Destaque
O destaque da semana é o lançamento da Mori: O barril, de Freeman Will Crofts.
No início do século 20, em Londres, um barril chega vindo da França, endereçado como se carregasse uma simples estátua.No cais, ele racha e o que sai de dentro muda tudo. Antes mesmo da polícia conseguir isolar a cena, um homem aparece reivindicando a encomenda como sua, e consegue escapar com o barril.
A partir daí, o inspetor Burnley, da Scotland Yard, precisa confiar num parceiro que mal conhece: um colega da polícia francesa, do outro lado do Canal da Mancha. Juntos, os dois vão atrás de uma verdade escondida atrás de álibis sólidos demais, testemunhas que mudam de versão, e uma pista falsa atrás da outra.
Mais de 100 anos depois de publicado, O Barril ainda é apontado como um dos pilares do romance policial e não por acaso: saiu no mesmo ano do primeiro livro da Agatha Christie, em 1920.

Outros lançamentos
Pela Ecclesiae, Conferências às mães cristãs (Parte I: A mulher forte), de Mons. Charles-Louis Gay, bispo francês do século XIX.
O livro reúne os discursos que o diretor espiritual proferia mensalmente às mães associadas à confraria de Poitiers, cidade em que exerceu longo ministério ao lado do Cardeal Pie. As lições, dadas de viva voz, foram redigidas a pedido das próprias ouvintes e publicadas em 1878, com breve elogioso de Pio IX pela clareza e o encanto com que expunham as verdades católicas.
Esta primeira parte, “A Mulher Forte”, é uma explicação extensa e variada da parábola de Provérbios 31, aplicada à esposa e à mãe cristã. O autor liga a esse texto os principais deveres da maternidade, tomando a Igreja e a Virgem Maria como os dois tipos divinos em que a mãe deve buscar seu modelo.

Pela Vide, Sócrates encontra Kierkegaard, de Peter Kreeft.
Onde a razão para, a fé começa. Ou será que não? Sócrates confiava na razão para chegar à verdade. Kierkegaard veio dizer que a verdade que decide a sua vida não cabe num argumento, ela exige um salto. Dois gigantes, duas respostas opostas para a mesma pergunta.
Neste livro, Peter Kreeft senta os dois frente a frente e deixa a conversa fluir, com bom humor e uma profundidade que te faz pensar do início ao fim. É a porta de entrada perfeita para um dos pensadores mais fascinantes da história, mesmo que você nunca tenha lido uma linha de Kierkegaard.

Pela Livre, As religiões no Rio, de João do Rio.
O livro é uma coletânea de reportagens publicadas originalmente no jornal Gazeta de Notícias entre janeiro e março daquele ano.
O autor faz um levantamento pioneiro e jornalístico da diversidade religiosa do Rio de Janeiro no início do século XX. João do Rio percorre a cidade e registra, com olhar curioso (e por vezes irônico), práticas e crenças que iam muito além do catolicismo oficial: religiões afro-brasileiras (macumba, candomblé e o “mundo dos feitiços”), espiritismo, protestantismo (presbiterianos, metodistas, batistas, adventistas), judaísmo, satanismo e outras seitas e cultos marginais.
A obra mistura reportagem, crônica e observação etnográfica, revelando o mosaico espiritual da cidade — especialmente da região que depois seria chamada de Pequena África — e mostrando como essas crenças conviviam (e tensionavam) com a sociedade carioca da Belle Époque. Foi um sucesso de vendas na época e continua sendo um documento histórico importante sobre a religiosidade popular no Rio.

Pela Axia, O Padrão Ouro, de Saifedean Ammous.
O livro é uma mistura de ficção histórica alternativa, análise econômica e história real.
A obra imagina um século XX diferente: em 1911, o pioneiro da aviação Louis Blériot se associa aos irmãos Wright e cria a Blériot Transport Corporation (BTC), uma rede descentralizada de transporte aéreo para liquidação peer-to-peer de ouro físico. Quando a Primeira Guerra Mundial começa, essa rede permite que as pessoas escapem da inflação dos bancos centrais enviando seu ouro para países neutros. O resultado é o colapso precoce do financiamento estatal da guerra, o fim abrupto do conflito e o estrangulamento do experimento da moeda fiduciária (fiat) ainda no berço.
A partir daí, o livro descreve um mundo que se desenvolve sob um padrão-ouro livre e descentralizado: capital abundante e barato, progresso tecnológico acelerado, bancos mais responsáveis, governos transformados em prestadores de serviços e uma civilização com preferência temporal mais baixa (mais poupança e planejamento de longo prazo).
É, ao mesmo tempo, uma ucronia (história alternativa) e uma reflexão sobre como o dinheiro duro (hard money) poderia ter moldado o século XX de forma radicalmente diferente.

E, pela Texugo, O quarto da tapeçaria, de M.L. Molesworth.
Numa casa antiga do interior da França, o inverno parece não ter fim para Jeanne. Aos sete anos, ela conversa com o frango de estimação, desconfia do velho corvo que manca pela alameda do jardim e evita, sempre que pode, o quarto no fim do corredor, coberto por uma tapeçaria de castelos e pavões que ficam estranhos demais ao luar.
Tudo muda com a chegada de Hugh, o primo que vem da Inglaterra para morar com a família. Tímido, com um porquinho-da-índia no colo, ele vai dormir justamente no quarto da tapeçaria. E é ali, numa noite de lua cheia, que o corvo Dudu salta para dentro do castelo bordado e abre uma porta para um mundo que só as crianças conseguem atravessar.
Lá dentro, os bichos da casa viram cocheiros, uma floresta muda de cor a cada passo e histórias muito antigas esperam para ser contadas. Durante o dia, porém, a vida segue com lições, brincadeiras na neve e uma velha ama que sorri como quem sabe mais do que diz.
Escrito em 1879 por Mary Louisa Molesworth, uma das grandes autoras da literatura infantil inglesa, “O quarto da tapeçaria” chega pela primeira vez ao Brasil com as ilustrações originais de Walter Crane, um dos artistas que definiram a aparência dos livros infantis vitorianos.
