Igor Henrique Figueiredo é nome do pré-candidato à vereança em São Bernardo do Campo que nunca votou no PT. Será o ABC ainda vermelho? Ou terá a classe-média um nome para confiar nas próximas eleições? O que teria salvado essa jovem liderança da ultrapassada tradição sindicalista local? 

“Meu pai nunca gostou do Lula. Por isso, sempre brinco que me mantenho limpo por nunca ter votado no PT”.

A consciência política, afirma atribuí-la ao pensador Olavo de Carvalho. “Eu conheci o trabalho dele através dos meus amigos, nos primórdios das manifestações da Direita em 2014/2015 (…). Foi nessa época que eu (…) pude entender que existe uma guerra psicopolítica e que ela precisa ser vencida por nós, conservadores”.

Para descobrir como esse advogado, empresário e ativista político de 36 anos pretende vencer essa batalha, confira a entrevista.

Conservador, ativista, leitor dos economistas austríacos e futuro candidato a vereador pelo reduto vermelho chamado São Bernardo do Campo. Antes de mais nada, como você está vivo?

Conservador pela virtude da prudência, ativista pela vontade de esclarecer as massas e ajudar no fortalecimento da sociedade civil organizada, entendo que é através das reformas de estado com a promoção do livre mercado, que vamos conseguir garantir dignidade e riqueza para os brasileiros. Só assim teremos forças para planejar com mais entusiasmo o futuro e balizar nossas decisões. 

Não sei como me mantenho intacto até hoje. Na época em que ocorriam os protestos em SBC, reduto e fundação do mal chamado PT, eu me lembro que uma vez estávamos protestando na frente da casa do Lula (mas não como acontece na Paulista), e os policiais não nos protegeram dos sindicalistas, que avançaram e nos agrediram. Aqui temos policiais militares que são filiados ao PT e que trabalham para alguns candidatos. 

Com relação a ter crescido em São Bernardo do Campo, uma cidade petista desde que eu me entendo por gente, por uma questão de educação em minha família, meu pai nunca gostou do Lula. Por isso, sempre brinco que me mantenho limpo por nunca ter votado no PT, em nenhum candidato da legenda, em minha vida. Pois meu pai sempre foi funcionário público, até na época do governo militar, quando conheceu o Luís Inácio, na época em que ele era líder sindical. Ele me contava que, desde aquela época, devido a sua atuação na função pública, percebeu que o Lula era um personagem que já estava envolvido em corrupção e sempre me dizia, quando eu era pequeno, que se um dia eu fosse candidato a algo e eu saísse pelo PT, nunca votaria em mim. Agradeço ao meu finado pai por me passar a sua raiva com relação ao PT e nunca ter me misturado com as pessoas que cegamente seguiam este partido maléfico.

O grande problema para os conservadores não parece ser vencer eleições, mas colocar em prática suas pautas. Como é o trabalho para extinguir os vícios de funcionários que querem eternizar suas presenças em cargos praticamente vitalícios? Isso parece ter sido, aliás, um grande problema em âmbito federal.

Isto AINDA É um grande problema em âmbito federal, estadual e municipal, em todo aparato burocrático. Olhe os problemas com o Ministério da Educação, que tem mais de 300 mil funcionários concursados, se não me engano, sendo que 100 mil foram contratados durante a gestão petista, com finalidade de aparelhamento, no meu entender. Este número representa 50% de todos os funcionários públicos do governo federal. Temos toda uma estrutura construída ao longo de décadas para ensinar a população que o Governo deve ser o responsável por todos os problemas da sociedade. Este processo precisa ser invertido. Os conservadores e liberais clássicos têm este norte a enfrentar; educar a população, que foi PROPOSITADAMENTE deseducada pelos governos antecedentes e por todo aparato político histórico brasileiro. É a luta contra o Leviatã. Cabe ressaltar que esta luta não é apenas contra a Esquerda, mas também contra o que convencionou-se chamar de Centrão político, ou seja, essas oligarquias políticas que desejam acima de tudo, manter seu poder.

Igor na Manifestação de 26/05/2019, organizada por movimentos conservadores e com imensa adesão popular

Colocar em prática a pauta LibCon exigirá alguns anos de renovação e oxigenação do poder Legislativo brasileiro, novos vereadores, deputados estaduais e federais, senadores. Acredito que este processo demonstra a luta dos brasileiros por liberdade e contra seus opressores de fato. Se os cargos são vitalícios, por obviedade haverá sempre uma ingerência. Precisamos eliminar estes cargos vitalícios ou remover as funções deles para outros cargos que trabalhem sob resultados, que estejam alinhados com o projeto LibCon. Para os que querem contribuir, é necessário entender que o trabalho em questão precisa ser, acima de tudo, patriota.

Nenhum funcionário quer perder a mamata. É difícil conseguir explicar, para aqueles que querem se perpetuar, que eles têm que trazer algo de bom para a sociedade; ter atitudes mais altruístas. O ser humano tende a ser mais egoísta, infelizmente. Precisamos pensar no Brasil em conjunto, como uma máquina em que, se uma engrenagem não funciona bem, a máquina não consegue executar a sua finalidade de forma eficiente.

É preciso conseguir colocar ISSO na cabeça de todo indivíduo que aqui mora, acabar principalmente com a história do que vem do Estado “é grátis”. Nós podemos ser uma das maiores nações do mundo em pouco tempo, mais rica até que os Estados Unidos. Quando falo isso, muitos me chamam de louco, mas não custa sonhar, quem sabe um dia aconteça.

Ainda tenho muita fé em nosso país e na população brasileira.

Nos EUA, os progressistas se apropriaram do termo “liberal”, apesar de impôr a novilíngua “politicorretês” e defender políticas públicas cuja premissa é um estado central forte, coisa que a tradição liberal repudia. Você vê esse tipo de tendência no ecossistema político brasileiro?

Certamente vejo. No Brasil, primeiro este termo, “liberal”, foi apropriado por setores do Centrão político e fisiológico, com seus movimentos satélites como o Movimento Brasil Livre (MBL), que para impor sua vontade de não ceder poder para adversários políticos ou para as pessoas comuns, lutam contra a Direita verdadeira com unhas e dentes, de forma até mais forte que a esquerda faz, e muitas vezes de forma mascarada, fingindo-se liberais. Foi assim com o João Doria em São Paulo, que junto com o Bruno Covas, promete regular mais ainda o Uber para competir com os taxistas, ao invés de melhorar as condições para os taxistas. É esta completa inversão de valores, esse maquiavelismo, que precisamos combater e denunciar. 

Você considera natural pessoas com um grau de conhecimento abaixo de zero em todas as áreas, como Alexandre Frota ou Tiririca, pleitearem cargos representativos? 

Essa pergunta tem relação com a Fama. O Alexandre Fruta e o Tirurica são famosos, mas fama e prestígio são coisas diferentes. O Tirurica, como palhaço, talvez tenha mais talento, proporcionalmente ao Fruta como ator (pornô ou não). 

Acho natural que com as regras do passado e as atuais vigentes, partidos tivessem procurado por pessoas famosas para puxar votos. Demonstra a necessidade de uma reforma política grandiosa, que talvez seja feita com uma configuração melhor do Congresso, parlamentares com perfil LibCon. O Fruta e o Tirurica são piores que qualquer rachadinha, pois eles são “rachadinhas humanas”. Não estão lá para transferir salário de seus funcionários para os bolsos ou projetos, mas para transferir O PODER para seus partidos e outros deputados e senadores que mandam no legislativo há anos.

De resto, temos que parar de confiar nestes indivíduos que usam jargões e se escoram no marketing, pois o Fruta e Tirurica só conseguiram isto com um bom marketing. A atuação dos dois demonstra que são pessoas que não deveriam lá estar. Tirurica já é veterano. O que ele fez para lutar com a corrupção existente em nosso país? Nada! Ele é bom em criar piadas, mas hoje até nisso já está superado. Quanto ao Fruta, nunca gastaria meu voto nele, principalmente quando vi a postura e o uso que ele fez das mídias sociais para se promover. Ele nunca me convenceu. Eu o assistia no YouTube e já previa que aquilo era oportunismo. Ele nunca foi conservador e muito menos de direita, só aproveitou a onda e utilizou nosso presidente como escada.

Igor com o ministro da educação (e inveterado piadista) Abraham Weintraub

Como você definiria sua agenda política, caso fosse eleito vereador em sua cidade? Quais os seus critérios para definir um cronograma de trabalho?

Será uma agenda LibCon (Liberal-Conservador). Muitos ainda acham que o Vereador é aquele cara que arruma vaga em hospital, que manda fazer a limpeza da pracinha, ou que manda cortar aquela árvore que está quase caindo em cima da sua casa. Conscientizaria todos de que a principal função de um vereador é a de FISCALIZAR o executivo. Se tivéssemos esta noção, não teríamos tido prefeitos em São Bernardo do Campo que prestaram péssimos serviços à sociedade.

De forma abrangente, meu trabalho será combater a esquerda “lixo” que ainda existe na cidade. E trabalhar em conjunto com os deputados de lá, para trazermos REALMENTE o metrô para a cidade; pois neste caso em específico, sou igual a São Tomé: só acredito, vendo. Todos falam no metrô daqui, mas até agora não vi nenhuma obra para isso em SBC.

Em 2018, Jair Bolsonaro obteve em SBC 46% dos votos no primeiro turno e 59% no segundo, enquanto Haddad angariou 23,9% no primeiro turno e 40,4% no segundo. Você vê o resultado de 2018 como vetor das eleições municipais? Acredita que candidatos conservadores tenham chances reais em 2020?

Após o impeachment, a esquerda ficou desacreditada. Porém, ainda não temos um partido LibCon que de fato represente a Direita. Por isso o PSDB ainda conseguiu manter bons resultados em 2016. Bolsonaro, com o PSL, rompeu esta barreira; e agora, com a promessa do novo partido, o Aliança, teremos tudo para atingir estes resultados. Espero e desejo que seja agora em 2020. 

Com o amigo Rafael Rossi, um dos amigos que o apresentou ao pensamento conservador em 2014

O conservadorismo liberal é o que realmente trabalha para que os indivíduos de uma nação tenham uma evolução econômica, educacional, etc. Penso que teremos muitos conservadores se candidatando para as municipais, só temos que ter cuidado para identificar os que são, verdadeiramente, conservadores, pois muitos virão levantando a bandeira do conservadorismo, mas na verdade são conservadores melancia, verdes por fora e vermelhos por dentro.

No caso específico de SBC, qual o problema mais grave da cidade hoje?

Um dos problemas mais graves de SBC, hoje em dia, é a burocracia. Estamos perdendo grandes empresas para outros municípios pela burocracia documental e ambiental que engessa as atividades. Era para termos o Data center do Pentágono americano em SBC. Mas por que perdemos a instalação dele em nossa cidade? Por causa da burocracia ambiental. Colocamos tanto empecilho que eles acabaram por decidir montar o data center na cidade de Santana de Parnaíba.

Outro grande problema é a segurança pública. Precisamos dar mais suporte a GCM. Investir em treinamento. Fornecer equipamento de qualidade e colocar mais bases em locais onde o crime tem crescido comprovadamente.

Quanto ao orçamento de SBC, como você avalia a decisão sobre uso dos recursos pelas últimas câmaras?

Pessimamente utilizado, pois o legislativo de São Bernardo do Campo não é efetivo.  Precisa ocorrer uma reforma da lei municipal, que se encontra ultrapassada e engessa o andamento da cidade. Diluir a burocracia e melhorar a vida do empresário São Bernardense para fazermos a indústria crescer; voltar a crescer, primeiramente, e depois decolar.

Como a Câmara Municipal precisa exercer a sua principal função, que é a de fiscalização, ela não a tem cumprido corretamente, e temos aí os resultados desta má gestão municipal executiva e legislativa.

Ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, no CPAC Brasil

Considerando o poder legislativo atual, que figura política você considera um modelo?

O próprio Presidente Bolsonaro foi o meu modelo no legislativo. Lutar sozinho e insistir se for preciso por anos, sem nunca ceder ou se corromper. Também admiro o trabalho que o filho dele, o Eduardo Bolsonaro, exerce como deputado. Ele é um dos que vêm defendendo pautas conservadoras na Câmara. Acho formidável o trabalho que ele faz de conscientizar e espalhar o conservadorismo pelo Brasil. O CPAC Brasil, por exemplo, foi e ainda está sendo uma importante ferramenta de conscientização para nós todos, já que os vídeos do evento foram disponibilizados para qualquer cidadão que se interessar em assistir para aprender um poucos mais.

Considerando a cena intelectual contemporânea, que teórico mais ajuda você a identificar os problemas de seu município, do estado de SP e do Brasil?

Olavo de Carvalho, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Brasil Paralelo, Senso Incomum e Instituto Borborema. Muitos outros estão surgindo para somar forças nesta tarefa árdua, como por exemplo a própria iniciativa da revista Esmeril, cujo trabalho parabenizo, assim como agradeço pela oportunidade da entrevista. Mas quem mais me ajudou a ter essa consciência política foi o professor Olavo de Carvalho. Eu conheci o trabalho dele através dos meus amigos, que me apresentaram, nos primórdios das manifestações da Direita em 2014/2015, na época em que a Rádio Vox colocou os primeiros caminhões na Paulista. Foi nessa época que eu comecei a ler e ver os vídeos do professor Olavo e pude entender que existe uma guerra psicopolítica e que ela precisa ser vencida por nós, conservadores.

Igor e Rafael Nogueira, aluno de Olavo de Carvalho e notório colaborador da produtora Brasil Paralelo, no CPAC 2019

2 Comments

  1. Henrique parece ser um promissor candidato conservador, vamos acompanhando pelo tempo p ver se se continuará fiel aos principios que declara ter e sem se corromper pelas faciidades do sistema. Boa sorte na caminhada pela vida publica.
    Gostaria de ver esta nova geração indo além, contestando por exemplo,a forma de eleição dos vereadores e ainda se estes deveriam ou não serem remunerados, com ou sem subsidios e verbas para assistentes. Sei que estas alterações não são escopo municipal, mas seria bom ver conservadores pensando na reformulação daquilo que não funciona bem no Estado,
    Por exemplo, cortando-se salarios e verbas de gabinetes, o Brasil teria um enorme economia sem perda de eficiência alguma na gestão dos municipios, mesmo pq, fiscalizar os atos do executivo municipal é efetivamente executado pelos do tribunais de contas (do estado) e municipais, para São Paulo e Rio de Janeiro..
    Entendo eu que vereadores, teriam como sua principal atribuição, representar os interesses dos cidadãos de micro-regiões (distritos) da cidade que ali residem, perante o Plano Diretor do Municipio, decidindo sobre política de desenvolvimento e de expansão urbana, afetados principalmente através da lei de zoneamento. Como vereadores são completamente desconectados dos seus eleitores, tem pouca ou nenhuma eficacia nesta tarefa.
    Para esta representação ser efetiva, seria necessario dividir a cidade em distritos eleitorais e eleger um vereador especifico para cada distrito. #VotoDistritalparaVereadores
    Por falar em tribunal de contas, estes, entendo eu, deveriam ter os seus integrantes eleitos diretamente e com voto distrital. Hoje os membros do tribunal de contas são indicações do Governador do Estado e da Assembleia Legislativa ( 2 pelo MP).
    Ou seja, pessoas integras e honestas como o Sergio Cabral e Jorge Picciane escolhem os caras que vão verificar as suas proprias contas. O resultado disto foi em parte vizualizado através da Lava-a-jato.
    Por que este textão chato?
    Para levantar reflexão sobre a origem dos nossos maiores problemas, se não estariam na nossa constituição e na forma de eleição dos representantes e organização do Estado e menos nos nomes a serem escolhidos.
    Em tempo, só para deixar claro, enquanto não alteramos a legislação, acredito que os vereadores conservadores tem de usar integralmente as verbas de gabinete, mesmo pq este tipo de verba não retorna ao orçamento geral, se o liberaloide recusa, a verba é rateada entre os demais vereadores. Tem de lutar para alterar a legislação, mas enquanto não alterar, é burrice demagogica dizer que vai recusar para economizar dinheiro dos impostos dos contribuintes.

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