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terça-feira, 19 outubro, 2021

A BELEZA IMPORTA丨Sexo no cinema

Revista Mensal
Lobohttps://www.facebook.com/atocadolobomau
Autor e criador da página @atocadolobomau Uma página de ideias, pensamentos e um pouco de poesia.

Desde que a atriz Audrey Munson arrancou a primeira calcinha frente às câmeras, isto em 1915 no filme Inspiração, o erotismo no cinema tomou proporções irrefreáveis para a sorte dos (e das) voyeurs do mundo todo e claro, para a inspiração de amantes inspirados.

Audrey Munson

E não adianta vir com este papo equivocado de que tudo é obra de machismo, etc, etc, pois não sejamos hipócritas, já que todos (independente do gênero) sabem que as atrizes, e muitos atores, desde aquela época, sempre usaram (e muito) o sexo e toda sexualidade em seu favor. 

E se há acordo entre profissionais maiores de idade e cientes do trabalho que executam, não há nada de errado com isto.

O erotismo é a nossa eterna vontade de negar a morte, é a nossa afirmação da vida, pertence ao sagrado e se diferencia muito de sua prima-irmã, a pornografia, em aspectos estéticos e éticos, num conteúdo mais implícito do que explícito, apesar do cinema algumas vezes também ser protagonista de grandes obras unindo estas duas vertentes, como o caso de “Por trás da Porta Verde”, “Garganta Profunda” e obras de diretores mais contemporâneos (e ousados) como o argentino Gaspar Noé e o polêmico dinamarquês Lars Von Trier. 

O cinema mundial resgata ainda a estética do sexo, que nos torna receptivos a um repertório quase infinito de emoções eróticas, afinal a arte é cúmplice do amor – tire o amor e o desejo, e não haverá mais arte, e sem esta não há quase nada! 

Levantando esta bandeira (sem trocadilhos metafóricos), autores, diretores e acima de tudo atores/atrizes vêm nos alimentando nestes mais de um século de erotismo e sedução através deste buraco da fechadura mágico conhecido como cinema. 

Claro que o sexo no cinema – não dentro das salas – também nos é oferecido em diversas vezes de maneira superficial, que mais insinua o fato do que o explora, assim como quando surge no ar aquele clima barato de romance, uma música sexy ao fundo, uma cama desarrumada e cenas feitas sob uma câmera nebulosa com cortes parciais feitos sob medida para a sessão da tarde, criando o erotismo grosseiro, ralé e censor. 

Mas ainda bem que existem roteiristas criativos, diretores ousados e atores audaciosos, que topam ir um pouco mais longe do que o casual, nos transportando para um universo paralelo erótico com cenas que permanecerão tatuadas em nossa memória e em eterna exibição na tela de nossas fantasias sexuais, alimentando-nos a imaginação e nos enriquecendo como amantes. 

Brigitte Bardot, 1967, fotografada por Jean-Pierre Bonnotte

Estrelas como Brigitte Bardot, Marilyn Monroe, Sharon Stone, Jane Birkin, Nicole Kidman, a nossa Vera Fischer,  entre uma infinidade de outras mais, doaram-se aos respectivos personagens, a ponto destes dividirem conosco momentos de extrema intimidade, nos tornando cúmplices de seus desejos mais obscuros.

O mestre Buñuel já afirmara que: “Todo desejo tem um objeto, que sempre é obscuro. Não existem desejos inocentes”.  

Catherine Deneuve em “A Bela da tarde”, de Luis Buñuel

São estes momentos – aulas para casais atentos – excitantes que ficam imortalizados em celulóide e na nossa imaginação. 

Podem ser sensíveis, constrangedores, bizarros, agressivos, cômicos, proibidos e porque não todos estes em uma só cena? O cinema nos dá margem às mais diversas fantasias de grande importância na nossa vida sexual, pois nutrem nosso desejo e ampliam as nossas diversas motivações para o impulso sexual, fornecendo-nos assim uma vida mais saudável e plena. Afinal, sexo é saúde, correto? 

O sexo é uma das vastas alegrias que a natureza nos proporcionou, é um presente distribuído de forma democrática e que só depende de nossos corpos – e para os mais avançados, de nossa mente, é claro – e algo que merece ser celebrado, mas que, apesar de sua qualidade humana desde os primórdios do mundo, tem sido vítima de algo também humano, como a hipocrisia, que insiste em transformar uma dádiva em pecado mortal.

Jane Birkin em “La Piscine”, 1969

Esta estúpida e hipócrita onda de cancelamentos está tornando tudo mais sem graça, sem nenhuma vida, sem sabor. Tudo agora se tornou pecado regado a vitimismo barato e puro para se tornar o centro dos holofotes.

É a censura voltando muito mais forte do que já foi no passado.

De todas as aberrações sexuais, com certeza a mais singular talvez seja a castidade e a mais covarde, a castidade disfarçada. O próprio cinema nacional tentou escapar da atual “castidade disfarçada” na época da pornochanchada, onde éramos mais liberais e menos hipócritas. 

O que era muito mais belo e menos vulgar? A bela Helena Ramos, sempre sexy, ou alguma cantora de ritmo popularesco exibindo nas câmeras, sem nenhuma sensualidade, cenas de quase um exame ginecológico?

Me parece óbvia a resposta e lamentável por nos mostrar onde chegamos. Mas eis que nossa liberdade de expressão e acima de tudo, nossa liberdade de escolha, hoje ainda pode nos abrir portas – verdes, aliás – para alimentarmos nossa libido com filmes “vitaminados” ou manter-nos empanturrados com este junkie food de músicas de melodia pobre, repetitiva e com letras absurdamente vulgares, aliás transbordando misoginia, mas aí, sabe-se lá o porque, aceita até pelas feministas atuais.

E o que dizer então dos reality sexy brega shows, que entre todo o apelo de pornografia grotesca e brochante, coloca seus participantes numa figura sexual abaixo de cachorros grudados numa esquina, eliminado drasticamente qualquer chance de algo ligado à sedução ou ao erotismo. 

Abaixo a toda e qualquer vulgaridade.

Um brinde a toda forma de erotismo e suas vertentes artísticas, sejam elas quadrinhos como de Manara, pinturas de Egon Schiele, poemas de Anais Nin, fotografias de Jan Saudek, ou até mesmo os livros deste humilde cronista que vos escreve.

Tanto Lolitas, minha HQ, e o guia internacional do cinema e sexo, o completo Sexo, Cinema & Dois Corpos Fumegantes estão aí para provar. 

A fantasia será sempre a mola propulsora de nossa satisfação sexual. Gozem em 24 quadros por segundo e mantenham acesa a chama da paixão e do amor na tela do seu prazer sempre em movimento!

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