MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaque

O grande destaque da semana é o lançamento da Vide: A volta do Doutor Segadas, ou Como a vida imita a sátira, de Olavo de Carvalho.

Este lançamento tem um peso especial: ele fecha a coleção O que restou do imbecil, reunindo os artigos publicados por Olavo entre 2007 e 2013, em jornais e revistas, agora organizados em um volume derradeiro. A obra é o “derradeiro volume desta série de atualidades inculturais”, encerrando uma das frentes mais combativas da produção jornalística e intelectual do autor.

Neste livro, Olavo volta sua pena contra aquilo que tantas vezes denunciou: o desprezo brasileiro pela cultura superior, a falsa autoridade dos medalhões, a vigarice intelectual, os vícios da opinião pública e a degradação do debate nacional.
O título faz referência ao doutor Segadas, personagem de Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, que, ao ver as estantes carregadas de livros de seu vizinho, pergunta indignado: “Se não era formado, para quê? Pedantismo!”. A imagem resume, com precisão irônica, uma das obsessões criticadas por Olavo: a mentalidade que desconfia da erudição, despreza o estudo sério e confunde cultura com vaidade.

Outros Lançamentos

Pela Ecclesiae, três novidades esta semana: Imelda Lambertini, Padroeira da Primeira Comunhão, de Rodrigo Luna. Quadragésimo volume da coleção Ecclesiae de Bolso, o livro apresenta a biografia da Beata Imelda, de vida singela, breve e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora.

Oculta por séculos entre os registros discretos da tradição dominicana e quase ausente da memória popular dos santos, Imelda ressurge neste livro com o esplendor de uma joia reencontrada, reluzente não por sua própria luz, mas pela luz do Cristo Eucarístico que nela habitou com ardor indescritível. Rodrigo Luna oferece-nos aqui muito mais que uma biografia.

A obra percorre não apenas os fatos da vida de Imelda, mas o seu contexto histórico, social, familiar e eclesial. O leitor é introduzido ao coração do século XIV, à cidade de Bolonha e à nobreza dos Lambertini, mas, acima de tudo, é convidado a adentrar o claustro interior de uma menina que, antes de tudo, compreendeu com lucidez aquilo que muitos adultos jamais entenderão: a presença real de Jesus na Eucaristia.

Outro título da Ecclesiae é o segundo volume da Enciclopédia Católica, dedicado aos Anjos.  

A doutrina católica sobre os anjos não é objeto vã curiosidade, é parte integrante da cosmovisão cristã, e ipso facto responsável por diferenciar a doutrina da Igreja de tantas outras doutrinas ditas espiritualistas — como o leitor terá a oportunidade de verificar por si mesmo já nas primeiras páginas desse livro.

Enfim, a Ecclesiae também lança esta semana A Virgem Maria opõe-se ao comunismo nas aparições de Cimbres, de Dom Rafael Maria Francisco da Silva.

As aparições de Nossa Senhora das Graças em Cimbres seguem, no conteúdo e no contexto, as mensagens de Fátima. Em 1917, Nossa Senhora, se bem que não tenha utilizado a palavra “Comunismo”, falou sobre os “erros da Rússia” que se espalhariam pelo mundo. Em Cimbres — única aparição de Maria no Brasil canonicamente reconhecida —, a Virgem Maria é instigada pelas perguntas de Pe. José Kehrle a falar mais diretamente sobre a ideologia comunista em relação com um “futuro derramamento de sangue” no Brasil.

Mas que a matéria política, segundo adverte Dom Rafael, não autorize o fiel a opinar levianamente sobre tais aparições. São objeto de teologia, ciência divina. Quando interpretadas e propaladas sem critério histórico e teológico-crítico, não fazem mais do que suscitar confusão e desespero, em vez de clareza e conversão. Basta ver que, em geral, quanto mais se concentram as atenções nos alarmismos dos castigos profetizados, menos se cuida da própria vida espiritual. Daí uma das finalidades primeiras deste livro: “iluminar os fiéis a respeito do tema e deixar pistas de novas hermenêuticas”.

Pela Edições Livre, A bondade, do Padre Fraderick William Faber.

A bondade ameniza tudo. É com essa convicção luminosa que o Padre Faber abre uma das mais belas conferências espirituais já escritas sobre a virtude que reconcilia o homem consigo mesmo, com o próximo e com Deus.
Em quatro capítulos breves e profundos, o autor revela como a bondade — em pensamento, em palavras e em ação — não é mero ornamento da alma piedosa, mas o vestígio mais incontestável da imagem divina em nós.
Mais do que um tratado, A bondade é um convite à conversão silenciosa do coração: a aprender a interpretar com caridade, a falar com doçura, a sofrer sem amargura, a fazer do próprio temperamento um apostolado.

Pela Kírion, A prática da geometria, de Hugo de São Vítor.

Hugo de São Vítor foi certamente um dos homens mais célebres de seu tempo por suas virtudes e por sua ciência, o mais renomado de todos os vitorinos. Nascido na Saxônia em 1096, foi professor e diretor da escola do Mosteiro de São Vítor, além de prior deste mesmo mosteiro e bispo. Baseada na tradição cristã e nas Escrituras, toda a sua pedagogia visava formar os estudantes para alcançarem a contemplação, o último grau da Sabedoria — com a qual “tem-se um antegosto nesta vida do que será a recompensa futura” —, uma formação integral que proporcionasse a união com Deus. É justamente como parte dessa formação integral que a concepção filosófica de Hugo inclui o estudo de matérias práticas e físicas.

Em A prática da geometria, o mestre vitorino volta-se à aplicação dessa disciplina do quadrivium na resolução de problemas reais. Dividindo a obra em três partes — altimetria, planimetria e cosmometria —, ele adota um método que parte do mais simples ao mais complexo. Assim, guia o aluno desde o cálculo de grandezas cotidianas até a estimativa de distâncias cósmicas, como os diâmetros da Terra e do Sol. Ler a obra é, portanto, uma rara oportunidade de aprender a geometria exatamente da mesma forma como faziam os antigos estudantes do Mosteiro de São Vítor.

Pela Auster, O poder da escrita, de Allison Fallon.

Há uma palavra que aparece com frequência quando as pessoas descrevem suas próprias vidas: preso. Preso em uma rotina, em um padrão, em um relacionamento, em um trabalho que já não cabe mais. E a explicação que costumamos dar para isso é quase sempre a mesma: falta de disciplina, falta de força de vontade, falta de tempo.
Em O poder da escrita, Allison Fallon mostra que o impasse não está aí. Está no cérebro, nos caminhos que ele abriu ao longo dos anos e percorre no automático. E apresenta uma prática simples, gratuita e respaldada por pesquisas para começar a abrir outros: vinte minutos de escrita por dia, durante quatro dias consecutivos, capazes de produzir melhora mensurável no humor e até no sistema imunológico.

Pela Sétimo Selo, A alegria, de Georges Bernanos.

Bernanos publicou A Alegria em 1929, dois anos depois de A Impostura, e os dois romances formam um par inseparável. O Padre Cénabre, o sacerdote que descobriu sua própria apostasia na primeira obra, reaparece aqui na função de confessor de Chantal de Clergerie, uma jovem que irradia uma pureza mística trespassada pela angústia.

O encontro entre os dois é o centro do romance, e Bernanos o constrói com a precisão de quem sabe exatamente o que está encenando. De um lado, a soberba intelectual de um homem que perdeu a fé e construiu sobre esse vazio uma reputação impecável. Do outro, a santidade modesta de uma jovem que não argumenta, não convence, não confronta, apenas existe. E é essa existência que abala o que a razão de Cénabre havia blindado.

A alegria do título não é contentamento. Em Bernanos, a alegria é uma condição da alma que custa tudo, trespassada pela angústia, incompreensível para quem a observa de fora, e por isso mesmo perturbadora para quem perdeu a capacidade de reconhecê-la.

Enfim, em uma semana da muitos lançamentos, mais quatro títulos pela Texugo.

O primeiro deles é a clássica história O gato de botas na versão de Dinah Maria Craik, com ilustrações de Bruno Garcia.

E se falamos de clássicos infantis, outro lançamento é Humpty Dumpty, de W.W. Denslow, uma história divertida e encantadora que incentiva a criança a se tornar resiliente e a cultivar suas amizades.

Também temos o divertido Se você der um biscoito a um rato, de Laura Lumeroff, um dos livros infantis mais queridos do mundo. Com humor, repetição e situações engraçadas, a história mostra de forma leve e divertida como pequenas ações podem levar a grandes acontecimentos. Perfeito para leitura em voz alta, este livro encanta crianças e adultos com suas ilustrações delicadas e sua narrativa cheia de surpresas.

E, destaque entre os lançamentos da Texugo, Contos Vikings, de Jennie Hall, com tradução de Renata Broock.  

Há muito tempo, nas terras geladas do Norte, vivia um povo corajoso e aventureiro: os vikings. Eles eram navegadores audazes e curiosos, adoravam explorar o mundo, conhecer novas terras e viver grandes aventuras.

Essas grandes histórias, que viraram heroicas canções, escutadas em fogueiras por várias gerações, agora estão registradas neste livro. O leitor vai acompanhar a saga de Harald, de seu nascimento até se tornar o poderoso rei de toda a Noruega. Também vai embarcar em navios com forma de dragão ao lado de dois amigos inseparáveis, Ingolf e Leif, que descobrirão a Islândia; depois, junto de Eric, o vermelho, você irá à Groelândia. Mas os vikings eram incansáveis e, com Leif e Thorfinn, o leitor vai explorar a terra nova e longínqua de Vinlândia.

Então prepare-se: levante a vela, agarre o remo e embarque na incrível jornada dos Contos Vikings.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Abertos

Últimos do Autor