Descubra os segredos dos ‘santuários’ históricos e culturais que abrigam a herança da monarquia brasileira

Forjada em meados de 900 D.C, a espada de aço conhecida como Joyeuse ganhou sua devida imortalidade quando transformada em um dos ícones da coroação de monarcas franceses a partir do século XVIII. Seu dono original – vale lembrar – atendia pelo nome de Carlos Magno, o rei dos Francos.

A melhor parte dessa rica história é a de que o artefato de aproximadamente 100 centímetros de comprimento e 2 quilos pode ser apreciado pelos visitantes de um dos endereços mais relevantes do planeta quando o quesito é história: o Museu do Louvre, em Paris.

(…)

Brasil: a eterna luta contra as forças do ostracismo

Se conhecemos hoje as locações de acervos que mudaram a história do mundo foi graças aos esforços de pesquisa e preservação de europeus, norte-americanos e asiáticos.

Com raras exceções, o mesmo procedimento não foi tomado no Brasil, ou foi deteriorado pelo descaso do estado nas últimas décadas.

Isso fica claro ao olharmos para alguns trágicos eventos recentes. Em São Paulo, o Museu do Ipiranga (fundado em 1892) está fechado desde 2013 por complicações diversas na estrutura, que incluem rachaduras e umidade. A promessa do atual governador é de reabertura em 2022, no bicentenário da Independência.

Já o Museu Nacional – originalmente, residência da família Imperial – foi consumido pelo fogo em 2 de setembro de 2018, iluminando o bairro de São Cristóvão com as chamas malignas devoradoras da alta cultura.

Apesar do terror e descaso que ainda toma conta de nossos mais valiosos pontos de interesse histórico, ainda há muito o que se apreciar, explorar e estudar.

Nas próximas linhas, você acompanha um roteiro que destaca logradouros, museus e outras locações de suma importância para quem estuda as origens imperiais brasileiras.

Museu Imperial

Rua da Imperatriz, 220 – Centro, Petrópolis

No trajeto rumo à cidade de Vila Rica, Dom Pedro I se encantou com a região serrana carioca, batizada posteriormente como Petrópolis. Foi nessa cidade carioca de clima ameno que nosso primeiro imperador construiu a Fazenda do Córrego, deixada como herança para o filho, Dom Pedro II. No mesmo terreno da fazenda, seria erguido em 1862, um palácio (com recursos do próprio Magnânimo) usado pelo imperador como residência de verão.

O icônico palácio foi transformado em museu em 1940 durante o governo de Getúlio Vargas, e conta com mais de 300 mil itens.

Música para ouvidos imperiais: por dentro do Museu em Petrópolis

Toda sua estrutura original foi mantida para representar de forma fidedigna as instalações do antigo palácio. No térreo, o visitante poderá conhecer a sala de piano de Dna. Teresa Cristina, esposa de D. Pedro I. Já no primeiro andar estão os aposentos e uma sala com o mobiliário original do senado imperial.

No momento, o Museu Imperial se prepara para reabrir, seguindo protocolos sanitários, em virtude do COVID-19.

Paço Imperial

Praça Quinze de Novembro, 48 – Centro, Rio de Janeiro

Nos livros de história, o 9 de janeiro de 1822, ficou conhecido como o Dia do Fico, quando Dom Pedro I declarou que não deixaria o Brasil rumo a Portugal. O evento – um marco de nossa independência – ocorreu na primeira residência da família real (e depois, imperial), inaugurada em 1808, com a coroação de Dom João VI. A sede seria transferida para a Quinta da Boa Vista.

Estrutura original: a bela Sala dos Arqueiros da guarda imperial

Desde 1985, o Paço Imperial (erguido entre 1738 e 1743) foi aberto ao público no formato de um centro cultural. Em seu interior ainda é possível contemplar a Sala dos Arqueiros (que abrigava a guarda imperial) em sua estrutura original.

Lamentavelmente, a visitação ao Paço Imperial permanece suspensa.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé

Rua Sete de Setembro, nº 14 – Rio de Janeiro

Entre os pontos de adoração, nosso roteiro não poderia excluir, de forma alguma, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé.

Erguida no mesmo local onde se encontrava a Capela da Ordem do Carmo, construída em 1590, a Antiga Sé foi inaugurada em 1761, após 15 anos de obras comandadas pelo Mestre Manuel Alves Setúbal.

Altar imperial: a Antiga Sé recebeu as cerimônias de coroação de nossos monarcas

Foi em suas sacras dependências que D. Pedro I deixou de ser Príncipe Regente, sendo aclamado e coroado como imperador brasileiro em 1/12/1822. Quase duas décadas mais tarde, seria a vez de D. Pedro II receber tal honraria. O evento só ocorreu por conta da antecipação de sua maioridade (Pedro II tinha apenas 15 anos naquela data).

Monumento à Independência do Brasil

Praça do Monumento, s/nº – Ipiranga, São Paulo

Nascente do Rio Ipiranga e Monumento Data: 03/09/2015. Local: São Paulo/SP. Foto: Ciete Silvério/A2img

Em 7 de setembro de 1952 foi inaugurado nas dependências do Monumento à Independência (erguido em 1922), no Parque do Ipiranga, um mausoléu especialmente construído para receber os restos mortais de nossa primeira imperatriz, Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826). A herdeira dos Habsburgos seria transferida de seu local de descanso original no Convento Santo Antônio, no Rio, somente em 12 de outubro daquele ano.

O Monumento à Independência só viria a contar com os restos mortais de Dom Pedro I (1798-1834) após acordo firmado com o governo de Portugal, em 1971. Seu coração, entretanto, permanece na cidade do Porto, em Portugal. A permanência do órgão foi um requisito do próprio Pedro de Alcântara, que adoeceria após participar da Guerra Civil Portuguesa (1832-1834).  

Um ano mais tarde, já em terras brasileiras, o túmulo de D. Pedro I contou com uma escolta de 800 homens da marinha brasileira, chefiados pelo almirante Carlos Auto Andrade.

Antes de ser levados em definitivo ao Monumento, os restos mortais do imperador ainda seriam transportados em “um tour” pelo Brasil, chegando ao bairro do Ipiranga, em São Paulo, em 7 de setembro de 1972.

Em setembro de 2016, a cripta imperial começou a ser restaurada pelo Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, com quase a totalidade dos trabalhos concluídos em novembro.

fim
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