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terça-feira, 28 junho, 2022

ENTREVISTA | Editor Thomaz Perroni fala sobre o Grupo CEDET e as novidades que chegam esta semana

Revista Mensal
Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

O desafio agora é não parar, não precipitar, não retroceder.

Em 2009 surgia o Grupo Editorial CEDET. Influenciados por Olavo de Carvalho, seus fundadores tinham como objetivo preencher as lacunas de nosso mercado editorial um tanto viciado e enviesado, e ao mesmo tempo dar conta da construção daquilo que o professor chamava de Muralha de Livros, com que se dariam decisivos movimentos para a reabilitação da inteligência nacional.

Ao longo desses treze anos, o grupo que começou com duas editoras e uma livraria virtual cresceu, conquistou público, cometeu o “pecado” de lucrar e se tornar uma “máquina de vendas olavista” (segundo o confiabilíssimo Intercept) e desdobrou-se em nove selos editoriais (um deles estreando hoje, com figuras ilustres como Deia e Tiba, Rasta, Rodrigo Constantino e Marcela Saint Martin).

Se você quer saber um pouco mais sobre o CEDET, sua história, seus selos editoriais e os planos futuros do grupo, confira esta entrevista com o editor Thomaz Perroni.

Esmeril News: Fale um pouco da história do CEDET. Como e quando surgiu, a trajetória desses anos todos no mercado, os desafios etc.

Thomaz Perroni: Surgiu em meados de 2009, a princípio apenas com os dois selos que depois ficaram mais famosos, a Vide e a Ecclesiae, e também como livraria online. O objetivo já era e continua sendo o de preencher as lacunas do enviesado e batido mercado editorial brasileiro e promover também novos autores nacionais que estivessem desenvolvendo um trabalho culturalmente relevante.

Com o passar do tempo e a ótima receptividade das inciativas e dos lançamentos do Cedet por parte do público, foi se tornando possível ampliar a atuação da empresa tanto no campo editorial (mais selos, mais livros por ano, mais divulgadores) quanto comercial (mais serviços oferecidos, como parcerias de distribuição, de livrarias on-line e de fulfillment). O desafio agora é não parar, não precipitar, não retroceder.

Esmeril News: Quais são os selos editoriais do CEDET, e como eles são divididos?

Thomaz Perroni: Agora são nove, se contarmos o próprio selo Cedet, que é apenas para publicações internas de empresas parceiras: a Vide Editorial atua nos campos da política, da filosofia e das humanidades em geral; a Ecclesiae é uma editora católica; a Livre também atua no mercado católico, mas expande seus horizontes para onde quer que haja bons títulos em domínio público; a Kírion é um selo de educação e pedagogia; a Austerpublica desde livros motivacionais e de desenvolvimento pessoal até estudos mais densos de psicologia, passando pelas biografias; a Sétimo Selo publica as grandes obras da literatura ficcional, estrangeira e nacional, e também crítica literária;  a Pelicanoé um selo infantil e infanto-juvenil; e agora temos O mínimo, uma novidade voltada ao mercado de livros pocket e introdutórios sobre os mais variados temas possíveis.

Esmeril News: Qual a importância de Olavo de Carvalhono desenvolvimento do CEDET, sobretudo em relação aos títulos da Vide Editorial, e quais são os planos para a obra do professor?

Thomaz Perroni: Essa é a pergunta do momento, não é? Vou deixar para o fim, então. Bem, ainda que nunca tenha sido sócio ou parte integrante do quadro de membros e fundadores da empresa, o Olavo foi talvez o principal motivo da criação da editora, que sempre se moveu em torno das indicações dele, e felizmente de suas obras também.

Não é necessário explicar o porquê disso, se você sabe quem é Olavo de Carvalho. E essa ascendência dele sempre se deu, em certa medida, em todos os selos, mas muito mais na Vide, é claro. Já disse que um dos nossos objetivos é zerar aquela lista de recomendações que ele fez tanto no True Outspeak quanto no COF (e os homens de boa vontade verão que já avançamos muito nesse sentido).

Quanto ao futuro, é cedo ainda para dizer como será, até porque a situação depende agora de muitas pessoas, muitos herdeiros etc., mas no que depender de nós, sem dúvida continuaremos publicando seus cursos, seus artigos, seus inéditos, suas listas de supermercado, seus sonetos para a Roxane (não necessariamente nessa ordem). Alguns projetos já são certos, porque à época em que ele faleceu já estavam em andamento e autorizados por ele mesmo, como a seqüência do Diário e da série de artigos O que restou do Imbecil, além de três outras surpresinhas que estamos preparando ainda para o segundo semestre de 2022.

Esmeril News: Vocês estão lançando um novo selo editorial, “O Mínimo”. Fale um pouco sobre a razão do nome desse selo, qual será seu foco e as primeiras obras que serão publicadas.

Thomaz Perroni: De novo a ascendência do Olavo, porque O mínimo não deixa de ser uma referência ao sucesso mais recente dele (que, antes que me perguntem, não, não será reeditado pela Vide). Mas é apenas uma referência, porque o selo não se pretende político, mas sim bem variado.

A ideia é pulverizar edições de bolso, de caráter introdutório, sobre temas diversos e relevantes, assinadas por personalidades que hoje se destacam como referência em seus assuntos. Além do formato fixo, do design mais dinâmico e de um número máximo de páginas definido, os livros também terão uma estrutura básica similar, de rápido desenvolvimento em três etapas daquilo que é essencial ao tema, o que não deixa de ser um ótimo exercício de síntese tanto para os autores quanto para a equipe editorial. Isso foi uma bela sacada do editor do selo, Felipe Denardi, que também está à frente da Kírion e da Pelicano (e é hoje, na minha opinião, um dos editores mais competentes do país).

Há projetos em andamento sobre os mais variados assuntos, como maternidade, ocultismo, nutrição, marketing digital, fascismo, Idade Média… E a idéia é mesmo não ter limites aí, contanto que você saiba do que está falando (estou, por exemplo, tentando convencer o Silvio Grimaldo a escrever um sobre cervejas artesanais).

Os primeiros lançamentos serão estes quatro: sobre Homeschooling, da Déia e do Tiba, sobre Economia, do Rodrigo Constantino, sobre Leitura em voz alta, da Marcela Saint Martin, e sobre — veja só — Bigodagem, esse novo e importantíssimo conceito sociopolítico cunhado pelo João Nogueira, o famoso Rasta. Quem quiser ficar por dentro tem que seguir a página da editora no Instagram (@ominimoeditora); é o mínimo.


Créditos da Imagem | Arquivo Pessoal

A sorte favorece os audazes. E quando entrar em um negócio, entre com a seguinte posição: ‘Sabe quando eu vou parar? NUNCA.’ É assim que tem de ser.

– Olavo de Carvalho


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