Encomendada em 1497 pelo cardeal francês Jean Bilheres de Lagraulas, a obra se encontra hoje na Basílica de São Pedro, no Vaticano

Esculpida no período de um ano em um bloco de mármore de Carrara – escolhido após longos nove meses pelo próprio Michelangelo – a Pietà segue os preceitos da “proporção divina”, assim como diversas outras obras assinadas pelo mestre italiano nascido na cidade de Caprese, em 1475. Nela, você pode apreciar toda a genialidade do artista, à época com apenas 24 anos de idade.

Simplesmente impressionantes são os detalhes da escultura criada na Alta Renascença, que se destacam por seu realismo.

Quem contempla a Pietà de Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (seu nome completo), se curva imediatamente à sua profundidade e a todo amor impresso no processo criativo. Aos nossos olhos, ela parece estar viva – o que desperta outro sentimento: o de incredulidade, tamanha sua perfeição. É possível afirmar que a pedra, antes um objeto morto, parece ter conquistado movimento e leveza – de forma mística. Mais do que isso, o rosto da virgem desenhado pelo genial escultor aparenta ser assombrosamente humano. Quase um milagre.

“Pura e incorruptível”

Logo ao finalizar sua obra-prima, Michelangelo classificou a Pietà como uma virgem pura e incapaz de envelhecer – incorruptível por Sua Imaculada Concepção. Nas palavras de Dante Alighieri, no Paraíso, Michelangelo teria recitado: “Virgem mãe, filha do teu filho”…

Vale destacar que a Pietá é a única obra assinada pelo mestre italiano durante sua inigualável jornada – algo que envolve uma história bastante peculiar. Está escrito na faixa que perpassa o manto da Virgem:

MICHEA(N)GELVS BONAROTVS

FLORENT(INVS) FACIEBAT

Em latim:  o florentino Michelangelo Buonarroti que a fez

Contam os historiadores que Michelangelo assinara a Pietà por muitos duvidarem ser ele o autor verdadeiro, considerando sua pouca idade. Michelangelo teria ficado furioso com a acusação e inscreveu seu nome na obra às ocultas, na igreja. Que não restasse dúvidas sobre o verdadeiro autor da escultura.

Sentimento em comum entre as mães

Nesta edição especial dedicada à mulher, é obrigatório lembrar que a Pietà desperta um sentimento comum entre a mãe de Deus e as demais mães: a imensurável dor de perder um filho. Fato: Dizemos que somos preparados para a perda dos pais, mas nunca dos filhos. Essa é uma morte cruel, que depõe contra a ordem natural dos seres.

A imagem de Maria com Jesus morto em seus braços também é simbólica para todas as mães que perdem seus filhos em guerras de todos os tipos, onde os jovens são sacrificados em lutas de democracias contra tiranias. Tudo em defesa da vida e dos valores maiores que precisam ser preservados, em eternos embates entre o bem e o mal.

Basílica de São Pedro: o lar da “Pietá” no Vaticano

Ser mãe, no sentido completo e atemporal da palavra, envolve amor infinito, abnegação, auto sacrifício, resignação, doação, responsabilidade. Ser mãe é divino e absolutamente belo, pois a missão mais importante de todas é criar um ser humano íntegro, responsável e correto e o preparar para a vida no mundo – mesmo sabendo que ele poderá sofrer, adoecer ou até morrer no processo.

E quantas mães não acabam aprendendo lições maravilhosas com os filhos, que nos ensinam a ser pessoas melhores todos os dias? A ponto de se dizer que somos, às vezes, filhas dos nossos filhos.

Por isso a expressão mais pura do amor e da piedade são, este mês, uma imagem para guardar.

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

3 Comments

  1. Que inspiradoras essas reportagens…eu me senti especial. Essa revista representa as mulheres em sua força e sensibilidade. Obrigada.

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