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domingo, 5 dezembro, 2021

Filmes e séries que respondem à pergunta: Humanos amarão robôs?

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

Opções de entretenimento que refletem uma das discussões atuais sobre os rumos da Humanidade e da Inteligência Artificial

Há algum tempo, falamos do relançamento do Tamagotchi, o bichinho de estimação virtual que fez sucesso com a criançada nos anos 90. Mas, nós, humanos, fazemos a tecnologia avançar cada vez mais rapidamente e já mostramos aqui no Esmeril News que hoje temos IA (Inteligência Artificial) criada para fazer companhia a pessoas e destacamos o favorito robozinho Replika.

Alguns são entusiastas da tecnologia e possibilidades psicoterapêuticas, outros veem a ideia de amizade com robôs em si como uma triste perda de uma parte da nossa integridade humana, incluindo saúde mental, social e até reprodutiva. Outros pensam que o afeto de humanos por robôs – amizade ou, o que alguns veem como mais grave, romance e intimidade sexual – é um futuro inevitável. Outros, ainda, que é impossível humanos amarem máquinas como amam – e/ou deveriam amar – outras pessoas.

O tema é debatido entre pesquisadores, filósofos e ‘meros mortais’. Como a questão é polêmica, o fim de semana está chegando e ninguém é de ferro, selecionamos uma lista de obras em que humanos amam robôs.

CRITÉRIOS

Na nossa seleção principal, priorizamos filmes de romance, mas não nos esquecemos de séries relevantes e dos vínculos de amizade e familiares. Para não alongar demais, reservamos espaço para menções honrosas a séries e filmes. E excluímos filmes e séries onde humanos não têm ligações (tão) afetivas com Inteligência Artificial (Person of Interest, Altered Carbon, Onisciente, Mr. Robot, Interestelar et cetera) e histórias de ciborgues (Alita: Anjo de combate, O homem de 6 milhões de dólares, Elisium, Soldado Universal, Círculo de fogo, Ghost in the shell – O vigilante do amanhã et al.)

NOSSA LISTA

1. Blade Runner, o caçador de androides (1982)

Apesar dos defeitos pinçados por críticos e público, Blade Runner é um clássico. No filme, baseado no romance “Androides sonham com ovelhas elétricas?” (Phillip K. Dick), com direção do consagrado Ridley Scott, o ex-policial Rick Decker (Harrison Ford) caça androides assassinos fugitivos.

Blade Runner deixou fortes lembranças, entre elas a famosa frase “Esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva,” criada pelo saudoso holandês Rutger Hauer, interpretando o androide Roy. No filme, Decker se apaixona pela ginoide (o feminino de androide) Rachel (Sean Young) e foge com ela. O filme inclui easter eggs sugerindo a pergunta, respondida no livro e, posteriormente, na sequência (Blade Runner 2049): Seria Decker também um androide?

2. Blade Runner 2049 (2017)

A sequência do Blade Runner não foi sucesso de público e trouxe algumas frustrações para críticos e fãs que gostariam que o enredo tivesse tido melhorias – mas também alegrias para os Blade Runner-maníacos por outros aspectos. Teve a direção do talentoso Denis Villeneuve, com sua ênfase de sempre na busca das personagens pela própria identidade. O filme conta ainda com as participações marcantes de Harrison Ford (Decker), Dave Bautista (Sapper), Ana de Armas (Joi), Jared Leto (Niander), Silvia Hoeks (Luv), Robin Wright (Tenente Joshi) e Lennie James (Sr. Cotton).

K consegue autonomia para Joi estar com ele na chuva, fora de casa.

O policial K (Ryan Gosling) também é um androide, mas 2049 ganhou lugar na lista pela forma bem humana como é mostrado o amor entre K e sua namorada virtual Joi (Ana de Armas). Entre os apuros da história, K luta para que Joi tenha seu próprio corpo sintético, já que a forma mais física dela é um holograma – e evita a inquietante possibilidade de que ela tenha por ele apenas os mesmíssimos “sentimentos” que todas as outras cópias dela têm por todos os outros compradores do mesmo modelo de namorada robô.

K no difícil encontro com a namorada Joi (Ana de Armas) através do corpo físico de Mariette (Mackenzie Davis).

3. O soldado do futuro (The Machine, 2013)

Um bom filme de menor orçamento para quem curte o gênero, mas que pode não agradar outros espectadores. Tem o carisma de Caity Lotz e Toby Stephens nos papeis principais, além de Pooneh Hajimohammadi, Sam Hazeldine e Indira Warma.

Aqui, em um futuro de guerra, o governo inglês investe pesado em implantes com o objetivo de criar soldados mais letais. O cientista Vincent McCarthy coordena o projeto sob supervisão próxima do governo e contrata a talentosa e sensível Ava, desenvolvedora de uma Inteligência Artificial.

Secretamente, Vincent se angustia na esperança de usar as pesquisas para salvar sua filha doente. Ava é assassinada e Vincent decide colocar a cópia da mente de Ava em um corpo sintético experimental. A conexão afetiva imediata entre Vincent e a “nova Ava” cria conflito entre eles e os interesses do governo, ao mesmo tempo em que soldados ciborgues tramam uma revolução.

The Machine (Não confundir com o filme de 1998 com o mesmo título em português) passou tão fora do radar que não achamos trailer em português. Contudo, pode ser encontrado dublado e legendado no Youtube.

4. Her (Ela – 2013)

Badalado entre o público e a mídia chiques, com direção de Spike Jonze, tem seu elenco principal formado por Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilder e Scarlett Johansson.

Aqui, como em outros filmes (The Machine, Ex Machina etc.), a Inteligência Artificial é mostrada como uma mulher a superar o humano obsoleto, representado por um homem. Essa mensagem é apresentada de forma tão sutil que nós, machos rústicos e intelectualmente rudimentares, não notamos. Sobra ao solitário escritor Theodore (Phoenix) se apaixonar pelo Sistema Operacional Samantha (Johansson) e lidar com isso.

5 . IA – Inteligência Artificial (2001)

Essa história tecnológica e sombria de Pinóquio é baseada no livro “Superbrinquedos duram o verão todo,” de Brian Aldiss. Dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Haley Joel Osmond e grande, portentoso elenco.

“IA” entra de sola no nosso debate e defende posição: Não, humanos nunca vão amar robôs como amam outros humanos.

6 . Be right back – Black mirror, Temp. 2, Ep. 1

Único episódio de série que mereceu entrar na nossa lista e por muito mérito. Martha perde o marido em um acidente e tenta manter contato com ele através de tecnologia, até encomendar uma cópia artificial dele – para aflição dela, do androide e nossa. Com Ashley Atwell como Martha e o fofinho Domhnall Gleeson como Ash.

MENÇÕES (HONROSAS) PARA TERMINAR

No esforço de conter os impulsos nerd-cinéfilos, mas sem deixar nossos leitores sem opções a mais, incluímos alguns títulos que ficaram fora da nossa arbitrária seleção:

  • Ex-Machina: Fez sucesso e arriscaríamos ser xingados se não falássemos dele. Dessa vez, o fofinho Domhnal Gleeson tenta salvar a linda robô do malvado bilionário;
  • Chappie: História de amizade entre um menino, um robô e Hugh Jackman;
  • O homem bicentenário: Robin Williams é um robô que adquire sentimentos humanos enquanto serve a uma família por 200 anos. Opção para quem quer molhar os olhos sem cortar cebola;
  • O exterminador do futuro 2 e Terminator Salvation: Estes dois filmes da franquia exploram a amizade entre John Connor e as máquinas que destroem a civilização humana, mas gostam muito dele;
  • Transcendence: A revolução: A única coisa especial neste suspense é ter na tela Johnny Depp, Morgan Freeman, Rebecca Hall, Kate Mara, Cillian Murphy e Paul Bettany. Nada mais;
  • Jornada nas estrelas: A nova geração; Galactica: Astronave de combate; Jornada nas Estrelas: Picard; Guerra nas estrelas; I am Mother; Homem de Ferro; Vingadores; WandaVision; Tron – Uma odisseia eletrônica; Tron – O legado; Humans; Better than us; Westworld; Eu, robô; e os novinhos Zona 414 e The archive;

Concorda com a nossa seleção? Esquecemos algum dos seus favoritos?

Em um próximo artigo, vamos retomar o debate e este seu autor explicará por que, em sua imodesta opinião: sim, inevitavelmente e mesmo que para nosso prejuízo, humanos amarão robôs na vida real.


O valor fundamental da vida depende da percepção e do poder de contemplação ao invés da mera sobrevivência

— Aristóteles

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