A eleição de Bolsonaro será um marco na história da decadência dos grandes meios de comunicação nacionais

A História mostra que desde os anos 1930, a mídia brasileira pode ter sido tudo, menos livre. No limite, é difícil saber se os governos que eram livres, mas não a mídia; ou se a mídia que era livre, mas não os governos.

De todo modo, é evidente que, entre Vargas e Dilma, nenhum presidente da República pôde prescindir do suporte midiático dos grandes veículos da imprensa brasileira para governar. Todos os que ousaram subverter esta lógica caíram.

Num recorte mais recente da História, nos é sabido que os presidentes da República, desde o regime militar até FHC, tinham que bater continência ─ e, eventualmente, ajoelhar ─ diante de Roberto Marinho e o Grupo Globo. Não é exagero dizer que a família Marinho governou o Brasil (ou parte dele) por décadas, sem nunca ter recebido um único voto. Democracia?

Ascesão do grupo Globo

O Grupo Globo ganhou muita força com o Regime Militar, que teve interesse ─ sim ─ em ver no país um canal de comunicações mega-influente capaz de intermediar a comunicação entre o governo e o grande público, de forma praticamente monopolista. Os militares contribuíram, portanto, para que a Rede Globo se tornasse o que se tornou: o maior império das comunicações brasileiras do século XX.

Concebida pelos militares como o “intermediário nas comunicações”, a Rede Globo se tornou tão poderosa após a saída de seus padrinhos políticos do poder, que seus dirigentes não tiveram nenhum pudor de manipular Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma para que seus interesses fossem atendidos, e usar todos os tipos imagináveis de artimanhas para chantageá-los, quando necessário.

Internet e reinvenção do entretenimento

É verdade, a televisão ainda faz parte de nosso dia-a-dia. Mas diga lá, leitor: você assiste, hoje, mais Globo ou Netflix? Globo ou Youtube? Globo ou Amazon Prime?

Mesmo que tenha respondido “Globo!”, você com certeza conhece um monte de gente que nem liga a TV, especialmente entre os mais jovens, certo? 

Pois bem, este era um quadro inimaginável 20 anos atrás, quando o país ainda parava para ver o capítulo final da novela. A perda de telespectadores traz consigo a perda de poder político, e os atuais dirigentes do Grupo Globo não perceberam isso a tempo.

Você se lembra que, já em 2016, Bolsonaro era recebido por multidões em diversos aeroportos do Brasil? Você se lembra que, já no início de 2018, essas recepções reuniam alguns milhares de pessoas? Lembra que cidades pararam para receber Bolsonaro? Pois bem. Se você viu isso, foi no Youtube ou Whatsapp.

O monopólio omite e a mídia livre mostra

Alguém viu a Globo noticiar algumas das recepções de Bolsonaro em aeroporto? Pois foram mais de 20, no total. Para o Jornal Nacional, porém, tais acontecimentos nunca existiram: a Globo se acostumou, nos anos 1990, ao fato de que ninguém poderia ser eleito sem o apoio dela. Sempre fez qualquer presidente sambar no miudinho para ser eleito e conseguir ficar no poder. Com Bolsonaro não foi diferente.

Quando a realidade se impôs, já era tarde demais. William Bonner, em tom fúnebre, anunciou a vitória de Bolsonaro para a presidência do Brasil nas eleições de 2018 e, pela primeira vez, elegemos um presidente que não só não teve o apoio da Globo, como impôs a ela a maior humilhação de sua história, ao citar literalmente o apoio de Roberto Marinho aos militares em pleno Jornal Nacional.

Globo vs. Bolsonaro será, muito provavelmente, a última grande batalha da qual o Grupo Globo participará. Dado o avanço da internet e a perda de prestígio da TV em geral, parece ser natural que, daqui pra frente, a família Marinho tenha cada vez menos voz no comando do país.

“Tempos sombrios” para a Rede Globo

Seja em 2022, seja em 2026, quando Bolsonaro sair do poder, é certo que a Rede Globo estará muito enfraquecida: o fim do sustento estatal à emissora já está gerando a demissão de grandes estrelas, e não há absolutamente nenhum sinal de que este quadro se alterará nos próximos anos. A Globo, como player político, acabou.

Especialmente no que tange a internet, Bolsonaro é um fenômeno. No mundo, os únicos políticos com mais seguidores em redes sociais que o presidente do Brasil são Donald Trump (presidente do país mais rico do mundo) e Narendra Modi (primeiro-ministro de um país com população seis vezes maior que o Brasil). Em número de engajamento ─ isto é, likes ─ Bolsonaro bate os dois, e é o primeiro do mundo entre políticos.

A adesão à internet era, em 2018, a única forma de qualquer outsider (não necessariamente Bolsonaro) driblar a Rede Globo e se tornar presidente do Brasil. Tendo a “barreira Marinho” sido quebrada, tudo leva a crer que os próximos pleitos políticos de grande porte serão mais focados na internet e nas redes sociais do que na TV.

Por fim, uma ilustração.

Antes de Bolsonaro, o Brasil já conheceu um candidato de personalidade tão ou mais marcante que o atual presidente. Ele era médico, tinha valores francamente conservadores, e era um cara extremamente carismático. Chegou a concorrer à presidência da República por duas vezes, e teve votações pífias em ambas. O nome dele? Enéas Carneiro.

Olhando para trás, parece muito evidente que o fracasso de Enéas para a disputa da presidência da República se deveu, essencialmente, à cobertura televisiva que era feita deste político. Tratavam-no como um palhaço digno de dó, muito embora ele fosse extremamente inteligente. Até Collor (sim, Collor!) ousou debochar de Enéas em debates eleitorais.

Tivesse Enéas vivido em tempos de internet, é muito difícil imaginar que o político do Prona não conseguisse angariar votos suficientes para, no mínimo, disputar um segundo turno de eleição contra Lula, Collor ou FHC. Sem a mãozinha monopolista da Globo, não é difícil imaginar que Enéas poderia ter superado, nas urnas, qualquer um dos medíocres que tiveram a injusta honra de presidir nosso país. Se teria ou não sido um bom presidente, é outra discussão.

O ponto é que em tempos de internet a circulação de informações se dá de forma horizontal e descentralizada, de modo que a criação artificial de um “herói” como Fernando Collor, capaz de se eleger sem qualquer empatia política com o povo, é extremamente improvável. A tecnologia da informação faz com que candidatos tenham que ir ao encontro de seus eleitores, ignorando a grande mídia.

A eleição de Bolsonaro para a presidência da República em 2018 será (re)conhecida, no futuro, como um dos mais importantes marcos na história da decadência dos grandes meios de comunicação do Brasil.

fim

8 Comments

  1. Dr Eneas Carneiro é, para mim, o maior expoente do conservadorismo na politica contemporanea antes de JMB.
    Falava de um nacionalismo muito alinhado a como este é definido por Yohan Hazov e não a usurpação de Vargas e dos Nazistas, que na real eram pregavam o Estadismo e não o Nacionalismo.
    A tese que teria ele provavelmente outro alcance se tivesse sobrevivido ate a era do YoTube, WhatsApp é boa.
    No entanto a tese do fim da Globo, sem querer ofender, seja boa para ClikBait, mas desconectada da realidade.
    Parece ser mais um desejo de todo conservador, que acaba sendo travestido de noticia de analise.
    A Globo tem apoio e defende integralmente a pauta dos Globalistas (sem trocadilho), Empresas como AMBEV (Paulo Lemam), Itau (dos clãs Setubal, Villela e Moreira Salles), expoentes globalistas tupiniquins, são anunciantes de milhões, e mesmo com a queda de audiencia continuaram patrocinando a Globo. Em 2022, os glonbalistas pretendem emplacar a via sensata, o inodoro Amôedo ou Doria (ou Hulk, rs) e acreditam que a Globo pode fazer um destes trastes chegar a presidência, garantindo a agenda globalista, manutenção dos monopolios e o retorno da maldita politica de coalisão.
    Eu ia adorar vendo a Globo falir, mas duvido que isto esteja realmente perto de acontecer.

    • Concordo plenamente, mas estou firme no propósito de não deixar isso acontecer no Brasil, nós não merecemos políticos desonestos e Globo fortes novamente.
      Vamos divulgar a revista Esmeril e canais de informações sérias, como Brasil Paralelo, Brasileirinhos, Instituto Borborma e tantos outros.

  2. Dr Eneas Carneiro é, para mim, o maior expoente do conservadorismo na politica contemporanea antes de JMB.
    Falava de um nacionalismo muito alinhado a como este é definido por Yohan Hazov e não a usurpação de Vargas e dos Nazistas, que na real eram pregavam o Estadismo e não o Nacionalismo.
    A tese que teria ele provavelmente outro alcance se tivesse sobrevivido ate a era do YoTube, WhatsApp é boa.
    No entanto a tese do fim da Globo, sem querer ofender, seja boa para ClikBait, mas desconectada da realidade.
    Parece ser mais um desejo de todo conservador, que acaba sendo travestido de noticia de analise.
    A Globo tem apoio e defende integralmente a pauta dos Globalistas (sem trocadilho), Empresas como AMBEV (Paulo Lemam), Itau (dos clãs Setubal, Villela e Moreira Salles), expoentes globalistas tupiniquins, são anunciantes de milhões, e mesmo com a queda de audiencia continuaram patrocinando a Globo. Em 2022, os glonbalistas pretendem emplacar a via sensata, o inodoro Amôedo ou Doria (ou Hulk, rs) e acreditam que a Globo pode fazer um destes trastes chegar a presidência, garantindo a agenda globalista, manutenção dos monopolios e o retorno da maldita politica de coalisão.
    Eu ia adorar vendo a Globo falir, mas duvido que isto esteja realmente perto de acontecer.

    • Concordo plenamente, mas estou firme no propósito de não deixar isso acontecer no Brasil, nós não merecemos políticos desonestos e Globo fortes novamente.
      Vamos divulgar a revista Esmeril e canais de informações sérias, como Brasil Paralelo, Brasileirinhos, Instituto Borborma e tantos outros.

  3. Mario C., não vai acontecer pois o POVO está com o Capitão e isso vale mais do que os bilhões delves. Vamos acreditar meu irmão e arregassar as mangas. É o que mais conga no momento.

  4. Mario C., não vai acontecer pois o POVO está com o Capitão e isso vale mais do que os bilhões delves. Vamos acreditar meu irmão e arregassar as mangas. É o que mais conga no momento.

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