Nikolas Ferreira é um menino iluminado. Aos 23 anos, o virtuose do Direita Minas emergiu entre os pares como liderança espontânea e deve sair candidato à vereança por Belo Horizonte. Graduado em direito, nasceu na escola o desejo de entender o que movia o debate público para, posteriormente, ingressar na guerra cultural e política.

Quando algo te deixa inconformado, aí nasce um chamado. O momento em que fiquei inconformado foi dentro da sala de aula. 

O professor está falando uma coisa que é mentira e a sala inteira acreditando, e eu falando verdades, trazendo dados, e ninguém acreditando em mim. A partir disso eu percebi que alguma coisa estava errada e que eu não poderia deixar que a verdade fosse suprimida. Disse a mim mesmo: “Não me importa se eu vou ficar sozinho. Não me importa. Eu preciso defender isso”.

Sobre as referências intelectuais mais importantes, quanto à formação religiosa e política, Nikolas não hesita em indicar a base certa de toda educação sólida: “Meu pai e minha mãe. Pessoas que me apresentaram o Evangelho real. Toda minha família.” 

Foi dentro de casa que ouviu falar em Olavo de Carvalho, o filósofo que visitou e com quem fez uma breve entrevista. Mas a incipiente formação, afirma devê-la aos almoços de domingo.

Para mim, as conversas de domingo foram coisas que mudaram minha vida. Você está lá no almoço de domingo discutindo sobre onipotência de Deus, onipresença de Deus. Foi isso o que me formou.

Na contramão da juventude hedonista e avessa ao amadurecimento, sempre em busca de euforias sobre euforias, Nikolas valoriza a experiência do sofrimento. “Gosto muito do que diz Paulo, ‘por um breve espaço de tempo, é necessário que estejais contristados’.

Descrevendo-se como ruim em memorizar endereços da Escritura, mescla ensinamentos bíblicos ao discurso com naturalidade. Como se a luz perene do Novo Testamento brotasse de seu interior. Assim nos relatou a passagem que traz no coração.

Está em Coríntios, “A tristeza segundo Deus opera arrependimento. Mas a tristeza segundo o mundo opera a morte”. Hoje estamos ignorando muito a dor e a importância do sofrimento. Hoje, tudo o que o mundo tenta trazer a você é ignorar a sua dor, sendo que na dor… o deserto é o momento em que você vai ser ensinado. O deserto é o momento de aprendizado, inclusive a redenção do mundo foi feita no deserto”.  

No final de um ano em que parte significativa do povo brasileiro buscou incessantemente a redenção, suportando a dor sem perder a esperança, não poderíamos encerrar os trabalhos em melhor companhia. Se Nikolas Ferreira assumir o papel de modelo para os jovens de sua geração, é auspicioso o futuro próximo da política brasileira.


Antes de mais nada, gostaríamos de saber o que o cristianismo significa na sua vida? 

Uma pergunta tranquila, né? Eu vou pegar como base um pensador que diz acreditar no Cristianismo como acredita no sol. Não porque ele vê. Mas porque através dele, vê todas as outras coisas. O cristianismo é mesmo como um sol para mim. Ele me faz enxergar todas as outras coisas. Por mais que eu tenha nascido num lar cristão (meu pai é pastor, meus antepassados eram cristãos), eu vejo que sempre há um momento na sua vida em que você precisa tomar uma decisão. Se você de fato vai levar aquilo para a sua vida ou não. O cristianismo foi, para mim, a melhor decisão que eu já tomei em minha vida. Sem Cristo, eu não sei como viveria a minha vida. Na verdade eu não sei como as pessoas vivem sem Cristo hoje. Se com Cristo, eu ainda tenho, obviamente, dificuldades, aflições, sofrimentos; ainda assim eu não deixo de vivenciar tudo isso, como as pessoas conseguem viver sem um porto seguro, né?

Eu gostaria de saber se você acha que, quanto mais cristãos na política, maior a possibilidade de se avançar na moralização da política; ou se você acha que não necessariamente é assim. 

Eu acho que depende muito. Antigamente você via o Cristão pelo testemunho dele. E hoje as pessoas vêem o cristão por uma autodeclaração. A pessoa diz “eu sou cristão” e se torna cristão. E a gente sabe que o cristianismo é auto-declaratório, né? Eu vejo que acontece uma confusão muito grande quanto a quem realmente é cristão, e quem não é. Eu vejo que as pessoas que de fato são cristãs e entram na política vão ser luz naquele local. Não acho que o cristão tenha que ser o cara que entra com a bíblia debaixo do braço lá na câmara. Esse não é papel do cristão. Ninguém chega em seu trabalho e faz dessa forma, porque a gente consegue separar. Se você pega ali a Bíblia e pensa “tudo o que você fizer, faça para a glória de Deus”; é isso o que a gente tem que fazer. Em nosso trabalho, a gente vai servir a Cristo como? Fazendo o nosso melhor. Seja na parte técnica, de propor leis, retirar leis, etc. Então isso é o que as pessoas querem. Há que se dividir a questão da sua ministração dentro da igreja, da pregação da palavra, e do seu testemunho. Então aquilo que se espera, basicamente, de um cristão é não se envolver em corrupção, ter respeito pelo dinheiro público… Então se cristãos de verdade entrarem na política, o cenário vai melhorar. Porque o cristão é luz. Então a gente espera que aclare a escuridão. É uma consequência. Nesse sentido, eu vejo que sim. Mas é preciso deixar claro o que significa ser cristão, porque nem sempre as pessoas entendem o cristianismo como nós entendemos. Então, se a gente lança uma notícia assim: “maior quantidade de cristãos na câmara de Belo Horizonte”; não sei como as pessoas iriam receber isso porque tenho certeza que a totalidade dos cristãos auto-declarados não são de fato cristãos. E aí a gente tem a briga de explicar essa diferença. Mas com certeza o cristão de verdade, em qualquer lugar onde ele estiver, vai fazer a diferença. 

Você acha que a nomeação de uma pessoa como a Damares, pastora, cristã, com uma história de testemunho, para o Ministério de Direitos Humanos foi simbólica, considerando o que a igreja tem feito no Brasil nos últimos 70 anos, sobretudo nos interiores?

Com certeza! Com certeza. É até engraçado porque ela não fica tomando cuidados em falar que ela é cristã, e é pastora. Uma pessoa sensacional. Vou até pegar um livro que tenho ali, sobre a igreja católica, mas que se estende a todas as outras: Como a igreja católica construiu a civilização ocidental [Thomas E. Woods Jr., publicado em português pela editora Quadrante e atualmente na 9ª edição]. O mundo sem o cristianismo… o que seria o mundo? Desde a criação das universidades, passando pela filosofia de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, a gente nota que essas pessoas construíram tudo aquilo que temos hoje com o raciocínio. Então, se hoje a gente não apedreja uma mulher por ela cometer um adultério, é porque houve uma linha de raciocínio lógico sobre o por que você não matar o outro. A gente deve muito ao cristianismo; às pessoas que morreram para garantir a nossa liberdade, para garantir a maneira como a gente pensa hoje. Então eu vejo, de fato, que foi uma estratégia do Jair de colocar ela como uma forma simbólica de falar “Olha, feliz a nação…” E ela está fazendo um trabalho incrível. Não só é uma pessoa que fica falando sobre Cristo. Não fica falando “se arrependa, volte ao evangelho, ela… Pratica? Exatamente, ela pratica o cristianismo. 

Durante entrevista com o filósofo Olavo de Carvalho

Você acha que os líderes religiosos têm falhado muito em preparar os jovens dentro da igreja para a universidade, a sociedade, principalmente para combater as ideologias anti-cristãs?

Têm demais. Eu acho que isso é uma das coisas que as pessoas mais me perguntam: “como você avalia o papel da igreja hoje?” E tem um estudo, que saiu há 2, 3 anos, se não me engano, que fala que 70% dos jovens universitários cristãos, quando chegam na universidade, eles deixam a sua fé. Ou seja, alguma coisa está acontecendo… São 70%. Quer dizer, de 100 jovens, 70 vão deixar a sua fé. William Lane Craig falou esse ano: ‘a igreja brasileira tem falhado no crescimento intelectual da sua igreja’. Isso é um reflexo que a gente tem alimentado nosso corpo, obviamente comendo; a gente tem alimentado o nosso espírito, jejuando, orando, lendo a bíblia, cantando, louvando a Deus; mas a nossa alma tem ficado morta. E nós somos uma alma. Não somos um corpo. Nós somos uma alma. Está tendo uma guerra de ideias, no campo cultural, e o cristão está deixando isso completamente de lado. E a nossa fé muitas vezes fica apática. A gente lê na bíblia que você tem que se apresentar como um servo pronto a responder àqueles que têm dúvidas, e parece que ninguém vê isso. Vemos até, por exemplo, em Provérbios, com relação à sabedoria, que você deve busca-la mais que o ouro, mais que a prata; mas parece que o cristão ignora. A nossa luta é tão grande que… Por exemplo, nossa igreja deve ter umas 300 mil. Já em 2015, senão 2013, a gente fez um evento na igreja chamado ética cristã, e aí se falava sobre tudo isso. Antes de a ideologia de gênero ter tido esse boom que vemos agora. Então eu peguei os casos dos irmãos Reimer, falei sobre feminismo, como isso entrava na igreja, e muita gente desacreditou. E pouco depois, isso estourou, até mesmo dentro da própria igreja. E aí a crítica que eu faço é que existem tantos pastores, tantas celebridades do mundo gospel que possuem milhões de seguidores; o alcance deles é um absurdo, como a Priscilla Alcântara, Ton Carfi. São pessoas com muitos seguidores, e aí você vê o Tom Carfi, por exemplo, fazendo uma música com o MC Livinho. E eu lembro que fiz até um vídeo que me trouxe problemas. Todo mundo começou a me xingar: “Você não pode julgar, você não pode fazer isso com o Livinho”. Então, eles poderiam falar sobre as coisas que acontecem hoje. Falar o que está acontecendo com a igreja no Brasil; dizer que as pessoas estão deixando sua fé, deixando que o marxismo, o feminismo e a ideologia de gênero entre dentro das igrejas. Mas eles não comentam nada! Eu faço até uma crítica maior com relação à própria Rede Super. Inclusive eu fui lá agora, falei sobre isso, e foi um convite de uma pessoa que trabalha com a ministra Damares; foi a primeira vez que eu vi a Rede Super tocando nesses temas; falando sobre marxismo cultural, sobre feminismo. Então o que acontece? Você vê que o pau está quebrando; nossos jovens cada vez mais descrentes no próprio cristianismo, que é o que te fortalece, e realmente te deixa mais inteligente, inclusive; e aí você vê uma pessoa como a Priscilla Alcântara que vai na Globo, sabe? Em suma, antigamente o mundo tinha que se adaptar para estar na Igreja; hoje a igreja se adapta ao mundo. Vivemos essa inversão.

No Brasil, o gramscismo invadiu com força a igreja católica. Isso é público e notório. A que você atribui o marxismo cultural ter entrado na Igreja Católica, e não nas várias vertentes reformadas? Olha, eu nunca tinha parado para pensar nisso, para ser sincero… Mas pensa agora (risos) O catolicismo tem uma cultura muito focada na tradição. Muitas vezes você vê… se uma pessoa não é nada, ela é católica. A pessoa não vai na missa, não vai em nada, mas ela tem a convicção de que ela é católica. E eu acho que nisso esteve a abertura muito fácil. Uma pessoa que não lê a bíblia… o próprio brasileiro não lê livros. E uma pessoa que não lê a bíblia, não vai na missa e se guia pela tradição em termos de hierarquia…Você vê, o padre, o papa, não importa o que ele diga, deve ser acatado. E aí você vai modificando as coisas, sobrepondo uma tese à outra. Já o cristão reformado, eu acredito que ele tenha uma gana maior quanto ao seu crescimento intelectual. Tipo “eu estou vivendo isso aqui, eu vou defender isso aqui”, e não importa se alguém falar o contrário. Desde criança, a gente tem a escola bíblica dominical, a gente faz esse trabalho. Eu acho que a Assembléia de Deus sempre fez um trabalho incrível com relação a isso. As pessoas que tenho ao meu redor hoje são pessoas que foram ensinadas dentro da Assembléia de Deus, e você vê que existe isso: um confronto maior de ideias. Não é porque o pastor falou que está certo. A gente não tem um papa que chega e define tudo.

Então você acha que o estímulo à relação direta com a Escritura, a leitura individual (o que inclusive permite essa variedade incrível de vertentes); você acha que justamente a falta de unidade doutrinária talvez tenha protegido as vertentes reformadas de serem cooptadas pelo marxismo?

Sim, porque se você infecta uma coisa que é una, você atinge a coisa toda. Se você infecta uma coisa que, na verdade, é dividida em várias, fica mais difícil. Mas por outro lado, acho que era necessário ter um certo padrão mínimo (O mínimo que você precisa saber para ser um cristão, né?) nas igrejas, para não acontecer isso que a gente vê hoje, quer dizer, uma quantidade, né? Você pega um pastor, ele sai de uma igreja, ele cria outra, aí um pastor dentro desta igreja briga, e aí vira outra; e aí você se pergunta, mas o que está acontecendo? Ocorre que realmente não temos unidade. Eu não desrespeito a tradição, jamais, ela é super importante. Nós cristãos reformadores, a gente tem um erro, que é ver a questão do culto racional, de você ter ali as questões sacras da igreja; você ter ordem e decência no culto, e este é o tipo de coisa em que os católicos batem, e as pessoas batem com razão. Porque muitas igrejas que a gente vê por aí não têm ordem nem decência. Você se refere às neopentecostais de cerimonial sincrético? Sim! Com certeza. Ou até mesmo as igrejas… Por exemplo, eu já fui em [Igreja Batista] Lagoinhas que são exemplos. Mas tem outras Lagoinhas que são completamente diferentes. Eu conheço também pessoas da Bola de Neve que são cristãs exemplares. Agora tem uns que não… que fazem batismo em, como é que se fala? em toboágua! Então eu não consigo dizer que há um problema com a Lagoinha ou a Bola de Neve. Mas dentro delas, assim como outras igrejas, que às vezes inserem um nome inglês pra ficar legal (alguma coisa “church”), e se preocupam com a “vibe”, criar um ambiente. Posso citar uma específica, a Lagoinha Savassi, ela faz isso. Não dá pra saber se é uma igreja, se é uma boate. Realmente… 

Qual a sua avaliação da teologia liberal? No sentido de relativização da fé. 

Eu acho que eles não lêem bíblia. É simples assim. Eu não consigo dar uma resposta complexa. Tenho que dar uma resposta simples. Eles não lêem Bíblia. Eles podem ter uma aparência de piedade, mas negando-a. São pessoas se prostram como pacíficas, mas na verdade eles não acreditam nem nisso. Hoje é muito mais fácil você querer ser amado por todos do que você falar a verdade. É muito melhor você ter milhões de seguidores do que você alcançar as pessoas através da piedade. Então se diz que o diabo é o pai da mentira não à toa. Essa relativização é uma mentira. Você pode ganhar pessoas unicamente através do entretenimento. Eu posso ganhar as pessoas unicamente através de uma mentira. Eu fiz uma postagem muito tempo atrás sobre o movimento Cores, que existe na [Igreja Batista da] Lagoinha Savassi. É um culto específico só para homossexuais. Eu dizia que a idéia era, entre aspas, ok; mas como modus operandi… Eu vou fazer um culto só para homossexual? Eu vou fazer um culto então só para fumante? Um culto só pra prostituta? Então assim, não vai ter dia pra contemplar tanto pecado. Uma pessoa vai num culto em janeiro e volta só no outro, né? Porque cada dia vai ser um pecado diferente. E aí eu falei “o modus operandi está errado”. Eles usam o “x” para substituir as vogais e chamam os homossexuais de coloridos. Eu falei: “olha, o que vocês fizeram foi dar apelido ao pecado.” Então se romantizou o pecado. Não há mais preocupação com o próprio homossexual que está caminhando pro inferno. Você não diz a ele “o seu pecado é igual o meu, é como qualquer outro”. Quando você romantiza o pecado, você acaba com a possibilidade de essa pessoa entender que ele é um pecador. Em suma, o que eu vejo é que as pessoas amam muito mais os prazeres do que a verdade. E aí… se o mundo está te amando, alguma coisa está errada. Porque Jesus Cristo inclusive falou “se o mundo te odeia, não se preocupe, pois ele me odiou primeiro”. Mas se o mundo está me amando???

De tudo o que você aprendeu na igreja, o que foi mais importante e determinante para te preparar para o ativismo político?

Olha, não tem uma específica. Mas eu vejo que o exercício de leitura, interpretação, formulação de argumentos na escola dominical me deu uma capacidade retórica muito boa. Na igreja a gente fazia debates; havia sessões de pergunta e resposta; você tinha que estudar ali o pró e o contra. Então isso me ajudou demais. O desenvolvimento em oratória. São coisa que a igreja realmente te proporciona, quando você tem que chegar lá na frente para simplesmente fazer um ofertório, mesmo que só tenham 5 pessoas de 10 anos de idade, isso já te dá vivência, experiência em falar com pessoas. Para resumir, eu poderia dizer que o mais importante foi lidar com pessoas. Eu acho que a igreja te ensina a lidar com pessoas. Pessoas diferentes. Pessoas com ego. Pessoas tímidas. Pessoas extrovertidas. Pessoas carinhosas. Pessoas que não são carinhosas. Pessoas nervosas. E aí você vai lidando com essa gama enorme de pessoas, e quando chega na política, no mundo de fora, você vê que também há essa diversidade. Mas como você já entendeu dentro da igreja como lidar com qualquer um, tira de letra. A igreja me ajudou a lidar com pessoas.

O que você acha que um pré-candidato à vereança deve saber? O que você considera imprescindível saber para se sentir digno de se candidatar?

O mínimo são as funções de um vereador. O que ele faz. A função dele é fiscalizar, legislar, propor leis. A função profissional. Ter um conhecimento em direito, mesmo sem ter uma formação específica em direito. Conhecer um processo legislativo. Você tem que conhecer o que é uma LOA, uma Lei orçamentária anual; você tem que conhecer, porque você é um servidor público, então é como se você tivesse apresentando um CV ao povo. Para mim, saber as funções do vereador é o básico. 

Para você, qual o problema mais grave de Belo Horizonte? Um problema que te chama a atenção.

É algo que eu vejo, aliás, no Brasil inteiro: saneamento básico. Se você for na Serra, uma favela aqui, você verá esgoto a céu aberto. Antes da pessoa ser direita e esquerda, ela precisa fazer as necessidades básicas. E você vê na rua, sim, tem esgoto a céu aberto. O que prejudica demais a questão da saúde, proliferação de doenças. E são muitos locais em Belo Horizonte que têm isso. BH por ser uma cidade de médio a grande porte; ela não é uma São Paulo, mas é uma cidade grande,(quer dizer, uma roça grande hahaha), eu vejo que as coisas estão medianas, em termos de segurança e mobilidade urbana. Mas saneamento básico e administração pública são problemas a enfrentar. 

Como você avalia o impacto do governo Zema em Belo Horizonte? O que você acha do governador de Minas Gerais?

Olha, é muito cedo para poder falar sobre resultados. Eu conheci o Zema antes de ele estourar. A gente fez uma reuniãozinha lá num hotel, fomos lá, perguntamos várias coisas para ele, inclusive escola sem partido, e ele foi sereno com relação ao que ele pretendia, mas a gente não esperava que ele ganhasse. Eu acho que ele é um cara íntegro, um cara do bem. Mas com relação a algumas propostas colocadas pelo partido Novo, elas estão sendo incoerentes com o que foi proposto na campanha. Então por exemplo, foi aprovado um aumento dos salários dos servidores. Então para um partido que buscava a redução do estado, acabou aumentando o salário desses servidores. Ele tem também outro projeto, que está tramitando na Assembléia, já foi aprovado em primeiro turno, de aumentar o ICMS. Isso incide sobre todos os produtos. Bom, é a maior fonte de receita estadual, né? E como está quebrado, Minas, eles vão apelar… Exatamente. Eu vejo assim, você pega o estado quebrado, e estava quebrado desde Aécio até Pimentel, aí a gente pega um estado quebrado e é um desafio sim. Mas eu sou muito prudente para falar qualquer tipo de coisa, se esse cara é isso ou aquilo; se esse governo está fazendo isso ou aquilo. Porque eu acho muito cedo. Mas por ora, as propostas que eles fizeram estão sendo incoerentes… 

Você acha que há interferência da presidência no Novo sobre o governo Romeu Zema? No sentido em que disse o Ricardo Salles, segundo o qual João Amoedo tentou interferir em seu trabalho como ministro? Você acha que o Zema sofre esse tipo de pressão?

Sim, rola uma pressão. Há um conflito entre os dois. Inclusive porque o Zema é mais conhecido que o Amoedo. Até mesmo em questão de poderio, porque o cara é governador do estado. E o Amoedo é o quê? E sabemos que há conflito. Tanto que você não vê o Amoedo postando nada sobre o Zema. Não tem apoio público? Não tem. Então há um conflito notável entre os dois. 

Você acha que há possibilidade de um cristão ser de esquerda?

Eu acho completamente incompatível. Para mim é como um judeu nazista. Jesus nunca fomentou luta de classes. Jesus nunca disse que o problema do mundo era a pobreza. Jesus falou “se você não quer trabalhar, então não coma”. A própria bíblia apresenta o problema da miséria como algo que vamos enfrentar durante toda a nossa vida. O cristianismo não propõe o paraíso aqui na terra. Pelo contrário, Paulo fala ‘aprendi a viver na abundância e na tristeza, mas a tudo eu dou graças’. Muita gente pega a igreja para dizer “olha, está vendo, ele dividiu tudo”. Mas não tem nada a ver. Não era imposto. Nenhum estado, nenhuma pessoa impunha que eles dividissem. Pelo contrário, eles faziam isso de forma voluntária. E não é isso que o socialismo prega. Não é isso que foi o experimento do socialismo nos países. A primeira coisa que se faz nos regimes totalitários é a perseguição de cristãos. E há algo muito básico: se você abrir o Manifesto Comunista, no capítulo 2 Marx fala: abolição da família. Ele prega ainda que o comunismo opera a abolição das verdades eternas. Então assim… verdades eternas, para nós, é a Bíblia! O comunismo é, de fato, completamente contrário ao cristianismo. 

Ou seja, o cristão que não lê bíblia… É, eu até postei esses dias atrás “Por trás de toda feminista cristã tem uma bíblia empoeirada”. Dá pra usar com qualquer outro: “Por trás de todo socialista cristão tem uma bíblia empoeirada”. 

Quando Bolsonaro era o candidato com 5% de chances nas eleições de 2018…

Gostaríamos que você fizesse uma avaliação do primeiro ano do governo Bolsonaro.

Eu acho que houve erros e acertos, mas eu considero como muito bom. Pegou um país realmente quebrado, em todos os sentidos, culturalmente, economicamente, e ele tem feito o impossível. E é um contra todos mesmo. É como os 300. Os 300 contra o exército inteiro. Nesse exército lá está a CUT, os movimentos estudantis, a mídia inteira, e para o cara conseguir… um cara que apoia a pátria, apoia a família, apoia Deus, o cara todo dia dá coletiva de imprensa, todo dia se inventa alguma coisa dele, acusam o cara até de ser mandante de assassinato; o cara conseguir chegar na ONU e falar contra a ideologia de gênero, contra o comunismo, falar a favor de Deus, falar que o Brasil é contrário ao que acontece no mundo, na Venezuela; conseguir reduzir o índice de criminalidade, o índice de estupro; ele conseguir com que os ministros façam coisas que nunca tinham feito nos outros governos, como a conclusão da BR 163… o Tarcísio não pára, nem sei o nome de todas as estradas que ele consertou… A gente não sabe de qual BR ele ainda não tapou buraco… Não tem como acompanhar. Exatamente. O Paulo Guedes e equipe, pô, conseguiram deixar a taxa selic em récorde com relação aos índices anteriores. O Sérgio Moro apresentando o pacote Anticrime. A CCJ foi a mais rápida de todos os tempos, com o Francischini à frente. Então eu vejo que as coisas estão sendo propostas, o Brasil está andando e estou muito otimista. Acho que em mais 3 anos a gente vai conseguir fazer muita coisa. 

Você acha que o Brasil mudou para sempre, desde que a nossa geração abriu os olhos, ou você acha que há risco de a esquerda voltar? 

Eu acho que, se voltar, a gente passa da guerra cultural a uma guerra civil, assim como aconteceu na Ucrânia. O brasileiro é muito tranquilo. O limite de otimismo dele é muito alto. Mas num cenário em que o Lula volta, eles já disseram que vão voltar muito diferentes…

Mas você acha que há chances de eles voltarem? Você tem dúvidas de que o Brasil mudou para sempre? Que a direita sabe que hoje é maioria? Que os conservadores estão paulatinamente cada vez mais conscientes de si? Você acha que este processo tem volta? Eu considero um processo sem volta. Mas gostaria de saber o que você acha. Você acha que é cedo demais para saber?

Eu acho que a esquerda dominou por muito tempo. Eu sei que nós somos maioria. Eu sei que o brasileiro cristão, ou o cara inconformado com a corrupção, que não gosta do PT, eu sei que nós somos maioria. Só que a esquerda domina as instituições e tem feito isso há muito tempo. E outra, eles não desistiram disso. Continuar conquistando mais e mais locais. Você vê isso através das igrejas, principalmente. Um amigo meu foi numa reunião da renovação carismática, da igreja católica, e relatou o que se tem falado no grupo de fé e política. Falam abertamente que agora vão partir para uma nova estratégia, que farão isso, isso e isso. Então… eles possuem os jovens de hoje, nas universidades. Eles possuem os juízes. Pra você ver a dificuldade, o Bolsonaro teve que indicar o procurador geral da República e não teve quem indicar. Ele tem que indicar desembargadores e não tem quem indicar. Porque não tem ninguém alinhado. Isso, inclusive, é a diferença que o Olavo destaca quanto à militância organizada. Não somos nós, ativistas, são profissionais que lideram os ativistas. Então quem, no STF, nós temos? Um tempo atrás, o Gilmar Mendes era um cara conservador. E mudou completamente. Por que mudou? Porque tem um poder por detrás. Então eu não subestimo o meu inimigo, no sentido de achar que eles estão acabados, porque da mesma forma que, se você recordar a Bíblia, “os escolhidos serão enganados”, o que dirá de gente que só compartilha meme, que é de direita? Vai chegar lá na frente e o que ele vai fazer quando ele for confrontado? Pode acontecer um milhão de coisas; desde o Lula voltar até o Bolsonaro morrer. Num cenário desse tipo, com gente achando que Lula é a esperança, a única possibilidade que tem de o Brasil não deixar que um governo de esquerda retorne e comece a tomar medidas impositivas, assim como aconteceu na Ucrânia, na Venezuela, é partir para uma guerra.

Esta entrevista será publicada em nossa edição de natal. Você gostaria de deixar uma mensagem de natal às pessoas?

Nossa, com certeza! Eu acho que o natal é uma das melhores épocas do ano. Eu vejo que a gente comemorar, mesmo que a data não seja exatamente essa, e a gente sabe disso, mas retomar a importância daquele que veio para salvar o mundo… faz a gente refletir que as coisas de nossa vida, por mais que sejam doloridas, tenham sofrimentos, sempre há um novo dia. E aquele que disse “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”; eu acho que se você tem um momento triste, está passando por dificuldades, não tem que comparar sua dor com a dor do outro, mas com a daquele que carregou o pecado da humanidade inteira; com aquele que sofreu tudo, tanto na pele quanto espiritualmente: foi tentado, foi humilhado, mas a palavra dele é efetiva. De fato essa data nos faz lembrar daquele que morreu por nós. Lembrar que nossa casa não é aqui, e a gente tem que ansiar por isso todos os dias.  


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