do STF. O presidente, porém, acabou sendo dissuadido da idéia por seus conselheiros mais próximos.

De que vivemos momentos politicamente tensos, não se deveria ter quaisquer dúvidas. Ademais, qualquer interferência militar direta seria uma catástrofe política. Por demonstrar ambos os pontos, a notícia é pertinente e, nesse aspecto, irretocável.

Agora, pode-se ler a matéria de inúmeras formas diferentes. Haverá leitores que provavelmente colocam maior peso em partes do texto ressaltando a impaciência do presidente e a presença de defensores de intervenção no seu círculo íntimo.

O relato, porém, não se resume a esses. O texto também apresenta os fatos seguintes: (a) o presidente buscou aconselhamento; (b) foram-lhe apresentado argumentos contrários à proposta; (c) o presidente acatou os argumentos e mudou de idéia; e (d) não ocorreu nada.

Sabe-se que Bolsonaro não poderia estar na presidência de acordo com o regime em voga. Contudo, ele está; tendo sido eleito pela vontade popular. Exatamente por não poder estar onde está, há forças tentando expeli-lo. O governo não gostar disso é natural, mas se trata do exercício de um papel institucional.

É justamente por ser esse o atual papel dessas instituições que é importante o atual governo conseguir levar seu mandato até o fim da mesma maneira de como o alcançou: dentro das regras. É preciso mudar-lhes o papel, mas sem que haja rupturas para tanto.

A comunidade brasileira conseguirá neste momento realizar por dentro do atual arcabouço institucional as mudanças necessárias para permitir que a Direita participe ativamente do jogo político nacional? É impossível prever.

Se não conseguirmos, seria isso por culpa do atual governo, das demais instituições políticas, de ambos? Não se trata de uma pergunta para ser respondida agora.

Todavia, na prática, pouco importaria a causa de um eventual fracasso. O desafio não mudaria; continuaria o mesmo. Seria preciso começar todo o processo de novo.

Ao fim e ao cabo, o relato publicado na matéria é positivo para o presidente. O texto expõe a principal tensão política que o país experimenta neste momento; a qual recai principalmente sobre Bolsonaro.

Nesse cenário, o presidente foi capaz de buscar aconselhamento e de conseguir controlar-se. Ademais, resta claro haver consciência dentro do Planalto do desafio enfrentado pelo governo.

Ora, por mais que a Piauí tente argumentar em contrário, tratam-se todas de excelentes notícias.

ERRATA: O título e o quinto parágrafo foram publicados originalmente contendo erros de concordância. Ambos os trechos foram corrigidos.

3 Comments

  1. Também:
    em “(b) foi-lhe apresentado argumentos”, merecem concordância verbal e nominal as palavras ou no plural (“foram-lhe apresentados argumentos”) ou no singular (“foi-lhe apresentado argumento”).

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