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sábado, 28 maio, 2022

PARA ALÉM DA HASHTAG DO DIA | Entrevista com Paulo Henrique Araújo e Ivan Kleber Fonseca

Revista Mensal
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

“O despertar político de grande parte da população brasileira é recente, e ainda temos uma falsa visão de que elegendo um chefe do Executivo, ele por si só pode resolver todos os nossos problemas. Nós, o povo brasileiro, estamos bebendo um remédio amargo desde 2019 e percebendo como isto é um engano”.

 

Em setembro deste ano Paulo Henrique Araújo e Ivan Kleber Fonseca, apresentadores e sócios do canal PHVox, lançavam-se no mercado editorial com o livro Os EUA e o Partido das Sombras, obra nascida a partir do trabalho de cobertura das eleições americanas do ano passado e do curso homônimo ministrado pelos autores na plataforma de cursos do PHVox. O foco do livro, no entanto, vai muito além das eleições americanas, remontando à origem do Partido das Sombras ainda na Inglaterra do século XVI, para levar o leitor ao entendimento do longo processo histórico que culminou nos Estados Unidos de Saul Alinsky, George Soros, Clintons, Obama e, por fim, Biden e Harris.

Com este livro, PH e Ivan estreavam também seu próprio selo editorial, a Editora PHVox. Na época, entrevistei-os para a Revista Terça Livre (edição 115, de 21 de setembro), fora do ar pouco mais de um mês depois, quando a empresa foi tirada do ar por abuso de poder de “vocês sabem quem”.

Três meses depois, nós três voltamos a nos falar, e com algumas perguntas e respostas reformuladas e editadas, e outras inéditas, como sobre a participação de Ivan no GOP 26, trago de volta a entrevista aqui no Esmeril News.

A Entrevista

Esmeril: Paulo, em primeiro lugar, conte um pouco sobre a história do PHVox, sua evolução, seus desdobramentos, programação do canal, site, cursos etc.

Paulo: O projeto PHVox (portal de análises, canal no YouTube, plataforma de cursos, editora, mídia watch) nasceu do desejo de realizar um trabalho baseado nos preceitos da contrarrevolução e uma paixão pelos estudos que sempre tive. Apesar de estarmos de certa forma ligados ao noticiário geopolítico, o nosso principal foco é estarmos atentos aos passos dados pelo movimento revolucionário em suas diversas vertentes e ideologias.

Com isso em mente, procuramos sempre desenvolver um produto que foque no trabalho duro, sério e de certa forma a longo prazo; estabelecendo um planejamento de nossas ações e implementando através de matrizes de pivotante, onde validamos uma ideia com início, meio e fim, tendo como objetivo final do processo a efetividade em diversos campos que vão além dos números de curtidas ou mesmo de views de determinada ação.

Estamos estruturando nossas verticais e as ações dentro de cada uma com foco específico em resultados práticos e tangíveis. O ponto principal por trás de tudo isto é o direcionamento baseado na fé católica e nas bases da Doutrina da Santa Igreja, que são o Norte de todo o nosso trabalho, seja ele no campo de formação ou análise política.

Esmeril: Ivan, você foi de espectador a apresentador e sócio do PHVox, e, conforme cresce o canal, suas funções como Correspondente no Reino Unido e na Europa também têm aumentado. Conte um pouco para nossos leitores sobre sua história no PHVox e seu trabalho como correspondente internacional do canal.

Ivan: Desde criança eu sempre tive um genuíno interesse por assuntos voltados à política. Primeiro, na minha família, onde tive muita influência do meu avô, que era ativo nos debates políticos e me levou desde cedo a acompanhar os temas em que ele estava envolvido. Quando me mudei para a Europa, no início dos anos 2000, tive a oportunidade de acompanhar de perto o cenário quente da política na Itália exatamente quando o país adotava o EURO como sua moeda; e posteriormente, na Alemanha, tive a mesma oportunidade. Agora, no Reino Unido, onde estou estabelecido, tive a oportunidade de acompanhar de dentro todo o debate que envolve o Brexit.

Eu já acompanhava o trabalho do Paulo Henrique antes mesmo que ele iniciasse o projeto do seu canal; e quando ele começou o canal comecei a acompanhar e fazer parte do grupo de apoiadores, e a conversar de maneira mais próxima com ele. Destas conversas surgiu o interesse comum de trabalhar em uma cobertura séria, focada e dedicada nas eleições americanas de 2020. Inicialmente acreditava que iria colaborar com pautas, mas o PH me cooptou para a frente das câmeras. Aos poucos nossa afinidade, foco e direcionamento foram aumentando e passei a colaborar em outras frentes do canal. Até que na metade de 2020 o projeto ganhou o nome de PHVox.

Trabalhar como correspondente internacional para mim é a concretização de um sonho de criança, que estou realizando em um projeto que possui valores profundos e um foco muito claro de onde pretende chegar.

Esmeril: Ivan, ainda com você, gostaria que relatasse um pouco da sua recente experiência cobrindo o GOP-26, na Escócia. Quais consequências geopolíticas poderemos ver nascendo desse evento a curto e médio prazos?

Ivan: Logo na chegada, a sensação foi de estar em um universo paralelo. Era um ambiente espiritualmente carregado, e a sensação era a de estar presenciando um teatro ao ar livre.

Era enorme a hipocrisia por parte dos líderes mundiais que tanto falavam sobre escutar o povo nas ruas, e quando você chega lá, a divisão entre o povo e os governantes é nítida, com inúmeras barreiras físicas e exigência diária de teste negativo para Covid para que se possa ingressar no ambiente onde ficavam tais governantes. E, mesmo assim, com todas essas dificuldades, apenas uma parcela selecionada era convidada ao núcleo do evento. Eu mesmo não pude entrar, pois, ao contrário dos jornalistas da velha mídia, não recebi convite da ONU.

Do lado de fora havia pessoas que protestavam com base nas narrativas da velha mídia. Havia pessoas protestando contra o presidente Bolsonaro, por exemplo, e que não conheciam nada da nossa realidade política. Perguntei a um senhor que estava nesse protesto a motivação de seu engajamento e as fontes pelas quais ele se informava. Ele me respondeu que Bolsonaro era perigoso para o meio ambiente, e suas informações eram transmitidas na “mídia” – sem nenhuma verificação de fonte. Ou seja, a dita “mídia” – entenda-se, velha imprensa – acaba sendo a fonte para a maioria das pessoas que estava ali protestando contra governos e líderes que sequer conhecem.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a comunicação visual da COP, com imagens que procuravam transmitir uma sensação de terror e de pânico, da iminência de uma grande catástrofe, com o intuito de assustar as pessoas. Havia também os absurdos que estavam sendo promovidos pelos grupos de esquerda. Havia um estande de um grupo feminista, por exemplo, que justificava que a luta contra o machismo poderia ser benéfica para as pautas ambientais.

O que me encheu de esperança foi o fato de o grande público não comparecer, mesmo nas áreas de livre acesso. Quer dizer, era uma grande bolha, em que os chefes de Estado presentes estavam usando as pessoas que estavam lá fora protestando para justificar a imposição de sua agenda de controle, uma agenda da Nova Ordem Mundial, direcionada para a implementação da Agenda 20/30, que eles vão querem impor com ou sem o apoio da população mundial.

Esmeril: Gostaria que falassem um pouco sobre os principais, digamos assim, lemas do PHVox, que são “fugir da hashtag do dia” e “Terço na mão e joelho no chão”.

Paulo: Um dos grandes fatores que fez com que o conservadorismo ganhasse profundidade na internet brasileira foi exatamente o aprofundamento nos estudos, trazer à tona temas antes não acessíveis para a maioria da população e muito conhecimento que antes estava oculto e longe do imaginário popular.

Após as eleições de 2018, vimos um grande aumento do debate rasteiro da política, fomentado pelo quarto poder (a mídia), e com isso a degradação das pautas elevadas nos meios conservadores na internet. Tudo ficou resumido a qual hashtag está em alta “hoje” e como “capitalizar” com o tema. Diante desse cenário, temos como um dos fundamentos do nosso trabalho justamente fugir da hashtag do dia, não entrarmos na roda de pautas impostas pela mídia e suas crises fabricadas todas as semanas de maneira ininterrupta.

Terço na mão e joelho no chão é fruto do fio condutor de nosso trabalho, que nasce de uma promessa que fiz à Nossa Senhora: que todo o trabalho que eu estivesse executando fosse para o uso d’Ela como uma ferramenta ou instrumento de sua vontade para a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Então, sempre utilizamos esta mensagem ao final dos programas, para que nós mesmos estejamos sempre despertos que, apesar de todos os problemas, más notícias e dificuldades que tratamos ao longo dos programas, o nosso verdadeiro foco está em nos lançarmos aos pés de Nosso Senhor.

Esmeril: Paulo, tendo em vista o recrudescimento cada vez maior da perseguição aos canais conservadores, tanto por meio judicial como por censura das Big Techs – vide o que houve com a sua antiga “casa”, o Terça Livre, que foi “tirado da tomada” por Alexandre de Moraes, e outros canais como Renova Mídia e Shock Wave, que encerraram suas atividades por insegurança jurídica – quais têm sido as estratégias do PHVox para escapar de um futuro cancelamento completo, risco quase certo para todos nós?

Paulo: Há pelo menos um ano e meio venho pessoalmente dizendo que este modelo de trabalho baseado no YouTube irá “ruir”… Coloco entre aspas, pois não acredito que o sistema será banido, mas que será sufocado a um ponto tal que será inviável para a maioria das empresas e profissionais independentes. Diante disso, cada empresa precisa encontrar meios de atuar e sobreviver de acordo com suas estratégias de atuação e comunicação com o público. Nós do PHVox temos investido em uma estratégia pautada na qualidade ao invés da quantidade, isto em via de mão dupla: de nós para o público e do público para nós.

Estamos atentos a formas de conseguirmos estar próximos do nosso público e de tornar o relacionamento, dentro das possibilidades, o mais “pessoal” possível, trabalhando principalmente da interação com eles. O nosso padrão de relevância para as métricas é diferente hoje do que o mercado considera, nossos objetivos e resultados hoje não estão mais focados na quantidade de visualizações ou curtidas somente, por exemplo.

Desenvolvemos, desde o ano passado, uma plataforma de cursos de formação; e agora em 2021 montamos em nosso site uma área de membros com diversos planos, que vão do “Primeira Redpill” a “Mestre da Redpillação”, com o oferecimento de vantagens que vão desde o acesso ao grupo de membros do PHVox no Telegram e descontos nos lançamentos de nossa editora a acesso a todos os cursos do PHVox (atuais e futuros) e descontos em eventos presenciais, por exemplo. Com isso, procuramos nos libertar da dependência das monetizações do Google, por exemplo, com os superchats e as inscrições de membros pelo YouTube.

Esmeril: Em setembro o PHVox estreou no mercado editorial com a publicação de Os EUA e o partido das Sombras. Falem um pouco sobre esse livro, como foi gestada sua ideia e como foi seu desenvolvimento etc. Dentro disso, falem um pouco também sobre a iniciativa da Editora PHVox.

Ivan: Já no início de 2020 começamos a realizar uma cobertura semanal com foco nas eleições americanas. Com tudo que aconteceu nos EUA e no mundo no ano passado, tivemos a oportunidade de acompanhar passo a passo o desenrolar dos fatos e como o jogo político e ideológico foi desenvolvido. Muitos fatos narrados pela mídia após o dia 03 de novembro não condiziam com os fatos a que assistimos, e muitos deles narrados por esta mesma mídia.

Com o grande expurgo que aconteceu nas redes sociais, proibindo inclusive que certos assuntos fossem abordados pelos meios de comunicação pelas Big Techs, o trabalho de traduzir a realidade ficou muito complicado. Com isso, o Paulo Henrique teve a ideia de criar inicialmente um curso que apresentasse as bases estruturais da política americana e como ela era controlada. Isso me soou como música, pois acompanho a política americana há muitos e muitos anos, principalmente por ela ter um impacto profundo na política da Europa, onde vivo já há vinte anos. Foi uma oportunidade de aprofundar e até mesmo organizar a experiência acumulada nestes anos.

Paulo: Comecei a trabalhar na ideia (e no profundo desafio) de criar um selo editorial ainda no primeiro semestre de 2020. Em setembro deste mesmo ano foi posta a pedra fundamental e primeiras negociações para que este projeto tomasse forma, foi exatamente um ano de trabalho entre o primeiro passo para começar o trabalho editorial até o lançamento do primeiro livro. A ideia da Editora PHVox é atuar em um meio muito específico no mercado editorial: o de conteúdo no combate às ideologias revolucionárias, de modo que as publicações funcionem como guias para os seus leitores, para que possam entender como atuam os agentes revolucionários, e entregar um conteúdo sistematizado definido em temas práticos para os nossos leitores, seguindo a mesma premissa do PHVox como um todo.

Eu acompanho a política americana de perto desde 2015, com um profundo interesse pelos bastidores do deep state e do stablishment, e no meio disto me deparei com o Partido das Sombras e os seus meios de ação e subversão de todo o processo político. Quando Ivan e eu nos conhecemos, conseguimos casar duas visões complementares do complexo jogo da política americana: a visão técnica e partidária (Ivan) com a visão dos jogos de interesses profundos e grupos que movem os bastidores da política (Paulo). Inicialmente começamos um curso para a nossa plataforma, onde trabalhamos a princípio com um fio condutor histórico, remetendo ao século XVIII e passando por pontos altos da história política americana e os principais personagens para chegarmos aos dias de hoje. A ideia evoluiu e, com o progresso do selo editorial, observamos a oportunidade de transformar este curso em um livro.

Da minha perspectiva, o grande desafio era precisamente fazer com que o leitor tivesse uma visão de como o Partido das Sombras pôde ser formado, não simplesmente começar a história nos anos 1980 no livro. Assim, planejamos todo um contexto de pesquisa que remete ao período da criação da Igreja Anglicana até o processo que levou à eleição de Joe Biden em 2020. Tudo isso em um livro dinâmico e ao mesmo tempo profundo, direto e com linguagem simplificada, para que seja acessível a pessoas que não fazem ideia da estrutura política americana ou mesmo que tenham a brasileira como referência.

Esmeril: O livro de vocês analisa a formação do Partido das Sombras nos EUA e sua influência na política e nas eleições americanas a partir de uma perspectiva histórica que remonta à Inglaterra do século XVI, como você acaba de mencionar. Falem um pouco sobre a importância dessa perspectiva histórica para entendimento de questões e inquietações presentes.

Paulo: Um dos principais preceitos que sempre levo a cabo nos trabalhos que desenvolvemos é a importância de estabelecer um fio condutor da história. Entender que as coisas não acontecem do nada é essencial, isto é um princípio do PHVox. Desta forma, procuramos estabelecer esta linha neste projeto, para que o leitor, ao terminar o livro, saiba muito mais além do Partido das Sombras, mas que ele tenha uma compreensão ampla do que é a política americana e consiga identificar facilmente os jogos de narrativa impostos no dia a dia pela mídia mainstream e pelos militantes nas redações.

É um grande desafio os brasileiros entenderem que, na prática, tudo o que acontece em uma eleição americana é importado para o Brasil dois anos depois. Assim, quem ler esta obra conseguirá ter uma visão clara de diversos movimentos.

Esmeril: Em seu livro, vocês falam sobre diversos personagens da história americana que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o desenvolvimento de políticas estatistas, ou o pensamento revolucionário, ou mesmo como players decisivos em resultados eleitorais, como Ross Perot. No entanto, há dois desses personagens que acabaram ganhando um destaque maior: Saul Alinsky e George Soros. Gostaria que falassem um pouco sobre essas duas figuras e sobre como é importante conhecê-las para entender não só a atual realidade política e cultural dos EUA, mas também a do Brasil.

Paulo: No livro abordamos diversos personagens relevantes para a história política americana, como os pais fundadores, Abraham Lincoln, Franklin Rooselvet, Richard Nixon, membros da Família Rockfeller, Henry Kissinger e muitos outros determinantes em diversos momentos. Mas temos duas figuras importantíssimas, como você mencionou, que são Saul Alinsky e George Soros. Mas existe uma figura extremamente importante em meio a tudo isto, que também é a ponte e elo de ligação entre estes dois personagens: a Sra Hillary Clinton.

George Soros é o homem forte por trás do Partido das Sombras, e, mais do que isto, ele é quem concebeu a ideia de adentrar a estrutura política americana, subvertê-la e controlar com grandes poderes o seu destino. Isso através de um jogo de tentativas e erros que levou quase 30 anos, e no meio do caminho encontrou uma grande parceira de atuação, que na época respondia como a Primeira-Dama dos EUA. Hillary foi determinante na concepção do Partido das Sombras, pois se Soros tinha o dinheiro e a vontade, Hillary trouxe as ferramentas para o trabalho.

Estas ferramentas eram as “13 regras para radicais”, formuladas com seu mentor ideológico, ao qual ela conviveu em pessoa: Saul Alinsky. Alinsky é um personagem profundamente desconhecido do público brasileiro e ocidental. Isso não é à toa, faz parte de sua estratégia e forma de atuação. Este personagem é tão determinante em tão diversos pontos, que após o lançamento do livro iniciei um trabalho em conjunto com o também autor André Assi Barreto em torno de Saul Alinsky. Isso resultou em uma série de aulas gratuitas e um curso fechado, de 14 aulas, sobre Alinsky. No livro dedicamos um capítulo inteiro para ele, porém não era o suficiente para entender esta figura e sua importância dentro do processo histórico, e assim colocamos este material em forma de video-aulas em nosso portal.

Alinsky é a base do radicalismo político, ferramenta essencial para a nova esquerda do século XXI e para personagens como Bernie Sanders formarem uma base de radicais envernizados de democratas. Se Antônio Gramsci concebeu a estratégia, podemos afirmar que Saul Alinsky entregou as ferramentas.

Esmeril: Paulo, durante o pré-lançamento de “Os EUA e o Partido das Sombras”, com os apoiadores do PHVox, você disse uma frase que não esqueci: “Assim como continua havendo um Estados Unidos depois de novembro de 2020, continuará havendo um Brasil após outubro de 2022, com ou sem Bolsonaro”. Gostaria que desenvolvesse aqui um pouco mais esse pensamento, sobretudo sob a perspectiva de proposta de longo prazo do PHVox.

Paulo: O despertar político de grande parte da população brasileira é recente, e ainda temos uma falsa visão de que elegendo um chefe do Executivo, ele por si só pode resolver todos os nossos problemas. Nós, o povo brasileiro, estamos bebendo um remédio amargo desde 2019 e percebendo como isto é um engano. Alterar o paradigma de uma nação leva muito tempo, e a esquerda trabalhou isso no Brasil por mais de um século. Os comunistas e socialistas trabalharam lentamente, subvertendo o povo por exatos 80 anos (de 1922 a 2002) até conseguirem tomar o poder, isso depois de diversas tentativas frustradas como a Coluna Prestes, a Intentona Comunista, a revolução prevista de 1964 (já com apoio chinês), entre outros episódios menores.

Independentemente do que possa ocorrer no próximo ano, o povo precisa entender que ele é o protagonista de sua própria história, e que ele por vezes levanta personagens capazes de representá-lo, como no momento é o presidente Bolsonaro, mas é necessária uma continuidade profunda, para o melhor (reeleição) ou para o pior (retorno da esquerda ao poder). Este amadurecimento passa por um processo em que o brasileiro consiga aplicar as ações que espera para a sua vida localmente, onde ele vive, e não somente em Brasília. Aliás, isso transcende e muito a própria política.

Os EUA são um grande exemplo disso: após o resultado das eleições de 2020, os americanos não ficaram de braços cruzados chorando na calçada. Eles começaram um plano de ação para retomar as instituições, limpando desde a base. Não pregaram uma revolução armada ou tomada do poder à força. Mas qual o motivo disso? Por pior que fosse o cenário, já tinham uma base sólida desenvolvida, uma cadeia de comunicação através dos rádios, centros de estudos e formação conservadores, institutos acadêmicos, uma rede de conservadores dispostos a criar redes de fomentos em líderes políticos e intelectuais, Think Tanks etc. Muitos podem estar pensando agora: “Mas no Brasil não tem isso!”. Justamente, não tem… Mas precisa ter. E só terá quando começarmos a trabalhar para isso, não podemos ficar apenas em uma guerra de hashtags no Twitter, discutindo com esquerdista e votando a cada 2 anos achando que isto vai mudar o rumo das coisas, pois não vai.

Precisamos de um trabalho de base sólido, como já bem disse em diversas oportunidades o Professor Olavo de Carvalho. Precisamos ter bons jornalistas, bons autores, bons poetas, bons pensadores, bons formadores de opinião, bons pais de família, bons padres, bons maridos e esposas. Existe um campo absurdamente vasto para ser trabalhado que vai muito além de ser personalidade de rede social e depois candidato.

Estamos fazendo a nossa pequena parte, seguindo o conselho do professor Olavo, criando uma parede de livros. Os EUA e o Partido das Sombras é a nossa humilde primeira contribuição, o primeiro dos nossos tijolos para esta parede.

Ivan: O Reino Unido é um grande exemplo de onde podemos chegar. A revolução aqui também avança em diversas frentes, mas tem um adversário feroz pela frente, pois os conservadores no Reino Unido pautam o debate: dominam muitos setores da mídia (escrita e falada), possuem jornais impressos conservadores, possuem um trabalho de formação política profundo e com participação popular.

Para o britânico, é comum que os parlamentares venham para as bases, façam reuniões abertas com a população, seja informado dos problemas locais e até mesmo cobrado se não estiver atuando para resolvê-los. O Partido Conservador possui células ativas em todas as cidades da ilha, onde realiza reuniões abertas com seus filiados ou não, ouve os problemas e leva isso para dentro da política. Há pessoas ativas trabalhando no dia a dia nas mais diversas áreas para que o resultado conjunto aconteça.

Com o PHVox, dentro de nossas limitações, queremos justamente ser uma peça dessa engrenagem para o Brasil, por isso procuramos um meio de atuação que era carente no Brasil. Mesmo não tendo o apelo da hashtag do dia, ou mesmo da crise olímpica da semana, desenvolvemos resiliência para conseguirmos alcançar os resultados, depositando sempre o resultado final nas mãos de Nossa Senhora.

Esmeril: Como membro dos apoiadores do PHVox, sei que há diversas novidades interessantes vindo por aí. Poderiam falar um pouco sobre algumas delas? O próximo lançamento da Editora PHVox, por exemplo?

Paulo: Temos um planejamento sólido para o ano de 2022, que envolve novas verticais e a ampliação do nosso trabalho dentro de tudo que foi exposto nas linhas acima. Na editora esperamos no primeiro trimestre dois novos títulos. Posso adiantar que será o relançamento de uma grande mente do Brasil, um verdadeiro colosso intelectual, que inclusive é um dos norteadores, digamos assim, do nosso trabalho.

Também pretendemos ampliar ainda mais a aproximação com nosso público, se as novas variantes políticas da Covid e seus consequentes reflexos de restrições, com a política do “abre-fecha” e do “proíbe-libera”, permitirem eventos presenciais ano que vem. Nossa grade de cursos também pretende aumentar já nos primeiros meses do ano.

Muito mais vem por aí, mas sabe como é: o segredo é o caminho para o sucesso…. TIC TAC!


“Moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira”.

Olavo de Carvalho

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela entrevistal estes Caras são feras. O que salta aos olhos sobre o PHVoX é o profissionalismo, a resiliência e humildade com que ao meu ver é o principal para o sucesso. Não esquecendo da importância do SR Sepúlveda que é de uma sobriedade admirável. Entre outros que alí participam. Parabéns ao Esmeril pela entrevista.

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