Com a missão de mapear novas e pitorescas regiões do nosso satélite natural, o robô, inspirado no icônico “BB-8” da franquia Star Wars, integra um amplo projeto cientifico. Ainda não há previsão de lançamento.

Se é verdade que a arte é uma mimese da vida então as possibilidades de realidade que encontramos, por exemplo, na literatura, refletem objetivamente os anseios do homem, suas aspirações separadas da realidade somente pela deficiência dos meios materiais desta ou daquela época. Nesse sentido, o gênero de ficção cientifica pode ser encarado como o cânone profético no qual está registrado a escalada material do homem com as devidas implicações nas ordens política, cultural, religiosa e afins. Na Pintura como no Cinema, o ímpeto natural do indivíduo humano em dominar, subjugar a natureza, é sintetizado numa fórmula estética que, em função do talento do autor, poder ser magnífica e dotada de alto valor simbólico, como no afresco de Michelangelo, A Criação de Adão, ou caricaturesco, como no robozinho “BB-8“, de Star Wars. Este, contudo, é a inspiração da vez.

Batizada de “DAEDALUS“, a sonda em forma de esfera foi projetada pela equipe do cientista alemão Julius-Maximilians, pesquisador da Universidade de Würzburgo, na Baviera, e está em fase de testes pelo Concurrent Design Facility, um centro de desenvolvimento técnico da ESA — European Space Agency. De acordo com a agência, naves que orbitaram o campo gravitacional da Lua já mapearam várias depressões topográficas que são de grande interesse para a comunidade cientifica. No entanto, os locais ainda não foram explorados e, como é corrente no âmbito especulativo, fala-se na hipótese de que eles contenham depósitos de água em estado sólido. Para além disto, o centro de pesquisas aponta que as cavernas podem, num futuro de médio prazo, fornecer abrigo para as tão sonhadas colônias lunares, oferecendo proteção contra radiação, micrometeoritos e as temperaturas extremas da superfície do satélite natural da Terra. Espera-se que a “DAEDALUS”, através das suas possíveis descobertas, diga se as idealizações dos cientistas têm referentes concretos na realidade.

Com 46 centímetros de diâmetro, a esfera robótica leva consigo um conjunto de equipamentos imprescindíveis para a exploração de um ambiente extraterrestre: um dosímetro de radiação, câmera estereoscópica imersiva, sensores de radar a laser para o mapeamento em 3D dos interiores das cavernas e sensores de temperatura. Ademais, a “DAEDALUS” também está dotada de braços extensíveis para eliminar obstáculos e, de quebra, testar as propriedades das rochas. O “BB-8” da vida real está em fase de testes para, sob efeito da gravidade lunar, descer em uma caverna através de uma corda. Assim que tocar o solo da caverna, o robô será desconectado para, como nos filmes do George Lucas, rolar de maneira autônoma; no entanto, a máquina continuaria conectada numa corda especial com receptor Wi-Fi. Finalmente, as imagens do ambiente lunar serão capturadas na amplitude de 306 graus e transmitidas para fora do fosso, onde jazem os curiosos cientistas.

Por que “DAEDALUS”?

No bom português, Dédalo, segundo o historiador Diodoro Sículo (século I a.C.) era descendente de Erecteu, rei de Atenas, discípulo de Mercúrio, artista incomparável, arquiteto, inventor do machado, do nível, da pua, etc., substituiu o uso dos remos pelo das velas e fez estátuas que se moviam ou pareciam animadas. Tendo assassinado seu sobrinho, de quem tinha inveja, foi condenado à morte pelo Areópago. Fugiu então de Atenas e refugiou-se em Creta, na corte de Minos. Dédalo é, talvez, mais conhecido pelo seu par com Ícaro, seu filho, e pela fuga de ambos do labirinto com asas artificiais coladas aos seus ombros com cera. Ícaro, como sabemos, por se aproximar demasiadamente do Sol, teve a liga de cera de suas asas derretidas e uma morte fatídica nas águas do Mar Egeu. No entanto, é fácil conjecturar o porquê da escolha do nome para a sonda que, convenhamos, tem uma significação mais profunda do que o pop “BB-8“: Dédalo foi o construtor do famoso Labirinto do Rei Minos, onde o Minotauro fora aprisionado; ele conhecia, portanto, todas as passagens, todos os segredos para sair dos intermináveis túneis que, para qualquer outro, seria fatal. Os cientistas querem que a sonda, assim como o personagem da mitologia grega, saiba desbravar o ambiente das cavernas lunares e voltar, sã e salva, para satisfazer-lhes a curiosidade.

Com informações do portal TecMundo e Universidade de Würzburgo.

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