MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaques

O grande destaque da semana é o lançamento da Sétimo Selo, O quarto sábio, de Henry van Dyke.

O quarto sábio nunca chegou à manjedoura. E é por isso que sua história merece ser contada.
Todos conhecem os três Reis Magos que seguiram a estrela até Belém. Poucos sabem que houve um quarto. Artaban viu o mesmo sinal no céu. Vendeu a casa e os bens, comprou três joias preciosas para ofertar ao Rei que ia nascer e partiu sozinho, atrás dos companheiros, decidido a chegar a tempo.
Não chegou. A cada trecho do caminho, a vida lhe atravessou um necessitado: um homem caído à beira da estrada, uma criança em perigo, uma jovem prestes a ser vendida. Três vezes Artaban parou para socorrer. Três vezes uma das joias destinadas ao Rei foi entregue a um estranho. E três vezes o encontro que ele sonhara foi adiado.
O que Henry van Dyke escreveu em 1895 é, no fundo, uma parábola sobre a distância entre a devoção que planejamos oferecer e o amor que a vida de fato nos pede, quase sempre em forma de interrupção. Uma história breve e luminosa, dessas que se lê numa tarde e ficam anos ecoando.

Destaque também para o lançamento da O Mínimo, com O mínimo sobre a Guerra do Paraguai, de Thomas Giulliano.

Guerra do Paraguai foi o conflito mais sangrento já travado na América do Sul, e ainda assim seguimos ensinando-a em fragmentos: uma data, um nome, uma batalha. Falta o que realmente importa, entender como tensões antigas entre quatro países viraram seis anos de guerra total.
Neste livro, Thomas Giulliano recusa as duas armadilhas mais comuns sobre o tema: o maniqueísmo que resume tudo à figura de Solano López, e o revisionismo que enxerga apenas um plano de aniquilação do Paraguai pelos vizinhos. Em vez disso, ele trata Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai como peças de um mesmo tabuleiro geopolítico, instável e interdependente.

Outros lançamentos

Pela Vide, Guerra contra o agro, de André Bedin Pirajá.

guém precisa acordar cedo para que você coma.
Nas rodas de conversa, o agronegócio virou sinônimo de exploração, desmatamento e escravidão. As pessoas ouvem caladas, e preferem o silêncio para não perder a amizade. Mas o silêncio tem um custo, e ele chega todo mês à mesa.
Em Guerra contra o agro, André Bedin Pirajá, produtor rural e advogado, faz a pergunta que sumiu do debate: quem produz o alimento que chega diariamente ao seu prato?
A partir dela, o autor reconstrói a trajetória que tirou o Brasil da condição de importador e o transformou em uma das maiores potências agropecuárias do planeta. E denuncia o que descreve como uma ofensiva contra o campo: as narrativas do “terrorismo climático”, a agenda que ele associa ao neomarxismo ambiental, os interesses estrangeiros por trás do mercado de carbono e do ESG, e a corrosão silenciosa do direito de propriedade rural.
Do aquecimento global à demarcação de terras, da reforma agrária ao pedágio ambiental, o livro expõe, na leitura do autor, uma engrenagem que ameaça o produtor, o consumidor e a soberania nacional.
Um livro de combate. Escrito para quem tem boca para se alimentar.


Pela Ecclesiae, Se bem que…, de G.K. Chesterton.

Durante anos, semana após semana, Chesterton manteve uma coluna no Illustrated London News. Escrevia sobre o que a época lhe punha diante dos olhos: um romance policial, uma nova moda na poesia, a psicanálise, o pecado original, o modo como os jornais noticiavam um crime. De uma dessas seções semanais nasceu o lançamento, coletânea que reune uma seleção desses ensaios.
O leitor encontra aqui o Chesterton que pensava caminhando, capaz de partir de um assunto corriqueiro e chegar, sem pressa, a uma questão de fundo sobre a fé, a moral e o sentido das coisas. No ensaio que abre o volume, ele examina o próprio gênero em que se tornou mestre e reconhece nele um risco, o de tratar de questões sérias sem a responsabilidade de sustentá-las até o fim.


Pela Edições Livre, Devoto Josefino, do Padre Eusébio Sacristán Villanueva.

São José não escreveu tratados. Trabalhou em silêncio, com as mãos, e foi assim que se tornou modelo de vida interior.
Devoto Josefino reúne as devoções mais usadas em honra do Patriarca há quase um século: os Sete Domingos, a Novena, a Coroa, a Ladainha, e o modo prático de viver ao lado dele a Missa, a confissão e a comunhão.
Um livro para quem busca um pai que ensina fazendo, não discursando.

Pela Papillon, Caso no espaço, de Stuart Gibbs.

Na Base Lunar Alpha, a vida deveria ser emocionante — afinal, são os primeiros humanos a viver na Lua. Mas para Dashiell Gibson, de 12 anos, a realidade é bem diferente: nada de aventuras na superfície lunar e quase nenhuma distração dentro da estação. Para piorar, o único garoto da sua idade passa os dias imerso em realidade virtual.
Tudo muda quando o principal cientista da base é encontrado morto em circunstâncias suspeitas. Embora todos acreditem que foi apenas um acidente, Dash tem certeza de que há algo muito mais sombrio por trás da tragédia. Investigando por conta própria, ele descobre que o cientista estava prestes a revelar um segredo capaz de transformar a vida de todos na Lua — um segredo pelo qual alguém pode ter matado para proteger.
Preso em um ambiente hostil e sem apoio dos adultos, Dash terá de usar toda a sua astúcia para desvendar o mistério… antes que se torne a próxima vítima.

E pela Texugo, o clássico O flautista de Hamelin, de Robert Browning.

Hamelin estava perdida para os ratos. Eles comiam o queijo do prato, roubavam as sardinhas da lata, moravam dentro dos chapéus e nem deixavam mais as conversas acontecerem em paz — só se ouvia chiado e gemido pela vila inteira.
Foi quando um homem apareceu vestido de amarelo e vermelho, dos pés à cabeça, com um instrumento pendurado no pescoço e uma proposta simples: ele resolvia o problema dos ratos, a cidade pagava mil florins.
O trato foi feito. O Flautista tocou. E cada rato — pretos, marrons, cinzas, velhos e filhotes — saiu correndo atrás da música direto para o rio.
Só que, na hora de pagar, o Conselho mudou de ideia.
E o Flautista voltou para a rua. Tocou de novo. Só que, dessa vez, quem saiu atrás da música não foram os ratos.
Escrito por Robert Browning em 1842 para Willy, filho de um amigo seu que adorava ilustrar histórias, O flautista de Hamelin chega ao catálogo da Texugo com tradução de Raphael Jonathan de O. Soares e ilustrações de Daniel Matui.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Abertos

Últimos do Autor