Uma saga em busca de conhecimento

Nasci no período em que o país vivia o auge da anarquia monetária. Minha lembrança de infância é o desejo por uma bola que mirei na vitrine de uma loja. Mesmo sem possuir as ferramentas necessários para fazer o cálculo, recordo-me de projetar o custo da bola algumas semanas a frente a fim de economizar o dinheiro necessário para comprar o objeto de desejo. 

A aurora de minha consciência política coincide com o início de organização monetária do país. Fernando Henrique Cardoso engatou a higienização da moeda nacional que, durante os cinquenta anos passados, conviveu com diversos retoques, dentre eles mudanças de nome e cortes de zeros, em função do descontrole monetário e fiscal da economia.

A inépcia dos irresponsáveis governantes passados para entender a dinâmica econômica mais básica levou a um sem número de planos tresloucados de ajustes, todos baseados nos efeitos do problema ─ fruto do invencível bloqueio da classe dominante em entender a diferença entre causa e consequência.

Todos os planos mirabolantes para conter o avanço hiperinflacionário miraram no preço. Não é preciso um Nobel em Economia para compreender que o aumento de moeda em circulação, no Brasil motivado pelo crescimento dos gastos públicos, é a causa da doença inflacionária; e que a elevação dos preços não passa de um fenômeno consequente do descontrole nas contas públicas. 

O Plano Real foi o primeiro a atacar parte da causa. Conter a máquina de fabricar dinheiro foi o primeiro mote. Algumas medidas de ajuste fiscal, atacando tanto as receitas quanto as despesas do Estado, foram introduzidas. Seguiu-se a elas uma mudança de tática quanto ao financiamento público. Se antes imprimíamos papel moeda, a partir de então passamos a emitir títulos públicos.

Uns anos depois de o Plano Real normalizar, de certa forma, a economia do país, resolvo estudar tal ciência. Entrei na faculdade acreditando que FHC fora um legítimo representante da direita em função de seu suspiro pró economia de mercado. Obviamente, não passava de confusão juvenil.

Àquela altura, FHC era acusado por seus co-irmãos de ser um neoliberal. Há nisto um caos conceitual. É acertado falar em neoliberalismo quanto às políticas do tucano. Porém, o termo servia como xingamento a todos que apoiassem as medidas, inclusive os liberais de fato. Essa anarquia entre significante e significado foi parte importante na estratégia de simular antagonismo entre os iguais.

Precisando desanuviar essa confusão e incentivado pelo único (e grande) liberal a lecionar na faculdade, Ubiratan Iorio, começo a frequentar o Instituto Liberal do Rio de Janeiro. A biblioteca do think tank nutriu-me de conhecimento sobre a ideologia Liberal, fornecendo contraponto a todo Keynesianismo pregado na instituição de ensino.

Ainda jovem, depois de me embebedar de liberalismo, conheci a obra de Olavo de Carvalho. O professor já fazia pesadas críticas à pouca atenção dispensada por liberais a temas que não fossem economia. Economista e liberal, aquilo sôou como uma afronta.

Mas com a humildade de quem não se leva tão a sério, busquei entender o que pretendia dizer o boquirroto professor. No Curso Online de Filosofia, Olavo indica a seus alunos que, antes de se aprofundar na disciplina do curso, leiam tudo o que puderem de literatura, para absorver o máximo da experiência humana disponível.

Prepará-los para fugir da armadilha ideológica é o objetivo primeiro do professor.

Ironicamente, é desta moléstia que hoje padece a nova esquerda.


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