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sábado, 28 maio, 2022

HOJE NA HISTÓRIA | Morre André Rebouças

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

O engenheiro foi um dos principais nomes da causa abolicionista

Ele morreu no exílio, no dia 9 de maio de 1898. Depois de uma vida inteira dedicada ao progresso do Brasil, André Rebouças, testemunhando a injustiça perpetrada contra a família imperial, decidiu acompanhá-la ao exílio. Para o engenheiro de tantas e tão importantes obras públicas, o fim do Império marcou também o fim de sua vida na terra que o viu nascer.

Rebouças nasceu no seio de uma família modelo: miscigenada e influente. Na origem da família Rebouças estavam portugueses e negros que ocuparam postos importantes na sociedade. Seu avô, um alfaiate português, havia sido também advogado autodidata e, mais tarde, conselheiro do imperador D. Pedro II; seu tio, o Dr. Manuel Maurício Rebouças, para além de médico, exercera também o cargo de professor na Faculdade de Medicina na Bahia, e combatera nos conflitos da Independência.

André estudou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde concluiu o curso preparatório para o oficialato de 2º Tenente. Em 1859 ele obteve o seu Bacharelado em Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Militar da Praia Vermelha. No ano seguinte, André Rebouças obteve o grau de Engenheiro Militar. Ele teve seis irmãos, dois dos quais também atenderam à vocação para a Engenharia, Antônio Pereira Rebouças e José Rebouças.

No Rio de Janeiro imperial, André Rebouças ganhou fama pelo êxito dos seus projetos de abastecimento de água; ele construiu canais e encanamentos que trouxeram água diretamente dos mananciais fora da cidade. Enquanto Engenheiro Militar, Rebouças projetou um torpedo utilizado com sucesso durante os conflitos da Guerra do Paraguai. Seus projetos em prol do Brasil não se limitaram à capital; em 1871, juntamente com o seu irmão Antônio, André Rebouças apresentou o projeto de uma estrada de ferro a D. Pedro II a ser construída na então Província do Paraná.

A ferrovia ligaria a cidade de Curitiba à cidade costeira de Antonina. O projeto, no entanto, sofreu algumas alterações: a linha férrea passou a ligar Curitiba à cidade de Paranaguá, a cerca de 50 Km de Antonina. Atualmente, o porto de Paranaguá tem importância vital para a economia da região.

André Rebouças foi um dos principais representantes da nova classe média miscigenada que ascendeu durante o Segundo Reinado. Machado de Assis, Cruz e Sousa e José do Patrocínio figuraram ao lado do Engenheiro Rebouças naquela configuração social típica do período que, segundo o Sociólogo Gilberto Freyre, representara um marco para a “democracia racial” no Brasil.

Rebouças era amigo da família imperial. Assim como muitas personalidades influentes na sociedade da época, ele acreditava que o regime monárquico era a via mais eficiente para o progresso do país, como de fato revelara-se. Ao testemunhar a injustiça do golpe de Estado que pôs fim ao regime monárquico no Brasil e instaurou a ditadura republicana, André Rebouças decidiu embarcar rumo ao exílio. Ele morreu aos 60 anos de idade na cidade portuguesa de Funchal, na Ilha da Madeira. Era 9 de maio de 1898.


Com informações de LIMA, Manuel de Oliveira, Formação histórica da nacionalidade brasileira; e CARVALHO, José Murilo de, Os bestializados, O Rio de Janeiro e a República que não foi, Cia das Letras editora.


“Prefiro as desordens da liberdade ao sossego da escravidão”.

André Rebouças

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