Guiado por um ultraliberal, o Brasil dá seus primeiros passos para se livrar de foices, martelos e escombros da Cortina de Ferro estatizante

Em 9 de novembro de 2019, celebramos os 30 anos da demolição do Muro de Berlim. 

O marco – que selou o crepúsculo da era conhecida como Cortina de Ferro (termo cunhado pelo lendário Winston Churchill) – não somente provocou significativo impacto na economia global, como, até hoje, ainda altera a forma como nos relacionamos com sociedades europeias comunistas antes isoladas do mundo ocidental.

OK. Você agora pergunta: qual seria a ligação do Brasil com essa efeméride, em meio ao desenrolar da Indústria 4.0? A quarta revolução industrial, não por coincidência, também decolou na Alemanha, em 2011, de olho na redução dos custos e focada no desenvolvimento das tecnologias digitais. 

Não é segredo que nosso país encontra muitos obstáculos para decolar nesse cenário – muito por conta de impostos, taxas e outras conjunturas tacanhas.

Sem perder o foco… e de volta ao fim da submissão dos países do Leste Europeu à extinta União Soviética, tento emplacar a seguinte analogia: três décadas mais tarde, o Brasil permanece extremamente dependente do estado – assim como as extintas repúblicas da Alemanha Oriental e Tchecoslováquia se encontravam em 1989.

Naquele período de explícita abertura (batizado de Glasnost pelo então presidente soviético Mikhail Gorbatchev), os países socialistas precisaram de muito esforço para se libertar das amarras e vícios comandados por Moscou, em busca de um perfil liberal, ainda que essa recuperação caminhasse sem muito alarde.

Na Hungria, por exemplo, o Partido Liberal nascera sem muita propaganda, um ano antes da queda do Muro, rompendo a barreira histórica com o comunismo, sinistro e estatizante. 

Já o Brasil… Bem, o Brasil tenta correr para recuperar os anos perdidos entre burocracia, excesso de estatais, medidas provisórias, custo-brasil, impostos e outros venenos anti-liberais…

Corrida contra o tempo perdido

Assim que o ministro da economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, assumiu os controles da máquina nacional em janeiro de 2019, uma série de propostas foi enumerada pelo economista ultraliberal, graduado pela Universidade de Chicago. 

A principal da lista foi, sem discussão, a aprovação da Nova Previdência, concluída em 23 de outubro, pelo placar de 60 a 19 no segundo turno de votações no Senado Federal.

Guedes celebrou o fim da jornada espinhosa como se comemorasse a queda parcial de um muro invisível na economia nacional. Para o economista, a aprovação da medida representou…

“Previsibilidade, segurança jurídica e diminuição do déficit público, condições essenciais para o nosso crescimento.”

Paulo Guedes, 23/10/2019

Naquele instante, o Brasil completava um trecho importante na maratona para se livrar das amarras que bloqueiam o seu desenvolvimento.

Paulo Guedes estava feliz. Mas seu apetite parece ser muito mais voraz, e não esconde suas presas. Seus rivais sabem disso – e sabem que estão perdendo a chamada boquinha.

Para todo Batman existe um Coringa

Na maioria dos casos, você sabe: a vida real se confunde com a fantasia. Pegue as HQs, por exemplo. Assim como o Coringa é antítese plena de Batman no combate ao crime de Gotham City, existem personagens no cenário brasileiro que insistem em tomar caminhos opostos quando o assunto é conjuntura econômica.

Recentemente, o ex-ministro Nelson Barbosa (o homem das pedaladas do segundo Governo Dilma Rousseff) saiu de seu retiro para disparar contra a política liberal, sem esquecer de linchar os ajustes fiscais do antecessor de Guedes, Henrique Meirelles.

No 16º Fórum de Economia da FGV, o ex-aluno ainda encaixou na pauta tripúdios ao governo Bolsonaro, comparando sua família com o reality americano Keeping Up With The Kardashians, e deu sua fórmula para o aquecimento econômico –

“Flexibilizar as regras de contenção dos gastos públicos para viabilizar investimentos  – mesmo que isso seja feito com aumento do endividamento público”

Nelson Barbosa – 9/9/2019

Era o Coringa em ação – gargalhando mais uma vez; repetindo os crimes passados…

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Mais de 841 mil empregos formais criados. Os números compilados pelo Governo Federal entre janeiro e outubro estão bem distantes dos sonhos do trabalhador brasileiro, mas representaram alta de 6,45% sobre o mesmo período de 2018 e o melhor resultado desde 2014 – último ano antes da grande derrocada.

Paulo Guedes está ciente de que a jornada será ainda mais espinhosa nos próximos três anos. 

Em sua agenda liberal, Guedes defende agora o fim dos encargos sobre a folha de pagamento dos trabalhadores. Sobre a medida, o carioca bradou:

“Nós estamos no caminho certo e vamos melhorar. O mundo está desacelerando – nós estamos acelerando. O mundo está se fechando – nós estamos começando a abrir, depois de 40 anos fechados”.

Paulo Guedes, 22/11/2019

Será que nosso muro finalmente está prestes a cair?


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