Como filtrar o que é fake e o que real no auge da manipulação das notícias. Fernanda Barth investiga.

Formamos opinião sobre determinado assunto através do que lemos, ouvimos, das conversas que temos, das experiências que vivemos. Quanto mais informação determinada pessoa obtém sobre um assunto, mais ela se acha qualificada para emitir sua opinião. Agora a questão central: Mas… e a qualidade destas informações que recebemos? E a veracidade delas? E a imparcialidade e isenção sobre o que lemos ou assistimos?

Temos atualmente ao nosso alcance mais informações disponíveis do que em todo o resto da história da humanidade combinada. Mas muitos destes dados são puro lixo, ou mentiras produzidas, unicamente, para gerar determinado efeito social.

A contrainformação e a contrapropaganda, armas comuns na espionagem e na estratégia política e militar, são abundantes. Pior: hoje elas são recorrentes o bastante para se passar por fatos, contando com a criminosa convivência de parte dos jornalistas e da comunidade acadêmica, atores protagonistas deste teatro do absurdo que vivemos.

Hackers chegaram a invadir o app Telegram de autoridades e manipularam notícias

Em tempos de deep fake, garimpar a verdade é trabalhoso, e grande parte da sociedade que não tem tempo disponível – ou habilidade para isto – acaba sendo manipulada. Quem trabalha com comunicação estratégica sabe que a opinião pública é algo moldável. Basta ter um objetivo, recursos, tempo e inteligência.

A esquerda tem trabalhado há anos com o deslocamento da Janela de Overton* em defesa de suas teses. Usam de todas as ferramentas possíveis para isto, alcançando alto nível cognitivo nas artes e na educação.

Durante os governos FHC, Lula e Dilma, jogaram todos seus opositores na Espiral do Silêncio. Aliás, uma das armas mais eficientes para construir a hegemonia cultural de esquerda (no mundo) foi a construção e implantação pedagógica (em escolas e universidades) do discurso politicamente correto.

Quando as redes sociais derrubaram o “Rei”

A mordaça mental imposta fez sucumbir países como a França e a Suécia. Destruiu o humor, criminalizou opiniões, fomentou políticas raciais e de gênero, perseguiu a diferença e a individualidade, a família e os valores tradicionais. A pressão sobre a opinião pública em direção ao politicamente correto rotulou e separou todos em identidades políticas distintas, chegando ao cúmulo de politizar até a sexualidade, criando identidades coletivas e extremamente limitantes, todos 100% ideologizados e progressistas.

A direita brasileira pouco a pouco acorda para esta realidade, vendo o que sobrou após décadas de guerra cultural assimétrica, começando agora a reagir ao novo estágio: a guerra de narrativas. Temos que agradecer ao advento das redes sociais e da internet barata por possibilitar a disseminação de informações diretas e instantâneas. Sem elas, não teríamos conseguido nos mobilizar para o impeachment da Dilma, tampouco em tantas outras questões políticas relevantes desde o mensalão.

 O Facebook, o Twitter, o Telegram tiveram papel decisivo ao servir como canais de exposição de opiniões individuais, mostrando que o rei estava nu (Lula), que a hegemonia de esquerda estava comprometida e que as pessoas não estavam sozinhas com suas ideias anti-esquerda, fossem elas conservadores ou de direita. Muitos saíram da Espiral do Silêncio e tomaram coragem de expor a sua voz. Isto não vai parar mais, pois trata-se de algo orgânico.

“Em tempos de deep fake, garimpar a verdade é trabalhoso, e grande parte da sociedade que não tem tempo disponível acaba sendo manipulada”

Na sanha de voltar a manipular a opinião pública como sempre fizeram, os que almejam manter o poder e controlar as massas têm o desejo incontrolável de censurar as redes sociais. Este é um projeto que ressurge de forma recorrente em todos os países. A disseminação da opinião livre se tornou um problema para o establishment – e sabemos que as fake news nasceram neste contexto justamente para confundir, desinformar, atrapalhar.

Por todos estes motivos, estejamos preparados. Nosso papel enquanto formadores de opinião e agentes de informação é de extrema responsabilidade. Temos a obrigação de continuar estudando, de buscar sempre a verdade na raiz de todos os acontecimentos. É com conhecimento e educação que dissipamos a névoa de ignorância e desinformação à qual gerações de brasileiros foram submetidas, justamente para que os mesmos se mantivessem no poder.

*A chamada Janela de Overton é uma expressão que designa um contexto onde ideias aparentemente impossíveis são plantadas na sociedade e manipuladas com sucesso por um grupo específico. O termo empresta o nome do ex-vice presidente do centro de políticas públicas de Mackinac, nos EUA, Joseph P. Overton.
Fim
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