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domingo, 5 dezembro, 2021

Jurassic Park boliviano

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Aparentemente o país vizinho tem a maior concentração de vestígios de dinossauros do mundo

Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), em 2019 viviam na cidade de São Paulo mais de 75 mil bolivianos. Quem caminha pelas ruas fétidas da Sé e do Brás, por exemplo, a menos que seja deficiente visual, não passa desapercebido da labuta dos hermanos na capital. Trabalhando frequentemente em atividades insalubres e mal remuneradas (como nas oficinas têxteis no Brás), os coitados são, não raramente, abusados: não é difícil encontrar na mídia notícias sobre atentados contra bolivianos.

É improvável que algum paulistano, a menos que seu conhecimento sobre o país vizinho transponha a fronteira do estereótipo, tenha força para imaginar que a Bolívia seja um paraíso para os entusiastas da Paleontologia. Não, é exigir demais do homo urbanus sentado no banco do metrô. Recentemente, uma notícia científica — do tipo que agradaria Steven Spielberg e os seus discípulos responsáveis por dar sequência na franquia de Jurassic Park — causou sensação: a descoberta de uma pegada de um Abelissauro na Bolívia pode converter o país numa “Meca da Paleontologia”.

Turistas observam pegadas de dinossauro no Parque Cretácico Cal Orcko em Sucre, na Bolívia (Foto: Aizar Raldes Nunez/AFP)

A descoberta aconteceu no final de julho, na região de Maragua, no Sul do país vizinho. O paleontólogo Omar Medina disse, referindo-se à pegada de 1,15 metros de diâmetro deste carnívoro do Cretáceo Superior, que o achado “é simplesmente impressionante”. O Abelissauro fora um predador que alcançava os 15 metros de altura e que vivera há 80 milhões de anos na região que, atualmente, é o departamento boliviano de Chuquisaca. À época, a região era uma zona costeira de clima quente.

“Cada descoberta é muito importante porque cada fóssil que se descobre não é mais um fóssil, é como um ícone do mundo”.

Medina

Medina disse que na região, na qual há muitos vestígios de algas marinhas, viviam também “os maiores répteis voadores que já existiam”. Cientistas bolivianos, argentinos e uruguaios (pelo visto, nenhum Tupiniquim foi convidado) reunir-se-ão em outubro para analisar em conjunto a enormidade de evidências paleontológicas encontradas na região. Eles discutirão, por exemplo, “a importância do fóssil de carapaça do Gliptondonte, por ser talvez o último que existiu”.

E não foi somente Spielberg quem encontrou inspiração nos animais pré-históricos descobertos na região; um exemplar do “tatu gigante” consagrado no filme A Era do Gelo, da DreamWorks Animation, fora descoberto em março, também na região de Chuquisaca. O animal vivera no período geológico conhecido como Quaternário, há cerca de 10 mil anos.

Há ainda outra jazida de fósseis descoberta no Vale Icla, na mesma região, “com dinossauros de 120 milhões de anos, que estão sendo testemunhados pela presença de pegadas de Estegossauros, que se pensava que não existiam na América do Sul”, disse Medina.

Parque Cretácico Cal Orcko em Sucre, na Bolívia (Foto: Aizar Raldes Nunez/AFP)

“Em Chuquisaca está a maior jazida de invertebrados do mundo, onde é necessário fazer pesquisas”.

Omar Medina

O turismo na região concentra-se no Parque Cretácico Cal Orcko, que é seguramente um dos depósitos icnológicos (referente aos rastros fósseis) mais importantes do mundo, no qual se encontram mais de 10 mil pegadas de quase 300 espécies de dinossauros.

Era do Gelo latino-americana

Em Padilla, outro dos municípios do departamento, uma enorme jazida da “Era do Gelo”, cronologicamente localizada no período geológico do Pleistoceno (período que começara há dois milhões de anos e terminou aproximadamente no ano 10.000 a.C), também é de suma importância para os estudos.

“Se diz que é a maior jazida do Pleistoceno que existe na América do Sul, com mais de 60 espécies animais, onde há um verdadeiro cemitério de elefantes”.

Medina à AFP

Com informações do portal G1.

“Deus criou os grandes monstros marinhos e todos os seres vivos que se movem fervilhando nas águas, segundo suas espécies; e todas as aves, segundo suas espécies. E Deus viu que era bom”.

Gênesis I:21. Tradução oficinal da CNBB

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