O cientista francês que fez sucesso entre os alquimistas da Royal Society de Londres protagonizou a descoberta em 1766, no seu laboratório particular construído em sua própria casa.

A história da Ciência está recheada de paradoxos: os louváveis resultados das investigações, dos experimentos que hoje celebramos, por vezes eram motivados por descobertas estranhas, excêntricas, que pouco ou nada tinham a ver com a aura de divulgação consagrada pela mídia. Passadas as sensações do Renascimento, os homens de Ciência do século XVIII, o século das luzes, entraram de cabeça numa barafunda de práticas obscuras, de caráter esotérico, motivadas pela sanha de dominar, integralmente, todas as forças da natureza — sobretudo as sutis. Esses novos paradigmas de investigação que alcançaram o seu ápice no século das revoluções, em nada lembravam a objetividade, a honestidade intelectual dos pensadores da Idade Média que, contrariando as práticas dos cientistas iluministas, prezavam pela clareza tanto dos meios quanto dos fins das investigações. A Ciência da Era Moderna, portanto, nasce como fruto do exato oposto do que falsamente a mídia apregoa. As descobertas, contudo, resultavam, aqui e acolá, em certas benesses para o cidadão comum, pelo menos no âmbito do conforto da vida quotidiana. Uma migalha.

Henry Cavendish, cuja descoberta do elemento Hidrogênio (H), o “ar inflamável” celebramos hoje, fora um dos mais estranhos pioneiros da Física e da Química do século XVIII, Cavendish nasceu em 1731 em Nice, França. Seus avós eram duques e ele, portanto, era muito rico. Após seus estudos na Universidade de Cambridge, viveu e trabalhou sozinho em sua casa, em Londres. Homem de poucas palavras e tímido com as mulheres, dizem que pedia suas refeições deixando bilhetes aos seus empregados. O cientista francês frequentou assiduamente as reuniões da Royal Society por cerca de 40 anos, nas quais Astrologia, Alquimia e controle das forças da Natureza eram a tônica dos debates. Na sua torre de marfim, Cavendish conduziu experimentos de química e de eletricidade; e, em algum momento da sua longa carreira científica, descreveu com precisão a natureza do calor e mediu a densidade da Terra — ou, como diziam, “pesou o mundo”. Henry Cavendish morreu em 1810.

 Em condições normais de pressão e temperatura, o Hidrogênio é um gás diatômico (H2) incolor, inodoro, insípido, não metálico e, como Cavendish comprovou, altamente inflamável. É o elemento químico mais leve e também o mais abundante, constituindo aproximadamente 75% da matéria do universo. O Hidrogênio pode formar compostos com a maioria dos elementos e está presente na água e na maioria dos compostos orgânicos. Suas principais aplicações industriais são a refinação de combustíveis fósseis (por exemplo, o hydrocracking) e a produção de amoníaco (usado principalmente para fertilizantes). Até a década de 1930, esse gás altamente inflamável era utilizado para elevar os colossais dirigíveis, no entanto, depois do acidente com o Zeppelin Hindenburg, em 6 de maio de 1937 — amplamente coberto pela mídia –, as políticas do uso de Hidrogênio no transporte aéreo mudaram.

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