ELEIÇÕES 2022丨O que representa Fernando Haddad

Muito subestimado pela direita brasileira, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, representa muito bem o mal que permeia a sociedade brasileira em sua configuração atual. Ele possui um histórico terrivelmente significativo, que será recapitulado objetivamente aqui.

A primeira regulamentação a gente nunca esquece

Nos anos 90, após se formar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo, não perdeu tempo: foi trabalhar (ou atrapalhar) na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), na qual criou a Tabela FIPE, referência para a precificação de automóveis com vistas a cobrança de impostos. A fundação é ligada à Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuarias da Universidade de São Paulo, FEA-USP, onde ele fez mestrado. Seu legado na FIPE foi a regulamentação e criação da base de cálculo para imposto automotivo, o IPVA, ferindo o mercado automotivo primário e secundário, ao traçar valores e prejudicar a liquidez dos bens.

O cabeça da saudosa Martaxa

Pouco mais tarde, em 2000, assumiu a chefia do gabinete de finanças da então prefeita Marta Suplicy, cargo por meio do qual sugeriu a criação de diversos tributos, como a taxa do lixo, taxa da luz e aumento progressivo do IPTU. A taxação abusiva promovida pela prefeita foi tal que lhe rendeu o apelido “Martaxa”, pois a cada semana se criava uma taxa ou aumento de taxa. Mesmo elevando as receitas da prefeitura, Haddad recomendou o calote no governo federal, fazendo com que as dívidas do município fossem reindexadas, tornando-as impagáveis, e fechando a gestão com um rombo superior àquele recebido do mandatário anterior, Celso Pitta.

Após a reeleição de Marta falhar miseravelmente, Haddad assumiu o Ministério da Educação em 2005. Seu legado é a centralização do ensino, cotas, kit gay (designação popular para a implementação do “Programa Brasil sem Homofobia” e do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNLGBT) e ENEM Vestibular, o que solapou, diga-se de passagem, a autonomia das universidades quanto à escolha do perfil dos ingressantes. Haddad permaneceu como ministro até 2013, quando se tornou prefeito de São Paulo.

Um prefeito singular ronda a cidade de São Paulo

Na prefeitura, seu legado é o mais gritante no quesito de atrapalhar a vida alheia. Vale ressaltar que Haddad não foi eleito por ser popular, mas graças à impopularidade de José Serra, então tido como traidor da cidade, após ter abandonado o cargo para concorrer à Presidência da República. Repetindo as práticas de sua impopular antecessora, a saudosa “Martaxa”, Haddad nomeou Jilmar Tatto como Secretário de Transportes, o mesmo nome que, sob a gestão Marta Suplicy, ficou marcado pelo escândalo dos perueiros do PCC e a suspeita de envolvimento com ocupações ilegais nas represas Billings e Guarapiranga. Vale dizer, aliás, que a gestão Haddad testemunhou recordes em termos de hordas de invasores em terras mananciais, isso durante a plena crise hídrica que assolou o estado entre 2013 e 2014.

O mago da imobilidade urbana

Nos transportes, Haddad cumpriu sua promessa de campanha de infernizar a vida do condutor de automóveis. Elencaremos suas ações nesse setor em tópicos:

  • Criação de pistas e corredores sem estudos prévios, sem obter melhoras significativas.
  • Construção das ciclovias e ciclofaixas mais caras do mundo, sem qualquer estudo prévio de demanda. Na época, o preço da ciclovia era frequentemente comparado ao de mármore, porque o nobre material era mais barato que a tinta utilizada pelo prefeito. As ciclofaixas geraram inúmeros escândalos, por serem construídas irregularmente em bairros, em ruas sem saída e em pontos nos quais simplesmente inviabilizavam o funcionamento do comércio.
  • Redução das velocidades das vias através de canetadas e sem qualquer estudo prévio de velocidade operacional adequada.
  • Fomento à indústria da multa, com um aumento de cerca de mil unidades, mais que dobrando o número de aparelhos de fiscalização eletrônica. Somado a isso, agentes de trânsito relatavam metas abusivas de multas. Consequentemente, a arrecadação de receitas provenientes de multas passaram de R$1bi, receitas essas que foram utilizadas de forma improba, com dinheiro direcionado a destinos irregulares, conforme denúncias do Ministério Público à época.
  • Redução da frota de ônibus com aumento no preço das passagens.
  • Aumento do preço do Estacionamento Rotativo Zona Azul, mudando o propósito do dispositivo: criado para estimular a rotatividade de vagas, foi convertido em máquina arrecadatória.

Pilotando a propriedade privada alheia

No quesito planejamento urbano, Haddad seguiu as práticas adotadas na gestão “Martaxa”. Primeiro, abandonou o “Arco do Futuro”, principal bandeira de campanha, e adotou o “Plano Piloto”, que elevava ainda mais o IPTU na cidade e criava restrições adicionais na área da construção civil, limitando, por exemplo, número de vagas de automóveis em prédios. Vale ressaltar também que ele aumentou o ITBI para 3% do valor comercial do imóvel, ou seja, a cada transferência de titularidade de um imóvel, a prefeitura passou a morder 3% do valor transacionado.

Lumpenproletariado em primeiro lugar

No âmbito social, a gestão do petista gerou algumas regulamentações extremamente questionáveis, como a proibição de alguns pratos e roupas para o agrado dos ativistas veganos, as quais foram posteriormente derrubadas na justiça. Seguindo a lógica marxista, Haddad fomentou a divisão da população com a criação de privilégios para a população transexual em programas sociais de moradia e educação. Também nesse setor, Haddad criou o programa Braços Abertos, conhecido como “Bolsa Crack”, em que o prefeito utilizava recursos públicos para dar dinheiro para viciados comprarem a droga em troca de serviços sem qualquer fiscalização, como o de varrer a rua (sobre esse programa, Haddad se comprometeu a recria-lo, caso eleito governador). Consequentemente, a cracolândia se espalhou por toda a cidade, não mais ficando restrita ao centro, como era antes. Como se não bastasse de problemas, as invasões do MTST eram recordistas, pois contavam com a leniência do prefeito.

Saúde e Educação entre cortes

Na área da Saúde pública, houve apenas cortes de gastos em investimentos. A única ação relevante foi a reestruturação do plano de carreira dos concursados, que passaram a ser mais remunerados estritamente por tempo de carreira, política que conteve greves, agradando o funcionalismo público e desagradando o contribuinte.

Já no campo da Educação, também houve cortes de gastos, como por exemplo a redução do kit escolar, que deixou de oferecer canetas, lápis e caderno. Outro corte relevante foi o da ronda escolar, ocasionando aumento da taxa de evasão escolar. Digno de nota também foi que uma das principais promessas de campanha foi a entrega de creches e CEUS, os quais não foram entregues. Ao invés disso, houve um aumento das vagas de creche via canetada, sem a criação real de vagas.

O marxista convicto e um caixa furado

Por fim, em termos de gestão de caixa, ele entregou a prefeitura com um rombo superior ao deixado pelo antecessor, mesmo com o aumento expressivo de impostos.

Durante toda sua trajetória, Haddad representou regulamentação de liberdades individuais, privação de direitos, aumento de impostos em detrimento da população e em benefício do funcionalismo público e demais castas eleitas por seu arbítrio. Quanto ao método de trabalho, sempre adotou a filosofia marxista, cerne de sua trajetória acadêmica, para fomentar conflitos:         

  • Carros contra ônibus
  • Pobre contra rico
  • GLS contra heterossexuais
  • Veganos contra gente normal

A depender de sua vontade, tudo será atrelado a um planejamento central. Desde o prato consumido até a forma de locomoção individual e de moradia. Sempre segundo a lógica coletivista e o planejamento centralizado. Não se pode ignorar o desprezo por tudo que ele elenca como inimigo. Estamos diante de um militante marxista em direitos humanos que combate tudo que o capitalismo pode oferecer, movido pela inveja e rancor com relação aos mais prósperos. Exatamente pelos dados acima elencados, ele falhou miseravelmente na tentativa de reeleição, tendo angariado apenas 17% dos votos válidos na capital.

O que esperar de Haddad governador?

Com base no que ensina a experiência, podemos organizar de forma clara os tópicos que ele certamente combaterá, caso se torne governador do estado de São Paulo.

  • Automóveis, cultura automotiva: Considerada por marxistas pós modernos como extensão do falo dos machistas, esta forma de transporte é repudiada, pois é a única em que o usuário escolhe todos aspectos de seu trajeto: Como, quando, onde, com quem e onde. A filosofia do transporte individual é diametralmente oposta à filosofia de planejamento central.
  • Agropecuária, carne e agronegócio: Deve ser combatido, pois além de ser produtiva, é contra a agricultura familiar marxista. Somado à isso, temos o ativismo vegano, que combate qualquer consumo de carne e prazeres gastronômicos. O cidadão pós moderno deve comer a ração estatal regulamentada por seu governo.
  • Beleza: Todas as formas de beleza devem ser desconstruídas. Arquitetura deve ser a brutalista, apenas priorizando a funcionalidade para o estado. Arte deve ser a moderna, sem qualquer apelo à beleza. Até mesmo a beleza feminina deve ser substituída pelo feminismo, e o ordenamento urbano, pela caótica e impensada estética do lumpenproletariado.
  • Armas: Como qualquer desarmamentista autoritário, estas devem ser monopólio do estado, pois este deve ter o monopólio da violência e repressão.
  • Ambientalismo: Qualquer forma de religião ou veneração à Deus deve ser substituída por veneração ao Estado. Porém este não é suficiente para suprir a mente do adestrado, então, em forma de complemento, deve-se venerar o Planeta Terra, dando um senso de grandeza, sendo este o novo falso Deus sob uma constante ameaça que prejudicará a todos.
  • Direitos Humanos: Serão elencados uma série de privilegiados para com os quais a sociedade possui alguma “dívida”. Dentre eles, devem ser privilegiados os bandidos, entendidos como “bandidos por influência da sociedade”, conforme a teoria do bom selvagem, sendo assim o agressor, na mente de Haddad, uma vítima que deve ser reparada. Fora isso, outras grandes minorias também devem receber privilégios.
  • Educação: Centralizada, mas não como uma forma de doutrinação, mas de adestramento da população, cuja capacidade de pensamento livre seria substituída por uma falsa ilusão de pensamento crítico, este adestrado e incapaz de escapar a qualquer padrão. Uma espécie de concurso de desfuncionalidade cognitiva, ou uma oligofrenia induzida travestida de intelectualidade, como observado nas universidades brasileiras.
  • Propriedade: Esta não deve ser privada, apenas o Estado deve possuir. Todo o conceito de posse privada deve ser combatido. Ao cidadão cabe apenas o usufruto, o qual deve cumprir algum papel social arbitrário decidido por algum planejamento central. Toda e qualquer propriedade remanescente deve ser amplamente taxada.
  • Gestão financeira: De acordo com um dos principais economistas de seu partido, Bernardo Appy, em entrevista ao Roda Viva, a arrecadação deve ser ajustada ao gasto do governo, não o oposto, pois o indivíduo serve apenas ao Estado, não o oposto.
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1 COMENTÁRIO

  1. Cara Bruna, brilhante, como sempre, tu. Coitado do Estado de São Paulo, se esse cara vencesse. Ainda bem que Tarcísio chegou para colocar Sampa novamente no topo. Ele nunca chamou minha atenção positivamente, desde sempre. O histórico dele é simplesmente lamentável, para dizer o mínimo.

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