Ministro é sabatinado por jornalistas e esclarece temas polêmicos, incluindo juiz de garantias, Marielle Franco e possível candidatura à presidência

Quase dois anos após a última participação do então juiz Sérgio Moro no Roda Viva, o ministro da justiça e segurança pública com um ano de mandato retornou ao programa de entrevistas da TV Cultura para ser sabatinado por um seleto grupo de jornalistas comandado por Vera Magalhães.

Entre a gama de temas abordados na segunda-feira (20/01), os destaques – e informações mais esclarecedoras – ficaram para as relacionadas às especulações de que a relação entre Moro e o presidente da República, Jair Bolsonaro pudessem estar estremecidas.

A mais pesada delas ficou para o final, quando um dos trechos do livro Tormenta – governo Bolsonaro, crises intrigas e segredos, de Thaís Oyama, foi mencionado. No texto, a jornalista coloca que o General Heleno teria aconselhado Bolsonaro a não demitir Sergio Moro, após o mesmo ter criticado o presidente do STF, Dias Toffoli.

“Parafraseando um outro autor (no caso, do norte-americano Mark Twain),  diria que os boatos sobre a minha demissão foram um tanto exagerados”, brincou o ministro, que acrescentou: Minha relação com o presidente é ótima. Não li o livro. Mas posso dizer que nunca tivemos conversas duras. Isso foi apenas uma rede de boatos”, concluiu.

Além do suposto choque com o presidente, Moro foi colocado na parede sobre o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (e de seu motorista – fato relembrado por Moro – Anderson Gomes). Ao ser questionado sobre a mudança de foro, o ministro disse que o caso saiu da esfera federal a pedido das próprias famílias das vítimas. “Além disso, o presidente é um dos maiores interessados na solução do caso, visto que já tentaram envolver seu nome no crime”.

As polêmicas: juiz de garantias e limitação das delações premiadas

Sérgio Moro também foi colocado à prova sobre dois itens, considerados “jabutis” na legislação, ambos sancionados pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Sobre o juiz de garantias, a instrução do ministério foi de vetar porque é uma questão polêmica. Com todo o respeito aos legisladores, mas é uma questão que deveria ter sido analisada com mais calma. Por isso, acho que a decisão do ministro Dias Toffoli de suspender o item (do Pacote Anticrime) foi muito boa”.

Ao ser pressionado a respeito do porquê da sanção de Jair Bolsonaro, Moro foi direto: “O presidente disse que seu veto seria derrubado”.

Já sobre o novo formato das colaborações premiadas – ação que tanto fortaleceu a Operação Lava Jato – Sérgio Moro discordou da interpretação comum feita pela opinião pública. “Nós aconselhamos vetar esse item, mas tenho lido que a norma poderia impedir que um réu revelasse outros crimes. Essa é uma interpretação que não se sustenta. Imagine alguém querendo falar sobre outros crimes e ser impedido?”, refutou.

As conquistas no primeiro ano de governo

Embora a bancada não tenha demonstrado profundo interesse nas conquistas atingidas pela pasta entre janeiro-dezembro 2019, Moro enumerou alguns feitos do ministério da justiça e segurança pública. Além da redução de 22% da criminalidade, outro feito comemorado foi o de finalmente transferir os líderes de facções, como o PCC. “Isso foi algo que deveria ter sido feito nos estados há muito tempo. Como aqui em São Paulo, em 2006. Agora, eles foram afastados para os presídios federais”, destacou.

Outros objetivos alcançados incluem reforço nas polícias Federal, Rodoviária Federal (dobrando o contingente), além da apreensão de drogas em parceria com autoridades paraguaias. Moro também comemorou o primeiro ano da gestão Bolsonaro, elogiando o ministro da economia, Paulo Guedes, “apesar de não ser sua pasta”, além de destacar o perfil do governo de não cercear a imprensa. “Tivemos outros candidatos que prometiam regular os meios de comunicação”, relembrou.

Moro, candidato à presidência?

Na parte final da entrevista, uma das jornalistas disse que veio ao programa de Uber, e que o motorista afirmou que votaria em Moro, “apesar de critica-lo tecnicamente”. A questão o colocou em saia justa, já que é funcionário de um governo em andamento, e o processo eleitoral está distante.

“Olha, não assinaria documentos dizendo que não seria candidato, porque muitos assinaram e não adiantou nada. O próprio presidente já disse que pode tentar a reeleição. Talvez eu até possa realizar outra atividade, como trabalhar na iniciativa privada ou fazer um curso no exterior, dependendo do dinheiro (risos)”.

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