Todos os dias do ano deveriam ser Natal. Sim, deveriam. Despindo-se da data comercial, das costumeiras brigas em família, da gula e dos presentes esperados, resta aquilo que deveria ser o principal significado da data: a renovação da fé. Fé esta que nos dias atuais é perseguida de modo sombrio, como se fosse parte de uma realidade que não cabe ao mundo moderno, de valores tão frívolos, e que parece orquestrado para destruir o legado judaico-cristão aprimorado ao longo de séculos. 

Inúmeras tentativas de atacar a liberdade de culto, principalmente das religiões cristãs, já não assombram. Em matéria publicada em 2018 pelo portal de notícias do Vaticano, cerca de 300 milhões de cristãos são covardemente perseguidos.

Entre junho de 2016 e 2018, o  XIV relatório da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) , mostra que a violação à liberdade religiosa é cada vez mais latente, contemplando casos de conversões forçadas, atentados, depredação de locais religiosos, escárnios, blasfêmias e toda a sorte de ataques à fé, testemunhos da crescente aversão ao Cristianismo. Tais ataques se concentram na Arábia Saudita, Afeganistão, Nigéria, Palestina, China, Síria, Somália, Sudão, Egito, Turquia, Iraque, Indonésia, Maldivas e em outros 25 países que endossam a prática. 

Vida e arte

O cinema produziu registro de um dos episódios sórdidos contra fiéis. Se esse tipo de cenário não é exposto pela grande mídia, foi nesta década tema da Sétima Arte: Cristiada, de 2012, relata a história da Guerra Cristera, uma batalha sangrenta entre a população católica mexicana e o estado, que tentou reprimir as manifestações de fé.

O filme, de aproximadamente 2h25m e dirigido por Dean Wright (cuja trajetória cinematográfica conta os efeitos visuais de As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis), tenta captar os pontos cruciais deste episódio praticamente desconhecido pela maioria dos religiosos. 

O fato e o filme

Para falar do filme, é necessário contextualizar seu estopim: A Guerra dos Cristeros do México, um conflito armado acontecido em 1917 entre católicos e o governo mexicano sob a liderança do Presidente Plutarco Elías Calles, que havia abraçado o socialismo e o ateísmo com todas as suas forças, procurando erigir um modelo social em que estado e religião fossem o mesmo. 

Com a implantação da Lei Calles, foram endossadas a extinção de ordens religiosas e a deportação e prisão de bispos ou sacerdotes. Após tentativas pacíficas de revogação, os cristeros iniciaram um boicote econômico e o governo, temendo a organização popular, resolveu agir de forma truculenta, com prisões, perseguições e assassinatos.

A trégua entre o Governo e os Cristeros foi intermediada pelo embaixador Dwight Morrow, oferecendo suporte militar em troca de petróleo. Porém, após 3 meses de “paz”, o governo retomou a investida contra a população, desta vez com mais truculência, executando mais de 500 líderes religiosos e mais de 5000 cristeros.

O emblema

Não cabe aqui mencionar a quantidade de mártires e o prazer sádico na execução de alguns. Entretanto, nesta história, há um personagem emblemático: o menino José Luiz Sánchez, de apenas 14 anos, preso, torturado e assassinado pelos oficiais revolucionários por recusar-se a adorar o Governo e tê-lo como seu soberano. Sim, apenas 14 anos.

Sánchez não foi morto apenas fisicamente. O Governo tentou a todo custo assassinar a sua alma, procurando fazer o menino repetir blasfêmias e palavras de adoração ao governo, o que lhe custou uma execução a sangue frio. Esta cena é das mais tocantes do Cinema; difícil de assistir até aos habituados a filmes violentos.

Um dos filmes mais assistidos no México, Cristiada conta com um elenco de estrelas como Andy Garcia e Eva Longoria e requer sensibilidade. É uma daquelas obras que, gostaríamos de crer, não fosse baseada em fatos reais, tal a visível a crueldade proposta por aqueles que se dizem defensor das liberdades.

Ainda assim, é um filme belo, capaz de renovar as forças de quem, muitas vezes sente-se amedrontado ou inseguro perante sua fé. Uma obra a ser apreciada por quem, ingenuamente, permite que a esquerda lhe diga como agir, sob a fachada de uma falsa liberdade.

Ficha Técnica

Título OriginalFor Greater Glory: The True Story of Cristiada
GêneroDrama, Histórico, Guerra
Duração145 min
Lançamento2012
ÁudioInglês e Espanhol

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