Destaque
O destaque da semana é o lançamento da Auster: Propaganda, de Edward Bernays.
á um governo que ninguém elegeu, cuja composição a maioria ignora — e é esse governo invisível que Edward Bernays expõe neste livro. Somos governados, temos as mentes moldadas e os gostos formados por homens de quem nunca ouvimos falar: o preço de uma sociedade complexa demais para decidir tudo por consenso direto.
Sobrinho de Freud e pioneiro das relações públicas, Bernays não denuncia esse mecanismo — revela seu funcionamento a quem, sem saber, é apenas seu objeto. Entre confiar a comitês de sábios a escolha do que vestimos, comemos e votamos, ou entregar-se à livre concorrência, a sociedade moderna optou pela segunda via, e consentiu que a opinião pública fosse organizada pela liderança e pela propaganda. Alguns fenômenos desse arranjo incomodam — a manipulação das notícias, o estardalhaço em torno de produtos e ideias —, mas, para Bernays, é possível agir sobre a opinião pública com a mesma precisão de um motorista que regula a velocidade do carro pelo fluxo de gasolina.
Escrito em 1928, num mundo recém-armado de imprensa de massa, rádio e telefone, este é o primeiro livro a nomear e sistematizar essa arquitetura do consentimento. Quase um século depois, seu diagnóstico continua incômodo — e necessário.

Outros lançamentos
Pela Vide, Distinguir para unir, ou Os graus do saber, de Jaques Maritin.
Contra a dispersão que fragmenta o saber e contra a confusão que o nivela, Maritain propõe atravessar, degrau por degrau, toda a hierarquia do conhecimento humano — da experiência sensível às ciências físico-matemáticas, da filosofia da natureza à metafísica, do conhecimento racional de Deus à superanalogia da fé e, por fim, à experiência mística, forma mais elevada do saber suprarracional. Erguido sobre o fundamento do realismo crítico tomista, o edifício aqui traçado recusa tanto o monismo noético do idealismo — que reduz a vida do espírito a um único tipo de saber — quanto o abandono, por certo realismo apressado, dos problemas próprios do espírito. A este, tanto quanto ao universo físico, Maritain reconhece dimensões: comprimento, largura, altura e profundidade — estrutura que permite situar, sem confundi-los nem separá-los, os diversos graus de inteligibilidade que vão do saber empírico à contemplação dos santos.
Não se trata de um tratado didático, mas de uma meditação contínua, na qual cada parte vive da existência do todo, à maneira de um organismo espiritual, e não de um sistema mecânico. Fiel ao tomismo em sua linha formal mais rigorosa, o autor amplia-lhe o alcance sem jamais adaptá-lo a preconceitos que o tornariam apenas aceitável.
Obra de fôlego incomum, Os Graus do Saber busca pôr fim à incompatibilidade que a era clássica instaurou entre ciência e sabedoria, mostrando que a diversidade orgânica dos saberes, longe de dispersar o espírito, é a própria condição de sua mais alta unidade.

Pela Axia, Manual de referências e exercícios de economia, de Frank Albert Fetter.
Publicado em 1917 como companheiro de trabalho de Problemas econômicos modernos, este manual reúne o método de ensino que Frank A. Fetter apurou em décadas de sala de aula em Princeton. Contém, para cada um dos trinta e um capítulos do curso, uma lista comentada das melhores leituras da época e uma série de questões e exercícios que conduzem o estudante do fato à definição, da definição ao problema, do problema ao juízo. Documento raro do ensino de economia, de grande utilidade ao estudante que queira exercitar-se, ao professor que monta seu curso e ao historiador das ideias econômicas.

Pela Papillon, Tempestade de mentiras, de Sophie McKenzie.
Hollie tem 14 anos, um pai que a abandonou e uma mãe sempre distraída demais para notá-la. Quando um passeio escolar leva Hollie e seus colegas, a cientista mirim Parker e o misterioso Rex, para dentro da empresa de engenharia responsável pelo novo quebra-mar de Saltheaven, uma decisão impulsiva e um crachá roubado abrem a porta para algo que os três não deveriam ter visto.
O que começa como curiosidade adolescente rapidamente escapa ao controle, enquanto Hollie percebe que a estrutura projetada para proteger sua cidade de ondas gigantes pode não ser tão segura quanto todos acreditam — e que alguém está disposto a esconder a verdade a qualquer custo.

E, pela Texugo, O livro das maravilhas de Nathaniel Howthorne.
Numa manhã de outubro, com névoa até a porta de casa, um primo de 18 anos reúne doze crianças na varanda e começa a contar: Perseu e as velhinhas que dividiam um único olho, o rei Midas e a filha que virou ouro, a caixa de Pandora, Hércules segurando o céu no lugar de Atlas.
Em O livro das maravilhas, Hawthorne reconta seis mitos gregos do jeito que se conta história em família: com interrupções, perguntas e muita imaginação. O pequeno Samambaia, que quer saber a altura exata de cada gigante, foi inspirado no filho do próprio autor.
