Para uma nação tornar-se forte e livre, a maioria de seus cidadãos precisa ter, em médio ou alto grau, essas três características: integridade, coragem e gosto por armas. A integridade leva o cidadão a ser justo, trabalhador e protetor de sua família. A coragem o induz a não aceitar injustiças. E as armas que possui, em associação com as armas de outros homens semelhantes a ele, tornam-se os meios necessários para que a justiça e a liberdade sejam mantidas ou reconquistadas. Vou batizar a esse tipo de cidadão, para efeito de análise, de o “homem tríplice”.

Os homens tríplices são desnecessários às falsas revoluções, que são aquelas “de libertação nacional” que instauram tiranias, exatamente como foram a Francesa de 1789, a Russa de 1917 e a Cubana de 1959. Elas foram ações de mudança que não aconteceram com a participação do povo e nem para o povo, mas levadas a cabo por grupos com interesses parciais e contrários aos das sociedades que fingiam defender.

Já as revoluções autênticas, que são as que proporcionam, ou visam proporcionar, liberdade e crescimento às nações, tais como a Americana de 1776 e a Constitucionalista de 1932, só foram possíveis com a participação de uma população civil armada e afeita aos valores corretos, ou seja, com predominância da mentalidade que anima e move os homens tríplices.

É muito importante não nos desviarmos dessas distinções simples, pois elas abrem portas para a compreensão de fenômenos mais complexos, os quais surgem visando a destruição do homem tríplice, para, em seu lugar, projetar o relativista, o sem coragem e o que tem pavor de armas. Vou batizar a esse segundo tipo de cidadão, também para efeito de análise, de o “homem palerma”.

No Brasil pós-colônia, no âmbito das armas de fogo, a construção do homem palerma, incapaz de defender os seus e o que é seu, inicia-se em julho de 1934, quando Getúlio Vargas redige um decreto que “dispõe sobre instalação e fiscalização de fábricas e comércio de armas, munições, explosivos, produtos químicos agressivos e matérias correlatas”.

Esse decreto gerou a aberração de as armas para civis tornarem-se objeto de controle do Exército. Esse decreto foi uma clara resposta à Revolução de 32, a qual abriu os olhos de Vargas para o perigo da existência do homem tríplice. A partir daí, tivemos a escalada desarmamentista, até desembocar no Estatuto do Desarmamento de 2003, que restringiu a posse de armas aos casos de “comprovada necessidade do cumprimento das atividades profissionais”.

Porém, para impedir que o cidadão se transforme em um homem tríplice, não basta impedi-lo de se armar. É preciso também convencê-lo de que há inteligência e dignidade em uma das maiores imbecilidades já concebidas, qual seja, a de que se está mais seguro e protegido neste mundo violento quando se permanece desarmado, respeitoso diante dos bandidos e temeroso de defender sua família e sua propriedade. A destruição da coragem se deu por uma campanha massacrante de desarmamento, a qual veio reforçar toda uma mítica já consolidada em torno do banditismo. A consagração do homem palerma está no convite à covardia feito por policiais e “especialistas” em segurança pública: “Se for assaltado, não reaja”.  

Se 1934 é a data inaugural do desarmamentismo e do incentivo à covardia no Brasil pós-colônia, o estrago moral e intelectual que atingiu em cheio a integridade do brasileiro tem sua certidão de nascimento emitida em 1922, com a fundação do Partido Comunista Brasileiro e com a Semana de Arte Moderna, os dois maiores marcos do avanço obscurantista e do surgimento do homem palerma. A integridade, seja de uma pessoa ou de um povo, se destrói com a inserção cultural e psicológica do relativismo, enquanto se ataca a bússola moral que nos diz o que é certo e o que é errado – essa foi a essência da Semana de 22 e ainda é a essência dos Partidos Comunistas.

É preciso notar a genialidade diabólica desse esquema de destruição. Primeiro, se tira a arma moral do cidadão, que é sua integridade; depois, se tira sua arma psicológica, que é sua coragem; e, por fim, se tira sua arma de fogo, a qual, ao fim de tudo, é a grande mantenedora da dignidade humana e da liberdade – e não preciso dizer que o homem atual, com máscara no rosto, não é o tríplice, mas o palerma.  

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

6 Comments

  1. Qualquer comentário adicional só aumentaria a palermice do homem palerma. Precisamos urgentemente ressurgir das trevas à luz.

    • Infelizmente o Brasil colonial também foi formado por uma massa de homens palerma. Lembrem-se que no passado não havia “classe média” nesse país, ou a pessoa era um senhor de engenho que respondia diretamente as autoridades portuguesas, ou a pessoa era um escravo que servia a esse senhor de engenho. Em São Paulo havia sim uma sociedade de “classe média”, os bandeirantes, mas eles eram uma minoria absoluta no contexto do Brasil daquele tempo.

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