Imagine uma sociedade em que cada um pudesse fazer o que quiseSSE, sem nenhum limite físico ou moral para a realização de seus interesses. Imagine que, tanto você, quanto todo mundo que você conhece e desconhece tivesse total liberdade para agir no mundo.

Imaginou?

Pois então agora me diga: existe alguma forma de garantir o direito à propriedade privada nesta sociedade onde todos são absolutamente livres para fazer o que quiserem?

Vamos um pouco mais além: existe alguma forma de garantir a integridade física das pessoas em uma sociedade que não impõe nenhum limite à ação daqueles que vivem dentro dela?

A resposta é não.

A liberdade total e irrestrita é, na verdade, o estado mais miserável em que um ser humano pode viver. Neste estado de coisas, não há moral, lei, direito, propriedade… nada. Não à toa, mesmo os povos mais primitivos possuem arranjos morais – normalmente de ordem religiosa – que ordenam a vida social e, consequentemente, delineiam o que é lícito e ilícito dentro de suas comunidades.

Uma sociedade com liberdade total é uma sociedade em que nada é garantido e todos vivem com medo. Para sair desta situação miserável, a solução encontrada pelo Ocidente foi a criação de leis e de governos investidos do monopólio da violência para fazer com que aquelas valham.

Coerção e paz social

Leis, embora limitem a liberdade das pessoas, servem para garantir que essas mesmas pessoas tenham integridade física e propriedade privada, pois leis geram direitos; direitos protegem os cidadãos; pessoas que atentam contra o direito de outras são criminosas; criminosos estão sujeitos a punições; punições são justas se forem executadas de acordo com a lei.

Ninguém gosta de reconhecer isto, mas é a coerção que gera a paz social. Nós, os cidadãos, atribuímos ao Estado o direito exclusivo de exercer coerção sobre nós porque acreditamos que, ao abrirmos mão de produzir justiça por nós mesmos, temos a garantia de um ambiente social mais pacífico e de uma vida mais estável do que teríamos se tivéssemos que fazer justiça com as próprias mãos a todo momento.

Por outro lado, isso significa que governos só existem porque seus cidadãos acreditam que possam garantir a paz e a tranquilidade necessárias para que todos prosperem dentro de suas fronteiras. Dessa forma, a razão da existência do Estado e seu respectivo governo é a crença de que, pela centralização do poder nas mãos de um governante – ou de um corpo governante – todos terão garantias de direito à propriedade e à integridade física.

Políticas identitárias e massacre do povo

No Brasil das últimas décadas, os governos estiveram muito ocupados criando leis para minorias em detrimento da maioria. Enquanto temas como cotas raciais, banheiros trans e combate ao machismo foram os pilares políticos de nossa agenda política (especialmente por influência da “nossa” esquerda), a população brasileira estava sendo trucidada: mais de 60 mil assassinatos (ou seja, toda a população de uma cidade como Mariana-MG) por ano.

A retórica esquerdista deixou – propositalmente – a segurança dos brasileiros em segundo plano, esquecendo-se que o governo (mesmo o esquerdista), só existe porque as pessoas querem paz e tranquilidade para poder aproveitar dos frutos de seu trabalho junto a seus entes queridos. De nada adianta uma sociedade tolerante em que as pessoas sejam mortas como baratas.

A comoção gerada pela retórica armamentista do governo Bolsonaro evidencia que a lavagem cerebral promovida pela esquerda nas últimas décadas deu certo: desde quando passamos a entender que devemos tratar com tolerância aqueles que apontam uma arma contra nós e/ou nossas famílias? Desde quando acreditamos que quem quer nos matar é, na verdade, a vítima? Desde quando quem trabalha pacificamente e não faz mal a ninguém é criminoso? Desde quando gente honesta, que sustenta o governo com seus impostos, merece ser roubada em nome da tal “justiça social”?

Você percebe que está tudo invertido?

Quando o presidente diz que “lugar de bandido é na cadeia”, e que a polícia não deve titubear em atirar contra marginais que constituam ameaça à vida de gente honesta, ele demonstra saber o óbvio sobre política: o Estado serve, em primeiro lugar, para garantir o direito à vida e à propriedade de seus cidadãos. Ninguém está obrigado a se submeter a um governo que não garanta, ao menos, isso.

Segurança como fundamento do estado

Ao contrário dos boçais que o antecederam no cargo, nosso atual presidente demonstra saber que a forma mais vil de opressão é aquela em que alguém tira a vida ou o fruto do trabalho de outrem de forma ilegítima (isto é: te mata ou te rouba, respectivamente). O Estado e as leis servem, em primeiro lugar, para garantir que ISTO não aconteça. Cotas raciais e banheiros trans vêm muito depois.

Afirmar que o direito à vida e à propriedade são totalmente prioritários em relação a políticas de “inclusão” de qualquer natureza não significa ser conservador ou direitista, mas sim lúcido.

Por fim, o debate sobre armas: a esquerda brasileira fica em frenesi quando é aventada a possibilidade do (re)armamento civil no Brasil. Levando-se em conta que a esquerda também reivindica ser a defensora da “igualdade” entre os cidadãos, isto é uma clara contradição em seus próprios termos.

Princípio de igualdade e armamento civil

Veja só: em relação ao direito de defesa, a igualdade entre os cidadãos só pode ser atingida de duas formas: a primeira, é aquela em que absolutamente nenhum cidadão tem arma. Se ninguém tem arma, então todos são incapazes e atirar uns nos outros. Igualdade.

A segunda forma é aquela em que absolutamente todos têm acesso a armas. Se todos têm direito a armamento, todos têm direito à defesa. Igualdade.

No Brasil, tem-se o pior dos dois mundos: as armas são proibidas pela lei, mas podem ser facilmente acessadas no mercado negro. Isso significa que aqueles que querem ter uma arma de modo legítimo não podem, mas os que querem ter armas para cometer ilícitos podem obtê-las em questão de minutos.

A injustiça e a desigualdade decorrentes de tal arranjo de coisas são flagrantes. Diante disso, causa grande espanto que exista alguém que, em sã consciência, afirme veementemente que o cidadão comum não pode ter uma arma igual à do bandido que o ameaça.

Isto causa ainda mais estranheza quando levamos em conta que a posição descrita acima é defendida com unhas e dentes pela mesma esquerda que se exaspera com acontecimentos do tipo machismo e transfobia. Ora, se a esquerda gosta tanto de igualdade, então por que é francamente contrária à igualdade de meios de defesa?

Função e limites do estado

Ao invés de comprar seus próprios armamentos, o cidadão dá dinheiro para que o governo se arme em seu nome para protegê-lo. Em decorrência lógica disso, a função do Estado é justamente garantir que o cidadão que o sustenta – via impostos, no caso – esteja seguro, pois este mesmo Estado só existe porque este mesmo cidadão está abrindo mão de fazer a defesa de sua vida e sua propriedade por meios próprios.

Se Bolsonaro reconhece que um país que não consegue proteger a vida nem a propriedade de seus cidadãos não tem legitimidade nenhuma para proibir que estes mesmos cidadãos se armem e exerçam a defesa que, em teoria, cumpre ao próprio Estado, isto não faz dele um direitista ou conservador, mas sim um homem lúcido.

fim

1 Comments

  1. Creio que esse texto é um equivoco total em uma análise epistemológica, vamos aos fatos.
    No primeiro parágrafo advoga que todo cidadão é criminal, afinal entende que uma sociedade anárquica é ingovernável e criminal. Desconsidera que uma sociedade anárquica se baseia SEMPRE nas consequencias, ou seja, se ataco o outro, serei atacado de volta, ou seja, minha opção é simples, ou eu mato o adversário ou serei morto! Só que em uma sociedade onde TODOS são capacitados, deletar um capacitado é comprar a fúria de todos os outros, é a pena de morte sem dúvida! Já em uma sociedade onde cada um é medíocre, tanto faz deletar um sem qualidade, ele não fará diferença e ninguém entenderá como algo ruim aquela subtração! É evidente que essa retórica só bebeficia a retórica criminal do estado e seus impostos, e pior, a violência desse estado contra quem não quer sustentá-lo.
    Um exemplo, eu não preciso de médicos, eu me basto e cuido de mim de forma ótima, tanto é que sequer me aproximo de remédios e médicos há quase trinta anos, daí, pergunto, porque maldita razão devo sustentar os claudicantes, os degenerados que entendem que uma cervejinha no happyhour é legal? Por que devo sustentar o picareta que entende que assistir TV tem serventia e que merece passar o tempo (só um completo insano entende que um ser que vai morrer tem tempo para passar)? Ou seja, é um ROUBO o sequestro de meu dinheiro para sustentar degenerados, mas é imposto, se eu não aceitar pagar serei preso (sequestrado com exigência de resgate, a fiança e o roubo subsequente, e se não aceitar ser preso serei executado sem direito de defesa, pela lei de auto de resistência! Ou seja, o estado é crime na veia SEMPRE)! É evidente que a defesa dessa lógica proposta é de alquem que acha que os outros devem sustentá-lo!
    Liberdade é sabermos nossos limites e se somos estúpidos para não entendê-los merecemos a morte sempre, pois o estúpido é um perigo para todos, sempre! E quem estabelece nossa liberdade é nossa interatividade e não um estado que entende que a violência é monopólio dele, tal estado não é diferente do grandalhão da escola que rouba lanche alheio, que bate nos mais fracos etc. E a forma de debelar esse bullying não é com leis, é com a agonia fundamental de macho quando mesmo menor, espera em emboscada e espatifa o crânio do valentão com uma tijolada! Só que em uma siciedade COVARDE, esse tipo de atitude é criminalizada, de forma que será delegado a outro “valentão, o estado, o poder de atacar o valentão! Essa proposta de estado monopolista de violência e brutalidade é tão criminal que chega ofende!
    Mas no segundo parágrafo a coisa piora, pois não se considera que o estado é o maior criminoso com suas agendas e leis feitas por meia duzia para todos, e só um irracional entende que os criadores de leis não irão se beneficiar em primeiro lugar, até porque se já monopolizaram a violência, o que não irão monopolizar a mais, se não TUDO?!
    O que garante a paz social nunca foi e nunca será a coerção, coerção só garante o sequestro, o roubo, a escravidão e consequentemente ROUBO dos coagidos, apenas isso! O que garante o equilíbrio social é a RAZÃO, e estou provando isso desmontando de forma fácil toda essa retórica! Mas é claro que uma sociedade onde se permite uma mídia degenerada e a destruição da integridade em nome do lazer, fica fácil emplacar tamanha incoerência! Afinal é sabido que mens sana in corpore sano, e não há mente sã em uma sociedade onde se glamouriza até planos de saúde, retirando do ser a fundamental responsabilidade sobre si mesmo! O que o estado garante são cidadãos com medo, e quem está acuado sempre irá buscar o ataque e por conta disso, o estado bandido sequestra as armas dos cidadãos!
    Isso que coloco é de uma evidencia cristalina, ao contrário da proposta do estado monopolista não só da violência, mas sempre de TUDO, pois quem tem a arma faz o que quer, e quem não tem só sobra aceitar ou ser sequestrado, oprimido e morto! Qual direito a propriedade cara pálida? A que o estado permite? Mas se ele detem o monopólio isso não é uma eviden cia de que só sendo abana rabo para o estado temos direito a propriedade ou qualquer outra coisa? Que liberdade é essa?
    Repito Krishnamurt: “em uma sociedade completamente doente não é sinal de saúde ser ajustado a ela!”
    E no terceiro parágrafo endossa tudo que estou contestando aqui, mostra de forma clara que todo estado é criminal se não é formado com a concordância e EQUIVALÊNCIA de todo e qualquer cidadão!
    Ou, seja, alega algo e depois mostra que esse algo não funciona!!! Ou será que os governantes brazucas são diferentes dos outros governantes? Se fossem, só aqui buraco de fezes seria entendido órgão sexual, e não é esse o caso!
    É mais do que evidente que os estados são organizações criminosas, ladras, e APENAS isso. Quebram as pernas dos cidadãos para venderem muletas!
    No quarto parágrafo tergiversa desviando a retórica do Presidente para relativisar a venalidade do estado!
    Qual é o mais bandido, os agentes do estado que sequestram as armas dos cidadãos, impõe roubo legalizado e violam os direitos de todos os cidadãos que não são agentes do estado, ou os bandidos que violam os direitos dos cidadãos?
    É evidente que o monopólio da violência nas patas do estado só beneficia os agentes do estado! Eu não quero estado para me proteger, até porquer NUNCA o fez e nunca o fará, eu quero é direito a comprar armas SEM 200% DE TRIBUTOS, fazer bombas inclusive (hoje só pode comprar sair que são usados para fazer bombas com beneplácito do estado bandido!
    E QUE O MAIS CAPAZ VENÇA E ESTABELEÇA UM ESTADO COMPETENTE, E NÃO UM ESTADO QUE BLINDA DEGENERADOS, SEJAM DOENTES, SEJAM CRIMINOSOS, SEJAM RETARDADOS! Pois com esse estado, até vagina vale o ânus de um doente e gente e fezes foram aquilatados, afinal sexo é reprodução e evidentemente o fruto de órgão sexual é gente, logo o fruto do “órgão sexual” também gente é!
    E no fim, no penúltimo parágrafo, defende o estado sem monopólio de violência permitindo o cidadão armado! E mais, no final volta a carga sem sentido, alegando que o cidadão extorquido pelo imposto delega para outrem sua segurança!!
    Isso não temo menor sentido, pois é evidente que SÓ O PRÓPRIO CIDADÃO É CAPAZ DE PROTEGER A SI MESMO, POIS É O ÚNICO QUE ESTÁ COM CONSIGO SEMPRE. E o estado??? Bem, esse só está presente na hora de roubar o cidadão de forma imposta, e claro, sempre com o monopólio da violência, pois se tentar tomar minha grana na mão grande desarmado, é vala, pois mesmo desarmado sou mais eficaz que qualquer agente do estado!
    Como mostro também tenho na lucidez meu arcabouço!
    Agradeço o espaço permitido à minha contestação.

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