MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaques

O grande destaque da semana é o lançamento da Kírion: Idade da Luz: uma nova história da Europa Medieval, de Matthew Gabriele e David M. Perry.

Enquanto o senso comum ainda repete o termo “Idade das Trevas”, dois medievalistas constroem uma narrativa diferente e bem documentada. A Europa medieval foi o período em que cientistas mediram as estrelas, universidades foram fundadas e uma vida intelectual e literária floresceu plenamente. Mas havia também crimes de pensamento e homens com ódio no olhar. Os autores Matthew Gabriele e David M. Perry revelam a multiplicidade de um período que foi muito mais do que o estereótipo permite enxergar.
Roma não caiu. As coisas continuaram e as coisas mudaram. Um elefante atravessou a Alemanha. Torres subiram em direção ao céu. E um poeta italiano seguiu os passos de uma imperatriz romana tardia. Bem-vindo à Idade da Luz.

Destaque também para a nova edição de O futuro do pensamento brasileiro, de Olavo de Carvalho, lançada pela Vide esta semana.

Publicado originalmente em 1994, o livro reúne ensaios e conferências de Olavo de Carvalho sobre um problema que ele considerava mais urgente do que qualquer debate político: a sobrevivência da cultura brasileira como cultura.
O ponto de partida é uma distinção que poucos fazem. As nações não duram por causa de constituições ou governos. Duram pela força de um núcleo de ideias, formas e símbolos que constituem a essência da herança cultural: a língua, a religião e as grandes criações da imaginação e da inteligência.
Quem quer saber o futuro do Brasil precisa olhar menos para o Brasil-Estado e mais para a unidade cultural, espiritual e psicológica que o sustenta.

Outros lançamentos

Pela Edições Livre, História da Literatura Brasileira, de José Veríssimo.

Publicada em 1916, esta era a obra que faltava ao Brasil então, e que se tornou um marco fundador que segue indispensável mais de cem anos depois: um mapeamento crítico de mais de três séculos de literatura — de Bento Teixeira, em 1601, até Machado de Assis, em 1908.
Não era um simples catálogo de autores e datas. Era a demonstração de que o Brasil havia construído, lentamente e contra todas as probabilidades coloniais, uma literatura própria com voz, identidade e autonomia.
Ao lado de Sílvio Romero e Araripe Júnior, Veríssimo consolidou a crítica literária como disciplina no país. Mas o que distingue esta obra é o seu critério: para ele, literatura é arte, não documento. São as obras e não os livros, que fazem e ilustram uma literatura.

Pela Sétimo Selo, O segredo do Padre Brown, de G.K. Chesterton.

A principal característica do Padre Brown é a de ser nada característico; o seu propósito, o de parecer despropositado; a sua mais notável qualidade, a de não ser notável. Sua aparência tão comum deveria contrastar com sua insuspeita cautela e inteligência. Ele não é maltrapilho, mas sim um tanto elegante; não é atrapalhado, mas muito delicado e habilidoso; é um irlandês perspicaz e de pensamento ágil, com a profunda ironia e um pouco da irritabilidade potencial de seu próprio povo. É assim que G. K. Chesterton descreve o seu mais famoso personagem.

Nesta quarta coletânea, talvez a mais profunda e inquietante de todas, os mistérios enfrentados por Padre Brown giram em torno do maior dos enigmas: o coração humano. Reunindo dez contos, nela encontramos “O homem com duas barbas”, ouvimos “A canção do peixe voador” e descobrimos “O pior crime do mundo”. Entre crimes aparentemente extravagantes e situações quase sobrenaturais, o pequeno sacerdote demonstra que os segredos mais perigosos não são aqueles que se ocultam nas sombras do mundo, mas os que se escondem na consciência dos homens.

Ao longo de O segredo do Padre Brown, o célebre padre-detetive não busca apenas desvendar culpados, mas compreender motivos, expor ilusões e, acima de tudo, abrir caminho para a redenção das almas. E é ao avançar por essas histórias que ele próprio deixa escapar uma confissão desconcertante sobre o método que emprega — uma revelação inesperada que talvez contenha o seu segredo.

E, pela Auster, Walden ou A vida nos bosques, de Henri David Thoreau.

Publicado pela primeira vez em 1854, o livro é um relato autobiográfico de Thoreau sobre o período em que viveu isolado, apenas com o que a natureza oferece, numa busca por conhecer-se a si mesmo — como um manual de autossuficiência.

Ao mudar-se para uma cabana, Thoreau esperava obter uma compreensão mais objetiva da sociedade por meio da introspecção. Em nova tradução ricamente anotada, esta obra é capaz de conduzir o leitor a refletir sobre nosso modo de vida e a questionar o avanço da modernidade. Não é um livro sobre natureza. É sobre tudo aquilo que você aceita sem questionar.


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