MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaques

O grande destaque da semana é o lançamento da Sétimo Selo: Shakespeare: Teatro da inveja, de René Girard.

René Girard deseja compreender como nossa capacidade de imitar — gestos, padrões, vontades — intensifica o caráter competitivo da vida, gerando rivalidades, conflitos e, por fim, a violência. Para ele, não desejamos algo por seu valor intrínseco, mas porque outros o fazem: imitamos, ainda que de maneira inconsciente, o desejo alheio, e essa inveja — ou “desejo mimético” — ergue-se como um dos fundamentos da condição humana. Dessa reflexão nasce o conceito do “mecanismo do bode expiatório”: a sociedade concentra sua agressividade em uma única vítima de modo a restabelecer a ordem, um ato sacrificial que dá origem a proibições, rituais e instituições destinadas a conter o caos.
Em Teatro da inveja, um dos mais importantes críticos literários e culturais volta seu olhar para a figura central da literatura inglesa, William Shakespeare, e oferece uma leitura inovadora de quase toda a sua produção teatral. Ao aplicar suas intuições radicais à dramaturgia do Bardo, René Girard convida o leitor a revisitá-lo à luz da teoria mimética. Ao demonstrar como Shakespeare transforma a matéria bruta da tragédia em uma visão profética sobre a violência, Girard não se limita a aplicar sua teoria ao dramaturgo; mas demonstra que o próprio Shakespeare já pressentira a lógica mimética, registrando-a desde as primeiras peças.

Destaque também para o lançamento da Mori: O rei de amarelo, de Robert W. Chambers.

Existe um livro que ninguém deveria terminar de ler: uma peça de teatro chamada O rei de amarelo, que circula como uma doença e conduz à loucura todos os que ousam chegar ao seu segundo ato.
Chambers nunca a revela por inteiro — apenas fragmentos e nomes que ecoam como um sino rachado: Carcosa, os Sóis Gêmeos, a Máscara Pálida. É no que fica oculto que mora o terror.
Publicado em 1895, este volume reúne dez contos que vão do delírio à boêmia parisiense do fim do século XIX. Herdeiro da Carcosa de Ambrose Bierce e precursor direto do horror cósmico de H. P. Lovecraft, “O rei de amarelo” é uma das obras fundadoras da literatura weird — um clássico que prefere a sugestão à explicação e que, mais de um século depois, ainda guarda seus segredos.

Outros lançamentos

Pela Vide, Sócrates encontra Freud, de Peter Kreeft.

Poucos pensadores na história transformaram tão radicalmente a maneira como o Ocidente compreende a si mesmo quanto Sigmund Freud. E provavelmente nenhum outro colocaria seu pensamento à prova com tanta determinação — e tanta ironia — quanto Sócrates, o filósofo que nunca aceitou uma resposta sem antes levá-la até o limite. O que aconteceria se os dois se encontrassem?
Nesta obra singular, Peter Kreeft imagina esse encontro num limiar entre mundos — algo como o pórtico purgatorial do Céu, onde interrogar é o paraíso de um e ser interrogado é o tormento do outro. Inventor da psicanálise, teórico do inconsciente e um dos grandes críticos da religião do século XX, Freud não foi apenas um cientista da mente: foi o arquiteto de uma revolução que transformou para sempre a maneira como o Ocidente compreende o desejo e o sentido da vida.
No centro do diálogo está O mal-estar na civilização, obra em que Freud enfrenta uma das questões mais fundamentais de toda a filosofia: o sentido da vida, o summum bonum, o fim último para o qual toda existência aponta. Pode a razão ser escrava do desejo e ainda aspirar à verdade? O que resta do eu quando o desejo fala mais alto que a razão? São perguntas que Freud ousou responder — e que Kreeft examina com rigor e leveza, conduzindo o leitor por uma discussão em que a filosofia de Freud, sua visão do homem e do sentido da vida, é posta à prova sob o olhar implacável da razão socrática.

Pela Edições Livre, Meu ponto de meditação, do Monsenhor Ascânio Brandão.

m meio à agitação da vida moderna, encontrar um espaço de silêncio interior tornou-se uma necessidade urgente da alma. O coração humano, cercado pelo ruído do mundo, anseia por algo mais profundo e eterno. Por isso, faz tanta falta um momento de verdadeiro recolhimento — aquele em que deixamos de lado as inquietações para nos colocarmos, com humildade e confiança, na presença de Deus.
Em Meu ponto de meditação, Ascânio Brandão oferece ao leitor uma reflexão profunda sobre a brevidade da vida e sobre como, diante das dificuldades e, sobretudo, da morte, as ilusões terrenas perdem seu valor, revelando que o que realmente importa é estar firmado em Deus. O autor conduz a mente e o coração por meio de reflexões breves e edificantes, cada uma delas servindo como ponto de partida para a meditação diária. Cada página torna-se um convite à pausa, ao recolhimento e à escuta da voz divina no íntimo da consciência.
Esta obra apresenta-se como uma fiel companheira de oração, ideal para aqueles que desejam iniciar ou aprofundar a prática da meditação. Com equilíbrio, sensibilidade e sabedoria, orienta o fiel a refletir sobre o verdadeiro sentido da vida e sobre o destino eterno da alma.

Pela Axia, A origem do dinheiro, de Carl Menger.

Neste ensaio fundamental, Menger desvenda um dos grandes mistérios da teoria econômica: como a moeda surgiu? Como certos bens — inicialmente apenas mais procurados que outros — se elevaram ao status de sistema de troca universal?
A conclusão a que chega é que a moeda surge a partir do aprendizado adquirido pela sociedade a partir da experiência e da lógica invisível do mercado, de modo independente da regulamentação estatal.
“A moeda não foi gerada pela lei. Em sua origem, é uma instituição social, e não estatal. A sanção pela autoridade do Estado é uma noção que lhe é estranha”, diz Carl Menger.
Esta é a verdadeira origem do dinheiro, e nela reside a chave para compreender por que nenhum decreta conseguirá substituir a confiança que nasce da experiência e da utilidade real.

E, pela Texugo, Atrás do Vento Norte, de George McDonald.

Diamond é um menino bondoso que vive com sua família em uma casa simples. Em uma noite especial, ele conhece Vento Norte, uma figura misteriosa, forte e encantadora, que o convida para viagens belas, mas perigosas.
Em meio a aventuras fantásticas, encontros inesperados e momentos de grande ternura, Diamond descobre que o mundo é maior, mais estranho e mais profundo do que imaginava, e que, mesmo diante da dor e do medo, ainda é possível encontrar beleza, esperança e amor.

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