Ao longo de um corredor de castelo, vê-se duas portas de correr nas extremidades. São as maiores salas de dança da academia. O acesso aos interiores é restrito aos dançarinos. Mas a trilha sonora emana por baixo da porta e atinge os acompanhantes na sala de espera.

Volta e meia, uma fila de bailarinas surge na entrada do corredor rumo à ante-sala. Volta e meia, a música pára e ouve-se vozes corrigindo o corpo de baile. 

O tom picotado do ensaio tinge o nexo de quem espera à música embalando os passos invisíveis. Todas as terças e quintas, entre oito e nove da noite. 

A certa altura, o clic-clac do metal contra a lajota denuncia a saída das crianças que aprendem sapateado. Ela chega sedenta e sorrindo, louca para mostrar os passos recém-aprendidos.

Verte a garrafa d’água, descemos a escadaria e vamos embora em meio ao relato.

Entra mundo, sai mundo, as pessoas fazem do corpo um pincel e decoram coreografias. A alma da música move o corpo há milênios. Tragicamente. Euforicamente. Tacitamente. Em dois ou mais tempos, a um passo perene. 

A busca pelo belo nos anima e nos integra ― como o som da música.


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