Trata-se do Australotitan Cooperensis, uma colossal criatura que alcançava quase 30 metros de comprimento!

Quando de sua descoberta pelos europeus no século XVIII, a Austrália ganhou a alcunha de “Novíssimo Mundo“, o “Velho” e o “Novo Mundo” eram, respectivamente, a Europa e a América. O capitão James Cook, quando de suas incursões pela costa australiana, disse — muito corretamente — que aquelas novas terras ficavam no “pé do mundo“. A formação político-cultural da Austrália é, num comparativo com o Brasil, um singular exemplo: o país que, enquanto federação autônoma tem pouco mais de 100 anos, tem o seu nome inscrito no topo das listas que ranqueiam os países com os melhores indicativos de qualidade de vida. Cangurus musculosos, coalas preguiçosos e aborígenes com os seus bumerangues alimentam a imagem estereotipada daquele distante país.

Não é comum associar a imensa nação austral com a imagem dos dinossauros; convencionou-se, como dito no parágrafo anterior, associá-la a uma luta entre cangurus musculosos ou imaginar os nativos aborígenes lançando os seus bumerangues pelos ares. No âmbito das descobertas paleontológicas, a América do Sul é referência, não a Austrália. O maior dinossauro descoberto pelo homem, inclusive, o Argentinosaurus, é oriundo daquelas frias terras dos nuestros hermanos. No entanto, uma recente descoberta colocou o continente-ilha no mapa das novidades científicas: uma nova espécie de dinossauro.

Robyn Mackenzie, cofundadora do Museu de História Natural de Eromanga. Créditos/divulgação

De acordo com o portal de notícias CNN Australia, cientistas australianos encontraram os restos mortais do maior dinossauro do país e um dos maiores do mundo. O esqueleto, que recebeu o carinhoso apelido de “Cooper“, fora descoberto no Sudoeste do Estado de Queensland, em 2007, num lugar chamado Cooper Creek, na bacia do rio Eromanga. No entanto, o fóssil permaneceu um verdadeiro mistério por anos, o “Cooper” só recebeu uma descrição científica e um lugar nos catálogos paleontológicos recentemente.

Há um semana, os pesquisadores do Museu de História Natural Eromanga (ENHM) e do Museu de Queensland, publicaram os resultados dos estudos com o fóssil no periódico científico PeerJ. Os paleontólogos estimam que o Australotitan Cooperensis caminhou sobre a terra com as suas enormes patas que, com as pernas, pareciam colunas, de tão robustas, há cerca de 90 milhões de anos. Ele era um Titanossauro, uma espécie herbívora pertencente à família dos Saurópodes de pescoço longo; esta fora a maior espécie de dinossauros.

No quadril, o animal, quando adulto, poderia superar a altura de 6 metros e, da cabeça à calda, atingir um comprimento superior a 30 metros. “Essas dimensões o tornam tão longo quanto uma quadra de basquete e alto como um prédio de dois andares“, disseram os pesquisadores do ENHM. Estas dimensões do dinossauro australiano o assemelham ao consagrado Brachiosaurus, o saurópode por excelência que deixou os espectadores de Jurassic Park boquiabertos. A cofundadora do Museu de História Natural de Eromanga, a Dra. Robyn Mackenzie, informou que a equipe de paleontólogos, pela evidente dimensão dos ossos, decidiu incluir a espécie no rol dos dinossauros titãs.

Ossos do “Cooper”, o maior dinossauro já descoberto na Austrália

“As peças eram enormes. Nós pudemos medir os ossos e compará-los com outras espécies da Austrália e do resto do mundo”.

Robyn Mackenzie.

Para a felicidade dos paleontólogos, várias das peças de grandes dimensões, como as omoplatas, ossos do quadril e dos membros do animal estavam quase intactas (para um animal morto há 90 milhões de anos!). Contudo, os pesquisadores tiveram que lidar com atrasos na identificação da espécie em função dos desafios impostos pelo manejo dos seus ossos grandes e frágeis. Para facilitar a comparação com os restos mortais de outros Saurópodes, a equipe utilizou-se de scanners para capturar as dimensões dos ossos e depois projetá-los em 3D. Assim, eles descobriram que o “Cooper” está intimamente relacionado a três outras espécies australianas, descobertas mais para o Norte, numa localidade chamada Winton.

“As descobertas colocaram a Austrália no mapa e permitiram que o país se juntasse a outros fazendo avanços na Paleontologia. Estes dinossauros gigantes foram abundantemente encontrados na América do Sul até agora — tornando nossa descoberta ainda mais rara. Esta é apenas a ponta do iceberg para as descobertas na Austrália”.

Robyn Mackenzie.

Com informações dos portais de notícias CNN Brasil e CNN Austrália; do periódico científico PeerJ e do portal IG.

“A realidade nunca está longe dos sonhos”.

Jacques Yves Cousteau.

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