No aniversário da maior cidade brasileira, relembre a criação do grupo que a própria esquerda “desdenhou” por décadas

Data: 25 de janeiro de 1990. São Paulo celebrava 436 anos de sua fundação, com problemas típicos de uma metrópole gigantesca, que aparentemente não mudaram três décadas depois. Os jornais mostravam: 15% de aumento da população entre 1984 e 1990; 26% de homicídios dolosos e 10% nos furtos de veículos. Na caótica Marginal Tietê da então prefeita Luiza Erundina (PT), o cenário era…caótico. Matéria jornalística do dia apontava filas de 10 quilômetros por conta do afundamento de uma pista no sentido Penha-Lapa.

Problemas de infraestrutura à parte, os moradores da capital não suspeitavam que estavam prestes a sediar um encontro de radicais, até hoje subestimados (de forma proposital?) por seus próprios criadores: o Foro de São Paulo.

O encontro no hotel Danúbio

O primeiro encontro do Foro de SP

A primeira reunião do Foro de São Paulo foi realizada entre 1º e 4 de julho de 1990 no hoje extinto hotel Danúbio, na capital paulista, com o nome de Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe. Os dois mentores do evento – uma espécie de reação à queda do muro de Berlim (símbolo da derrota soviética em 1989) – foram o PT, liderados por Lula e o governo cubano do ditador Fidel Castro.

SP faz aniversário: os mesmos problemas no trânsito caótico

Além dos mentores, o Foro também chamou atenção por agregar “instituições” de cunho terrorista, como as guerrilhas colombianas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

A intenção do Foro, na palavra de seus próprios integrantes, era a de “chegar ao poder na América Latina de forma democrática”. Em tese, isso até chegaria a ser concretizado, caso governos como os de Venezuela (Hugo Chavez e Maduro) e Brasil (Lula e Dilma) não tivessem usado a máquina pública para se perpetuar no poder.

A ata do Foro de 1990

Na ata de 1990, assinada por 48 participantes, os líderes dos países abordaram temas de interesse da esquerda, pontuados por requentados discursos “anti-imperialistas”  – porém, sempre atualizados pelos mesmos partidos, como o do trecho em destaque:

“Assim, estas propostas são alheias aos genuínos interesses de desenvolvimento econômico e social de nossa região e vão combinadas com a restrição de nossas soberanias nacionais e com o recorte e tutelagem de nossos direitos democráticos. Elas, na realidade, apontam impedir uma integração autônoma de nossa América Latina dirigida a satisfazer suas mais vitais necessidades.

 Conhecemos a verdadeira cara do Império. É a que se manifesta no implacável cerco e na renovada agressão contra Cuba e contra a Revolução Sandinista na Nicarágua, no aberto intervencionismo e sustento ao militarismo em El Salvador, na invasão e ocupação militar norte-americana de Panamá, nos projetos e passos já dados de militarizar zonas andinas da América do Sul com o motivo de lutar contra o “narco-terrorismo”

Em 2002, Lula negou a existência do Foro de São Paulo, em entrevista ao jornalista Boris Casoy.

fim
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