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domingo, 5 dezembro, 2021

ET uma ova!

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Os sinais de rádio que aparentemente provinham dos confins da Via Láctea foram emitidos, a bem da verdade, da boa e velha Terra

Para a desolação daqueles que creram que estávamos diante de um contato imediato de primeiríssimo grau com seres de outros mundos, nossas condolências; não foi dessa vez que obtivemos respostas dos “deuses astronautas“. Os sinais de rádio provenientes de regiões distantes da Via Láctea produzidos por meios artificiais provocaram ondas de entusiasmo naqueles insatisfeitos com a vida na árida Terra.

No entanto, para encontrar a fonte emissora da radiação eletromagnética não será necessário embarcar numa viagem suicida de anos-luz de duração; a fonte da radiação está aqui mesmo, na boa e velha Terra. De acordo com dois novos estudos que foram publicados no periódico Nature Astronomy, os sinais de rádio que aparentemente provinham da estrela Proxima Centauri, detectados em 2019, eram, a bem da verdade, humanos, demasiado humanos.

A onda de entusiasmo atingiu primeiro a equipa do Radiotelescópio Murriyang do Observatório Parkes, na Austrália, quando os pesquisadores do projeto Breakthrough Listen detectaram o que eles denominaram “sinais de rádio promissores”. A radiação parecia provir da estrela mais próxima da Terra, a Proxima Centauri, uma anã vermelha que dista 4,24 anos-luz do observatório australiano. No campo gravitacional da estrela orbitam dois planetas dos quais um é bastante semelhante à Terra; abrigando possivelmente vastos oceanos.

Representação artística do planeta Proxima b e da estrela Proxima Centauri (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)

Após o processamento dos sinais de rádio, os cientistas ficaram animados com a possibilidade de a radiação ser uma “tecnoassinatura“, isto é, a subscrição de um alienígena de dedos verdes e compridos numa carta entregue via radiação eletromagnética. Contudo, os observadores sabiam que era necessário uma dose extra de cautela antes de confirmarem a descoberta da prova definitiva de vida extraterrestre.

Agora, passada a euforia das possibilidades, uma análise mais detalhada, mais caprichada revelou que os sinais de rádio não provinham de outro lugar senão da Terra. Os artigos cuja autoria é de uma equipa internacional revelam que as emissões de rádio eram “amplamente consistentes” com algo chamado intermodulação. Esse comportamento da radiação alienígena pode ser facilmente observado durante um show de Rock, por exemplo.

“Em um amplificador de guitarra, por exemplo, se você está ouvindo rock, Nirvana ou Black Sabbath, a guitarra tem um tom distinto distorcido. Isso porque você está deliberadamente ajustando os amplificadores e entrando em overdrive. Você pega as frequências e faz novas frequências”.

 Dr. Danny Price, coautor em ambos os artigos

O Dr. Price salienta que a sua equipa não acredita que a intermodulação fora feita de propósito por algum nerd delinquente carente de atenção; o cientista compara os efeitos a um “amplificador que não está funcionando corretamente”. Os sinais de rádio que se “misturaram de uma forma complicada” provavelmente provinham mesmo de uma área nas adjacências do próprio Observatório Parkes, e não de um rincão longínquo em outro sistema estelar.

Radiotelescópio Parkes, usado na detecção do sinal de rádio (Imagem: Reprodução/Red Empire Media/CSIRO)

Ademais, como se isso não bastasse para confundir os cientistas da Breakthrough Listen, os sinais eram bastante consistentes com alguma coisa movendo-se lentamente no céu; mais devagar do que um avião ou satélite, exatamente como seria se fossem emitidos por algum dos planetas que orbitam a Proxima Centauri. A dinâmica da radiação eletromagnética parecia estar sob um efeito Doppler, uma variação na frequência causada por um objeto que se move enquanto emite algum tipo de sinal, radiação ou ondas sonoras.

O fato é que o bom e velho método científico aplicado pelos astrônomos australianos não foi páreo para a malandragem dos sinais de rádio emitidos na vizinhança.

Com informações do CanalTech, do Jornal The Guardian e da revista Nature.

“A atenção é a mais importante de todas as faculdades para o desenvolvimento da inteligência humana”.

Charles Darwin

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