SANQUIXOTENE DE LA PANÇA | A Mentira sobre Copérnico

Paulo Sanchotene
Paulo Sanchotene
Paulo Roberto Tellechea Sanchotene é mestre em Direito pela UFRGS e possui um M.A. em Política pela Catholic University of America. Escreveu e apresentou trabalhos no Brasil e no exterior, sobre os pensamentos de Eric Voegelin, Russell Kirk, e Platão, sobre a história política americana, e sobre direito internacional. É casado e pai de dois filhos. Atualmente, mora no interior do Rio Grande do Sul, na fronteira entre a civilização e a Argentina, onde administra a estância da família (Santo Antônio da Askatasuna).

Vi a postagem da ilustração no Feisbuque trazendo diversas citações científicas através dos tempos. Uma dessas é atribuída a Copérnico: “O sol é o centro do nosso sistema planetário.”

Copérnico contudo nunca disse isso. Não resisti e comentei: “Copérnico disse que o sol era o centro do universo…” Por esse singelo registro de um fato recebi algumas críticas:

Sim. Mas , naquele tempo não se tinha o conhecimento da imensidão infinita do universo que se tem hoje. A ciência, em geral, é cíclica, ela se corrige o tempo inteiro.

Era até onde ele conseguiu enxergar….vc de Sua janela do quarto consegue enxergar a África ??

As conversas acabaram inspirando um textão. Segue abaixo.

Obrigado pelos comentários. Eu só registrei um equívoco na citação da postagem. Por que ele disse isto e não aquilo é irrelevante. O que importa aqui é o que de fato ele falou.

A declaração de Copérnico NÃO foi de que o sol estava no centro do sistema planetário. Ele disse que o sol era o centro do universo. Trata-se meramente de um fato.

Ele certamente enxergava as estrelas e acreditava, tal e qual era a crença na época, de que essas eram fixas no firmamento. Porém, para Copérnico, o centro de referência do cosmos não era a Terra, de onde observamos, mas o Sol.

O debate iniciado por Copérnico era sobre o centro do universo. As críticas direcionadas a ele versavam sobre o centro do universo. O sol não é o centro do universo. Portanto, Copérnico estava errado.

Não há necessidade alguma de arrumar a declaração para salvá-lo do erro. É um erro justificável. Contudo, esse conserto da posição copernicana foi feito, é repetido “ad nauseam” e ensinado nas escolas como se fosse verdade.

Entre a verdade e a mentira, optou-se pela mentira. O motivo dessa escolha é para preservar outra mentira maior. Caso se admita os fatos de Copérnico estar errado e tal erro ser justificável, fica-se obrigado a fazer a mesma coisa para seus opositores — igualmente errados e igualmente justificados.

Contudo, o dogma cientificista proíbe tal caridade para com os opositores de Copérnico. A preservação da mentira sobre o erro dele é necessária para salvaguardar a noção da superioridade da ciência em contraposição a uma suposta fé obscurantista.

Essa oposição é falsa. O próprio Copérnico nunca deixou de ser um homem de fé. O método científico foi desenvolvido pelo padre Francis Bacon. O pai da genética moderna é o padre Gregor Mendel. A teoria do Big Bang foi formulada pelo padre George Lemaître. Há vários outros exemplos.

Ademais, o debate de Copérnico (heliocentrismo x geocentrismo) não era meramente astronômico. Fundamentalmente, o debate era filosófico. E se todos ali estavam astronomicamente errados, filosoficamente, o mais errado no debate era justamente Copérnico.

Mesmo que a Terra não seja o real centro do universo, considerá-la ao menos é condizente com a nossa perspectiva RELATIVA. Do nosso ponto-de-vista, é o que acontece. É como quando estamos dentro de um veículo em movimento. Nós estamos imóveis enquanto, pela janela, observamos a paisagem se mover.

Agora, colocar o sol no centro do universo não condiz com nada. Ao se descobrir que de fato o universo não tem como centro o sol, a hipótese copernicana não tem serventia alguma. Não faz sentido nem com a realidade do cosmos e nem com a experiência do observador.

Mudar a declaração de Copérnico para “centro do sistema planetário” evita ter que reconhecer esses problemas e outros mais que se seguiriam. Então, faz-se. Só que é mentira…

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