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domingo, 19 setembro, 2021

Matt Damon “devia se deitar numa vala” por homofobia, dizem militantes

Revista Mensal
Aldir Gracindo
Aldir Gracindo é professor, escritor de artigos, palestrante, ativista político, realista esperançoso, nerd orgulhoso, nacionalista e violoncelista amador.

As polêmicas que cercam o ator e seu novo filme, Stillwater

Matt Damon está estrelando um novo filme, Stillwater, em que faz um operário petrolífero da cidade de nome homônimo, no Estado norteamericano de Oklahoma. No filme, ele vai para Marselha, França, tentar defender a filha (a também sempre imperdível Abigail Breslin) presa pelo assassinato de uma colega e namorada, que ela diz não ter cometido.

O filme, portanto, é um drama policial, com momentos de suspense e ação, que coloca juntas temáticas como paternidade, trabalhadores eleitores do Trump e homossexualidade, que parece ter dado certo como obra cinematográfica bem construída e relacionada com a realidade atual.

Estreou no festival de Cannes em 8 de julho, nos cinemas dos EUA em 30 de julho e teve uma boa recepção de público e crítica (73 e 76% no Rotten Tomatoes). A direção é de Tom McCarthy (que atuou em Law and Order e dirigiu Spotlight, que levou 2 Oscars em 2016) e conta também com a prestigiada atriz francesa Camille Cottin, no ótimo elenco. Infelizmente, ainda sem data de estreia no Brasil.

Esta semana, porém, os insuportáveis militantes acharam motivo para odiar o Matt Damon. Ele casualmente comentou em uma entrevista ter usado a palavra “fag” – versão reduzida de “faggot”, que em inglês significa “graveto” e também é um palavrão relativo a gay – ao contar uma piada durante uma refeição meses atrás. Ele disse ter se comovido por sua filha ter ficado triste e escrito um “longo e lindo tratado” para lhe explicar que a palavra ainda podia magoar pessoas. Matt então teria prometido à menina que não usaria mais o vocábulo polêmico, contou ele em entrevista ao inglês Sunday Times.

A história contada por Damon gerou revolta em gente ativista que se sentiu “decepcionada” pelo Jason Bourne ter “descoberto por uma criança e tarde demais” que a palavra é “perigosa” e alguns disseram que ele deveria “se deitar numa vala“. A notícia e o drama se espalharam e chegaram a praias tupiniquins, desaguando salgadas na nossa porção do Twitter.

Militante manda Damon deitar numa vala / Link – https://youtu.be/A0kg6DX8OWw

Matt Damon então declarou na última segunda-feira que, pessoalmente, nunca usou a tal palavra feia contra ninguém, que a conversa com a filha não tinha sido nenhum despertar e que não usa palavrão em sua vida pessoal, apesar de sua infância ter sido em Boston (onde palavrão é coisa comum) e ter começado a ouvir essa e outras palavras não tão educadas, mas nem sempre com intenção de ofender, antes mesmo de saber o que significavam. Ele também disse estar do lado da comunidade LGBTQ+.

Ora, já é conhecido o hábito de ativistas de extrema-esquerda de revolver o passado dos outros em busca de algum “pecado” politicamente incorreto e nunca perdoar. Ninguém pode mudar, rever posicionamentos para qualquer lado e todo mundo é alvo potencial de “cancelamento.” Então é de se esperar que alguns desses desequilibrados ‘justiceiros’ guardem rancor de Matt Damon para sempre.

Por outro lado, na conferência de imprensa em Cannes, Damon comentou também como a pesquisa que ele fez para o papel o levou a entender bem mais de perto os operários conservadores que elegeram Trump nos EUA. Uma empatia e respeito com as pessoas comuns que ultimamente não são nada comuns na bolha elitista de Hollywood.

Edição: Aqui, ao falar, nos tempos atuais de mitadores x lacradores, em “empatia” pelo homem simplão, eleitor do Trump, era de se esperar maus entendidos – o que realmente ocorreu. Explico melhor: Sabem aquela outra era, muito moderna e muito antiquada, quando se dizia “não quero tratar mal o gay, o travesti, o pobre, nem o crente, contanto que também não me tratem mal?” De “sejam excelentes uns com os outros?” Eu falo de lá, eu sou de lá, dessa época.

Conferência de Imprensa em Cannes / Link – https://youtu.be/c5vlEu9IuHM

Mas espere que tem mais polêmica. Amanda Knox, aquela americana presa na Itália acusada de assassinar uma amiga inglesa em Perugia, disse que o novo filme lucra às custas do drama real da vida dela. Após toda a confusão e irregularidades da Justiça italiana no processo e muitas apelações, Knox e o namorado italiano acabaram exonerados em 2015.

O meu nome me pertence? Meu rosto? E a minha vida? Minha história? Por que o meu nome é usado para referência a eventos fora do meu controle? Eu volto a estas questões porque outros continuam a lucrar com meu nome, rosto e história sem meu consentimento.” – diz Knox sobre o filme em postagem que ela fixou em seu perfil do Twitter (sempre o Twitter).

A imprensa, claro, fez sim comparações entre o enredo do filme e o caso de Amanda Knox. Tom McCarthy disse que o filme é “vagamente inspirado” na história real da moça. A produtora, Focus Features, não se pronunciou a respeito. Mas os investidores devem estar felizes: quanta gente tinha ouvido falar de Stillwater antes desse bafafá? De minha parte, estou esperando para assistir.

Com informações de Vanity Fair, Expresso, YouTube, BBC, Hollywood Reporter, Twitter e Rotten Tomatoes


O sucesso torna as pessoas modestas, amigáveis e tolerantes; é o fracasso que as faz ásperas e ruins.

W. Somerset Maugham

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