Destaques
O destaque da semana é o lançamento da Ecclesiae, O diabo tem medo de mim, de Marcelo Stanzione.
Durante mais de trinta anos, um sacerdote esteve na linha de frente de um combate que boa parte do mundo prefere ignorar. Dom Gabriele Amorth foi exorcista oficial da Diocese de Roma e dedicou a vida a enfrentar, de perto, a ação do Maligno sobre as almas.
Neste livro, ele fala sem rodeios e com bom humor sobre a existência do demônio e sobre os modos concretos de sua ação no mundo e sobre as armas que a Igreja sempre ofereceu para resistir-lhe. Reúnem-se aqui entrevistas, reflexões doutrinárias e testemunhos vividos, incluindo o relato do primeiro exorcismo que realizou.
Amorth diz que o maior trunfo do inimigo é fazer-se de esquecido. O que ele mais deseja é que não creiamos nele, ou que não o levemos a sério.
Contra isso, porém, a fé nunca esteve desarmada. Como lembrava o próprio autor, permanecer na graça de Deus é já estar protegido.

Destaque também para o lançamento da Kírion, A mente dispersa: o que os monges medievais nos ensinam sobre a distração, de Jamie Kreiner.
Os monges cristãos da Antiguidade Tardia e da Alta Idade Média reconheciam a dispersão da mente como um dos grandes obstáculos à vida espiritual, um problema humano e moral que os afastava de seu propósito. Para enfrentá-la, desenvolveram um repertório sofisticado de estratégias voltadas a reconquistar o próprio foco.
É esse território que a historiadora Jamie Kreiner explora em A mente dispersa. Professora de História na Universidade da Geórgia e especialista na Alta Idade Média, a autora nos leva a um laboratório histórico do controle da atenção para nos mostrar a vastidão das formas de disciplina e exercícios de memória.
Erudita e envolvente, com a dose certa de bom humor, a obra une pesquisa acadêmica a uma escrita acessível, sem se render às fórmulas da autoajuda.

Outros lançamentos
Pela Auster, Homens exemplares, de Ralph Waldo Emerson.
É natural admirar grandes homens — mas talvez seja ainda mais importante compreender o que torna alguém verdadeiramente exemplar.
Em Homens exemplares, revela-se que a grandeza não está apenas em feitos extraordinários: está na força invisível que inspira, orienta e transforma gerações. Ao percorrer ideias e reflexões profundas, o livro apresenta como figuras notáveis moldaram o mundo e permanecem a influenciar de forma silenciosa nossa maneira de pensar, agir e viver.
Mais do que um tributo às grandes personalidades históricas, esta obra convida à descoberta de um princípio essencial: o contato com mentes elevadas expande horizontes, fortalece o caráter e desperta potenciais adormecidos. Os grandes homens não são apenas referências distantes: são fontes vivas de aprendizado e exemplos que iluminam caminhos possíveis.
Com um tom ao mesmo tempo filosófico e inspirador, o texto demonstra como as relações, as ideias e as escolhas constroem a trajetória individual. A convivência — seja direta, seja por meio das biografias — com aqueles que alcançaram a excelência revela novas perspectivas sobre o propósito, a disciplina e a evolução pessoal.
Esta obra é destinada àqueles que buscam crescimento, clareza e inspiração nas histórias que atravessam o tempo. Uma leitura que instiga a reflexão e convida à ação: admirar a grandeza e incorporá-la, pouco a pouco, à própria jornada.

Pela Texugo, Caio e as árvores cabeludas, de Flávia Regina Theodoro.
Existe um cabeleireiro que atende árvores.
Todos os dias, Caio pega sua escada, sua caixa de instrumentos e sai assobiando pela floresta — porque cada árvore ali é sua amiga, e cada uma tem um pedido diferente.
A Sibipiruna quer a copa mais leve, porque pesa demais quando venta. O Pau-brasil jura que está com piolhos (spoiler: são só formigas com fome, e Caio resolve isso sem brigar com ninguém). A Quaresmeira quer ficar linda pra Festa do Equinócio, com orquídeas e ninhos de passarinho no cabelo. A Rainha-do-outono pede uma cor nova pra combinar com a estação.
E tem o Carvalho. Sem uma folha sequer, ele acha que não serve mais pra nada — não dá mais sombra, não alimenta as formigas, não tem copa bonita pra admirar. Caio senta do lado dele, faz uma fogueira pequena, e mostra uma coisa que só o Carvalho consegue oferecer: à noite, entre os galhos vazios, é a única árvore da floresta de onde se vê o céu estrelado.
Caio e as Árvores Cabeludas é sobre prestar atenção no que incomoda o outro — cuidar bem é, às vezes, só isso: escutar.

Pela Kamishibooks, a versão kamishibai (teatro de papel) de A História de São Miguel Arcanjo, de Daniel Araújo, Marcela Saint-Martin e Sara Grimes.
Tem histórias que a gente não deveria deixar para depois. A história de São Miguel Arcanjo é uma delas. A coragem de escolher o certo mesmo quando é difícil, a fidelidade que não se abala diante do caos, a certeza de que o bem sempre vence no fim. São lições que ficam mais fortes quando aprendidas cedo, no colo, ouvindo em voz alta.
É para isso que existe o kamishibai. Um momento simples, sem pressa, só vocês dois e uma história sendo contada prancha por prancha.
