Saiba mais sobre a startup cinematográfica nessa entrevista exclusiva que revela detalhes sobre o passado, o presente – e até o futuro da empresa que ousa mostrar os lados ignorados da história

“Não acredite em ninguém. A verdade está lá fora…”

Foi em meio à “atmosfera ufológica” de Arquivo X e do longa Interestelar – e motivado pelos segredos da lendária base americana Área 51 – que a hoje renomada Brasil Paralelo despontou em 2016 como alternativa para ligar os pontos de períodos não abordados pelos historiadores. Alguns deles, por questões puramente ideológicas.

Concebida em Porto Alegre, a startup cinematográfica foi forjada em meio a manifestos antigoverno (como a que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff).

Naquele instante peculiar, os movimentos de rua não só despertaram, como revitalizaram grande parte de uma juventude preocupada com o eventual destino melancólico de uma nação “à beira de uma Venezuela”.

No meio desses descontentes estavam três empreendedores, inspirados por liberdade política e liberalismo econômico: Filipe Valerim, Henrique Viana e Lucas Ferrugem. Juntos, eles dariam à luz documentários de impacto, como 1964: O Brasil Entre armas e livros.

Para orgulho e realização total do trio, a produção trouxe à tona conteúdo esclarecedor, graças ao material original apurado junto a fontes fidedignas nacionais e internacionais.

Embalada por aspectos similares de curiosidade, a Revista Esmeril partiu rumo à nova “base secreta” da Brasil Paralelo em São Paulo com uma missão: revelar o que o público – cada vez mais fiel e ávido por novidades históricas – deve receber a partir deste ano.

São Paulo, 14 de janeiro de 2020 – Avenida Paulista

O local ainda está vazio – algo que faz de nossa expedição ainda mais especial. O novíssimo QG da Brasil Paralelo está prestes a abrir para os negócios, e nota-se ao redor uma decoração simplesmente fascinante. Com ambiente amplo, arejado e rústico, o escritório é povoado por globos terrestres, quadros e mapas da era colonial.

Tudo parecia (e comprovou ser) ideal para uma entrevista minuciosa com Henrique Viana, um dos três sócios da empresa.

Bastante solícito, cordial e motivado pelas recentes conquistas, o cineasta/pesquisador escolheu uma das salas mais confortáveis de sua base para conversarmos sobre passado, presente e futuro. O melhor de nosso “documentário” sobre a Brasil Paralelo você confere a seguir.

CENA 1 – INTERNA – QG DA BRASIL PARALELO

Revista Esmeril – O nome Brasil Paralelo tem diversas origens. Qual delas você diria que melhor define a produtora?

Henrique Viana – O nome surgiu de uma imersão criativa e tivemos uma certa inspiração na Área 51 (base mantida pelos EUA, suspeita de abrigar experimentos com alienígenas) – e tinha um clima de operação secreta. Nós conversávamos com pessoas na área de cultura, produtoras de cinema, agência de publicidade e tínhamos meio que esconder o fato de que faríamos conteúdo que promovia ideias liberais e conservadoras. Era meio subversiva.  

Revista Esmeril – Então, o “paralelo” aqui abre espaço para interpretações de forma proposital?

Henrique Viana – A gente sempre teve uma ideia muito clara de que as soluções para cultura não passam pelo estado; pelas mãos de burocratas e, principalmente, de políticos. Então, o paralelo remetia sempre a algo “paralelo ao estado”.  Já a marca Brasil Paralelo é bastante inspirada no filme de Christopher Nolan, Interestelar.

Revista Esmeril – Como você resumiria os primeiros episódios da Brasil Paralelo? Quais foram as fontes inspiradoras para ela sair do papel?

Henrique Viana – Em 2013, digo por mim – e acho que também posso falar pelos meus sócios, Lucas e Felipe – foi quando realmente começamos a estudar. Ficamos naquela sensação de querer saber o que estava acontecendo e percebemos o quanto éramos ignorantes da situação.  Lembro que as primeiras referências foram a do Instituto Mises Brasil (organização ultraliberal fundada por Fernando Fiori Chiocca, Cristiano Fiori Chiocca e Hélio Coutinho Beltrão), baseadas nas ideias liberais austríacas. Eles tinham muitos artigos sobre economia e filosofia, fáceis de se absorver – e vendíamos livros, também. Aprendemos muito com eles para sair um pouco da matrix. Outra fonte principal foi o COF, e os vídeos do (autor e filósofo) Olavo de Carvalho no YouTube.

Sempre tivemos essa dupla referência, conservadora e liberal. Até hoje perguntam…o que você são? São Olavistas? Nós respondemos sempre que somos estudantes. Já em 2015, começamos a promover encontros e palestras sobre esses temas e levamos um pouco desse conhecimento às pessoas que apenas estavam nas ruas contra a esquerda e não tinham muita bagagem. Tínhamos uma certa pretensão ingênua de ser professor da turma, mas na verdade achávamos que poderíamos passar algo para as pessoas.

Revista Esmeril – Então, antes da produtora nascer vocês se dedicavam às palestras – mas palestras de verdade, certo? (risos)

Henrique Viana Sim, é verdade. As reuniões começaram a crescer e chegavam a atrair mais de 100 participantes num salão. Quando chegamos em 2016, achamos que havia chegado a hora de desenvolver um projeto consistente, com uma estruturação e iniciativa privada, investimento próprio e fim lucrativo e para que pudéssemos viver desse trabalho.

Revista Esmeril – Vivendo em um país dominado pela ideologia de esquerda, vocês não temeram ataques e ações de boicote?

Henrique Viana – Não tivemos medo disso. Achamos que qualquer ataque que receberíamos seria uma vitória. Uma publicidade gratuita. Sei que muita gente passou por maus bocados. Não tivemos esse tipo de confronto por causa de nossa independência. Os únicos que podem ameaçar nossa carreira são nossos assinantes. Se lançarmos um documentário que eles não aprovem, isso pode afetar a empresa. Em nosso caso, os ataques sempre nos ajudaram. E para que isso fosse positivo para a Brasil Paralelo, tivemos de estar preparados, embasados para responder e em busca de melhorar.

Revista Esmeril – Em meio a mais de 300 entrevistas e matérias feitas para os documentários e projetos, quais foram as que você destacaria como reveladoras?

Henrique Viana – Boa pergunta (pensativo). Muitas pessoas marcaram nossa trajetória. Olavo de Carvalho foi uma delas – mas não fora da expectativa, já esperávamos uma grandiosa participação. São coisas que olhamos e ficamos espantados pela forma de explicar as coisas, pelo dom que Olavo tem de se comunicar.

Mas temos algumas entrevistas que nos surpreenderam. Uma delas é a do príncipe (e atual deputado federal) Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Após o lançamento de nossa primeira série, ele me ligou, em (23 de dezembro de 2016) e me disse: acho que vou criar uma página no Facebook, porque as pessoas querem me seguir. A entrevista foi realmente excelente. E não o entrevistamos como príncipe, mas como cientista político. Ele conseguiu abordar o tema de uma forma bastante didática, comparando os ciclos de poder no Brasil. Acho até injustiça termos um deputado como ele tendo que bater boca no congresso.

Outra entrevista foi a do Rafael Nogueira (professor de cultura clássica e novo presidente da Biblioteca Nacional). Meu cunhado me ligou um dia e disse: Estou num curso aqui e fiquei simplesmente apaixonado. O Rafael Nogueira é sensacional, ele tem que participar do seu projeto. Combinamos tudo e fizemos a entrevista com ele numa noite e ficamos surpresos com o seu conteúdo. Desde aquele dia, criamos uma parceria e uma amizade com o Rafael Nogueira, que permanece como nosso colaborador.

Revista Esmeril – Nos últimos tempos, muitos brasileiros voltaram a olhar para os tempos do Império com bons olhos, redescobrindo as conquistas culturais e econômicas daquela era. Em sua opinião, o Brasil poderá voltar a ter um poder moderador?

Henrique Viana – O que eu disser aqui será pura especulação. Nossa bandeira é a da expansão da consciência política e cultural. Mas, dito isso, fazendo uma futurologia, o Brasil tem uma essência monarquista. Ele nasce com uma relação muito íntima com a família imperial. Foi uma relação positiva de crescimento, com suas qualidades e defeitos – mas existe uma evolução de uma sociedade em formação para uma sociedade formada. O império passou por instabilidades e sobreviveu, com um período estável que a república não viveu. Talvez agora, após o impeachment, tenhamos alguma estabilidade. Mas tudo é muito ruim (com a república).

Em resumo, podemos dizer que existe, sim, uma possibilidade de reconciliação emocional com a monarquia – nosso imperador tornou o Brasil independente. Agora, se isso vai acontecer, não dá para prever. Sempre digo: acho que resgatar a monarquia não é o termo. Se você quer realmente colocar a Família Real numa posição de importância talvez seja melhor dizer “evoluir para um modelo monárquico”. Não estamos mais no século XIX. A própria monarquia inglesa que é um exemplo de longevidade passou por modificações.

Revista Esmeril – Além dos documentários que abordam períodos da história com profundidade vocês produziram curtas sobre política internacional e debates. Quais foram os mais bem-sucedidos na sua visão?

Henrique Viana – A produção sobre a Venezuela é um caso engraçado. O documentário tem um formato que deu muito certo, mas que não demos sequência. Foi o segundo documentário mais visto em 2019, depois de 1964: o Brasil entre armas e livros. Estamos pensando em resgatar esse tipo de documentário em breve.

Já sobre nossas mesas redondas sobre políticas, tivemos uma com Filipe G. Martins (hoje, assessor especial da presidência) fazendo uma previsão que o segundo turno seria entre Bolsonaro e o PT. E ninguém àquela altura tinha ideia em 2017 que Bolsonaro teria essa viabilidade. Em 2019, voltamos a fazer esses debates, só que sobre educação dos filhos, respeito…sobre a nova mídia. Não é um formato tão agradável como os documentários, mas é um néctar de conhecimento fantástico. Então quem viu os debates de 2017 pegou bastante informação protagonista.

Nosso princípio é o da honestidade intelectual. Se você entrevista uma pessoa e só quer desmoraliza-la, você não está fazendo um trabalho honesto.

CENA 2 – INTERNA – MP CENSURA DOCUMENTÁRIO

Revista Esmeril – Como surgiu a ideia de produzir um documentário sobre o delicado tema “fraude nas urnas”, que acabou sendo bastante ridicularizado pela mídia tradicional em 2018?

Henrique Viana – Certo dia, nos ligaram falando sobre um especialista em dados que comentava sobre a possibilidade de haver fraudes nas urnas nas eleições presidenciais. Entendemos que era um tema importante. Pegamos um avião e fomos à residência desse especialista. Não havia comprovação de que as urnas eram seguras, então fizemos essa investigação. O resultado foi um minidocumentário chamado Dossiê Urnas Eletrônicas. Esse vídeo foi o mais visto no dia. Lembro que entrei no Uber e o condutor me perguntou: “Você viu esse negócio que está circulando sobre as urnas?”

Então, ele me mostrou o celular e era nosso vídeo, e que já tinha viralizado.  Foi uma operação que a gente já sabia que estava numa linha tênue, porque não afirmávamos que havia fraude nas urnas. Não. Não tínhamos provas, mas mostramos também que não era possível afirmar que as urnas eram à prova de fraudes.

Revista Esmeril – O sucesso do vídeo levou o MP a abrir os olhos e a censurar sua produção, certo?

Henrique Viana – Sim, fomos surpreendidos. Na véspera da eleição de 2018, nosso vídeo Dossiê das Urnas só crescia em visualizações. Descobrimos que o Ministério Público já havia entrado com um mandado para o YouTube tirar o vídeo do ar, e eles tiraram. Foi censura. A alegação foi bem frágil, dizendo que era fake news. E não tinha fake news, tomamos muito cuidado antes de produzir o documentário. Depois de uma semana, ganhamos o processo na justiça. Mas naquele momento, as eleições já tinham terminado.

Revista Esmeril – Como produtor de cultura que requer investigação e muita apuração, muitos obstáculos devem ter aparecido desde o início da Brasil Paralelo. O que você poderia falar sobre a jornada da empresa desde 2016?

Henrique Viana – A maior dificuldade, na verdade, é a de construir uma narrativa que contenha muitas informações e que seja didática para o público. Não há dificuldade com as fontes. O mais difícil é nunca estar satisfeito com as fontes. Seria muito fácil deixar apenas uma versão com o Olavo de Carvalho, porque ele é muito bom.  Nós brincamos com ele: olha, se você errar, nós vamos colocar no documentário as contradições. Mas isso é muito difícil, porque ele é muito bom no que faz e dificilmente tem uma falha muito grande.  O desafio é manter a honestidade intelectual e fontes que possam contradizer o que você já mostrou.

 Já a busca pelas fontes então inéditas que usamos para fazer 1964: o Brasil entre armas e livros estão aí. As pessoas não vão até elas, simples assim. Hoje não temos mais aquele controle socialista, como a União Soviética fazia no bloco. Os arquivos da República Tcheca viraram um museu – é só fazer o pedido para ter acesso, como fizemos. Com a história do 1964 tivemos pessoas muito próximas que entraram em contradição, e mostramos os vários lados. Essa é a dificuldade que vejo na mídia tradicional. Muitas vezes eles me entrevistam e pegam apenas o que interessa. Se tem uma falha na minha frase, eles se apegam a ela para construir uma narrativa.

Revista Esmeril – Com tanto material coletado, muitos detalhes podem ter ficado na sala de edição. O que foi cortado da versão final de 1964?

Henrique Viana – Não me envolvi tanto na produção de 1964, se você conversar com o Lucas e o Filipe pegará informações mais fresquinhas sobre isso. Mas muitas informações ficaram de fora, como por exemplo, o período entre a Era Vargas e a Guerra Fira. Tinha muito mais coisa. O fato é que existem documentos que comprovam essa ação estrangeira no governo e isso está no filme.

Revista Esmeril – Durante a campanha presidencial, a Globo News chegou até a intervir quando o então candidato, Jair Bolsonaro, recitou em voz alta parte do editorial de Roberto Marinho do jornal O Globo, onde o mesmo corroborava com a ação de destituir João Goulart do cargo. Teve até o famoso caso de “mediunidade programada” da jornalista Miriam Leitão, dizendo que o grupo já não concordava mais com o chamado “golpe de 64”…

Henrique Viana – Isso foi realmente bizarro.Foi como falei da honestidade intelectual. Se você entrevista uma pessoa e só quer desmoraliza-la, você não está fazendo um trabalho honesto.

Revista Esmeril – E voltando a falar em censura, o documentário 1964: entre armas e livros chegou mesmo a ser vetado pelo grupo Cinemark?

Henrique Viana – No caso do Cinemark não houve realmente censura. Nós contratamos o Cinemark para distribuir o documentário. Eram nossos clientes. Então, pagamos o Cinemark para alugar as salas e exibir os filmes. Só que no dia da pré-estreia um dos gerentes me ligou dizendo que “grupos ideológicos estavam ameaçando o Cinemark”.  

A ordem “veio de cima” –segundo a representante do cinema. Bem, então alertei que teríamos de processa-los e que isso causaria uma péssima repercussão para eles. Fizemos um acordo e o Cinemark acabou exibindo o filme. Para isso acontecer, tivemos ainda que gastar mais para reforçar a segurança.

No outro dia, o Cinemark emitiu uma nota pública, cheia de besteiras, que “era um evento político pro-ditadura e que não iriam mais exibi-lo”. Chega a ser triste e percebe-se que eles não viram o documentário.  Isso não foi verídico, já que apenas exibimos nossos documentários uma vez. O vídeo acabou tendo mais de 6 milhões de views no YouTube.

CENA 3 – INTERNA – DOCUMENTÁRIOS EM PRODUÇÃO

Revista Esmeril – O que você pode adiantar sobre o documentário Pátria Educadora, que tem estreia prevista para este ano? Vocês irão mostrar com detalhes a influência ideológica e as mazelas que atrasam o desenvolvimento dos brasileiros nas salas de aula?

Henrique Viana – O principal a dizer sobre o documentário Pátria Educadora (previsto para março) são questões que estamos descobrindo, como – Por que a educação do Brasil é horrível se a gente investe bastante em comparação a países do primeiro mundo?  Nossa investigação vai mostrar ao público uma dimensão do problema que enfrentamos, incluindo falta de estrutura e corrupção sistemática, além de doutrinação ideológica de baixo nível – rasteira. Você descobre que há quantidades enormes de dinheiro que se usa para bancar teses de mestrado completamente inúteis. No documentário vocês irão saber mais.

Estamos tentando agora agendar entrevistas com nomes como a do (professor e educador) Mário Sergio Cortella, que trabalhou com Paulo Freire. Algo que tem que ficar bem claro que não queremos demonizar.

Revista Esmeril – E o que mais vocês já têm agendado para 2020? O que a Brasil Paralelo reserva para seus assinantes?

Henrique Viana – Temos dois temas que certamente trataremos neste ano. Teremos muitos outros, mas esses já estão certos. Um deles é a questão ambiental. A Amazônia. O outro é o das eleições americanas, que serão no final do ano – e que certamente influencia no mundo todo.

CENA 4 – INTERNA – BRASIL PARALELO EDUCACIONAL

Revista Esmeril – Além da produção cinematográfica, vocês se dedicam à projetos educacionais, com cursos e workshops. Como surgiu a ideia para desenvolver essa faceta da Brasil Paralelo?

Henrique Viana – Sim, totalmente. Quando fizemos as primeiras séries e documentários notamos que poderíamos colaborar com a educação. Por fazer os documentários, nós tínhamos de assistir a todas as entrevistas.  Mas para absorver melhor, assistir aos documentários não seria suficiente. A saída foi ampliar essa forma de aprendizado.

Hoje já são mais de 30 cursos, desde ciência política até arte, como o da História da Música, que é um sucesso. Liberamos esse curso em 2019 como presente de Natal e a audiência foi ótima. Esse processo cresceu a ponto de atrair pessoas que não são membros da Brasil Paralelo. Elas nos procuram porque pensam em fazer sua formação principal com a gente, mesmo já estudando em universidades.

A novidade nesse aspecto é a abertura neste ano de bolsas para o nosso núcleo de informação, para os não-assinantes. Vamos propor para pessoas que tenham condições de doar que paguem essas mensalidades.

Revista Esmeril – Para encerrar, como você vê a administração do Brasil real. Como anda Brasília?

Henrique Viana – O que posso dizer é que hoje existe um grande otimismo por conta da coragem que o governo tem de enfrentar os problemas estruturais do Brasil. Não dá para criar grandes expectativas com política.

fim

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