Resgatamos a história real da “princesa-ativista” que amava ser mãe. Hoje, seu legado está mais vivo do que nunca graças ao trineto e parlamentar, Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Pode soar irônico – e até cármico – mas o Brasil tem dependido da destreza de um dos raros remanescentes da monarquia para defender os reais interesses de sua combalida República das garras de “ímpias falanges” – estas, representadas pelas já familiares “faces hostis” de congressistas desinteressados pelo bem comum da Nação.

Fim de tarde em Brasília, 11 de março. Uma quarta-feira. Em meio à tumultuada sessão de votação na Câmara, o deputado federal fluminense Luiz Philippe de Orleans e Bragança divide seu tempo entre o bom combate pela manutenção de um veto do Presidente, e uma detalhada conversa com a Revista Esmeril sobre Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança – sua trisavó – consagrada como Princesa Isabel, “A Redentora” (nasc.1846 –mor.1921).

Em memória de Isabel, refletimos, celebramos e analisamos os porquês de a Princesa Regente ser hoje um alvo favorito de militantes ávidos em deturpar o seu legado.

Lei Áurea x militância

Nos empoeirados porões habitados por militantes radicais, a campanha para destruir a reputação da Lei Áurea é coisa antiga. Antes reservada a nichos, esta guerra cultural ganhou novo fôlego e se tornou explícita a partir de 20 de novembro de 2003, quando o Dia da Consciência Negra foi instituído e logo transformado em feriado.

Então, o que antes era velado, brotaria de forma viçosa. O Dia da Consciência Negra, em honra ao questionável Zumbi dos Palmares, começou a ser manuseado como ferramenta ideológica para a diluição da relevância histórica da Princesa Isabel, signatária da libertação dos escravos em 13 de maio de 1888. Seu trineto Luiz Philippe obviamente domina o tema. Por DNA. Melhor ainda, por convicção.

O parlamentar Luiz Philippe (à esquerda) ao lado de D. Rafael e D. Pedro Alberto de Orleans e Bragança

“A situação da Princesa Isabel (e a minimização) de sua relevância (sobre) o ato ratificado pela assinatura da Lei Áurea é um movimento social recente, criado para desvirtuar a história. E o que predomina nessa narrativa é que a lei não foi um sucesso”, reflete o herdeiro imperial.

Na leitura de Luiz Philippe, o foco desses grupos é demonstrar, de forma brutal e torcida, que a libertação aprovada pelo congresso brasileiro há quase 132 anos “não aconteceu de fato”.

Luta de classes: conspirações contra a Princesa

Antes de o Brasil se tornar o último porto em terras americanas a manter seres humanos em cativeiro, graças à Princesa Isabel, um longo caminho seria traçado nos corredores do legislativo. Primeiro, veio a Lei Eusébio de Queirós, promulgadaem 1850,seguida pela Lei do Ventre Livre, de 1871,e a Lei dos Sexagenários, de1885.

Três anos mais tarde, quando Isabel ocupava pela terceira vez o posto de regente (seu pai, Dom Pedro II, estava na Europa, sob cuidados médicos), a princesa imperial finalmente colocaria em prática a causa social mais nobre que viria a defender em sua jornada de 75 anos: a abolição da escravatura.

O processo se desenrolou com a nomeação de João Alfredo Correia de Oliveira como novo Presidente do Conselho de Ministros. Assim, em 10 de maio de 1888, a Lei Áurea passaria na câmara, sendo ratificada pelo senado no dia 13. Graças ao ato, Isabel ganharia o título de Redentora, recebendo das mãos do Papa Leão XIII a Rosa de Ouro.

Embora esse feito tenha cruzado fronteiras, passado quase um século e meio, o papel da princesa tem sido alvo de virulentos opositores.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é capaz de traduzir o que consta de fato nas entrelinhas escritas pelos adversários da Redentora.

“A ideia por trás desses grupos contrários à Isabel é que a ‘tal luta por igualdade’ continua. Ou seja: de uma forma, essa luta não poderá acabar nunca – e que a história (real) precisa ser completamente destruída. 

“Todos são partidários disfarçados, mas se dizem justiceiros – e (insistem) que ainda existe uma ‘classe opressora’. Para eles, essas pessoas (enquanto no poder) sempre foram as mesmas. E isso não é verdade”, rebate o parlamentar, que traz na bagagem acadêmica graduação em administração de empresas (FAAP), mestrado em ciências políticas na Universidade Stanford (EUA) e um MBA no Institut européen d’administration des affaires – INSEAD (França).

Abolicionismo: a onda que nasceu dentro da igreja católica

A lei Áurea assinada pela Redentora em 1888

Para quem observa o abolicionismo apenas como ato burocrático, derrapa em um ponto crucial da história. Muito antes de uma Igreja ser cooptada (e deturpada) por ideologias de esquerda (Teologia da Libertação), o catolicismo foi um dos protagonistas na luta pelos direitos do homem livre. 

Um desses porta-vozes foi o padre Joaquim Soares Calixto, líder do Club Abolicionista Três-Pontano – poderoso ativista do sul de Minas Gerais. Isabel era uma católica fervorosa e se moveu pela fé para tornar a Lei Áurea real. Seu trineto, Luiz Philippe, acentua o alcance do catolicismo no abolicionismo do século XIX.

“A igreja foi a primeira força abolicionista do ocidente”, relembra o deputado. “Bem antes, durante o Império Romano, ela atuou para libertar cristãos de países muçulmanos e contra o tráfico de pessoas. Não era apenas uma luta para libertar os escravos africanos”, pontua. 

“Ao contrário do que se ainda rotula, a família imperial sempre foi abolicionista. Ao chegarem no Brasil, a questão dos escravos, inclusive, já havia sido resolvida na Europa. Não podemos esquecer que a própria guarda imperial contava com a lealdade dos negros alforriados que protegiam a família de Isabel contra o ataque dos republicanos”.

Isabel Cristina: “uma nobre caseira”

Isabel ao lado do marido, o Conde D’Eu

Culta, recatada, do lar – e com muito orgulho. A princesa Isabel, embora tenha se consagrado como a maior ativista da luta abolicionista, sempre foi uma nobre de temperamento conservador: caseira, católica e simpática às atividades artísticas. Nunca, de fato, teve grandes aspirações políticas – ainda que direitos legislativos fossem garantidos, por inúmeras cláusulas constitucionais, à bisneta de Dom João VI.

“Isabel também estudou política, mas nunca foi estimulada a assumir o império, nem menos uma função legislativa. Constitucionalmente, ela tinha garantida uma cadeira no senado, mas nunca a solicitou”, ratifica Luiz Philippe, que hoje, de certa forma, ecoa a voz de Isabel no parlamento brasileiro.

Nascida em berço esplêndido a 29 de julho de 1846, no Paço de São Cristóvão (consumido pelas chamas – ou pelo descaso da reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2 de setembro de 2018), a pequena e loura Isabel do Brasil aprendeu a falar com perfeição inglês, alemão (lecionados por Cândido de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí) – e também francês, este último, idioma natural de seu futuro marido e pai de seus quatro filhos, Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, o Conde D’Eu – neto do rei da França, Louis Philippe I. 

Além de poliglota, a rotina de 9 horas diárias de estudo da princesa era pontuada por disciplinas como astronomia, geologia, química, aulas de piano e dança. Tantas tarefas não a impediam de participar ativamente de obras filantrópicas e e de frequentar óperas e peças teatrais.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança exalta suas habilidades como definitivas para o destino dos escravos livres:

“(No fim de sua terceira regência) Isabel notou que as forças reacionárias republicanas iriam se insurgir contra a monarquia. Como católica, mãe e chefe de estado interina, ela soube o que fazer na hora certa”.

Em 1889, no limiar da república – fruto do golpe de estado liderado pelo exército de Deodoro da Fonseca – Isabel partiria em exílio para a França, onde viveria mais trinta anos, até sua morte em 14 de novembro de 1921.

Seu falecimento foi capa da edição 301 da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro (descrito, assim, na ortografia da época): 

Princesa Isabel: despedida no Castello D’Eu

O adeus à Redentora: nas manchetes da época

“O Brasil perde na Redemptora a mais notavel figura feminina do Segundo Imperio.”
Os restos mortais da princesa repousam em um mausoléu na Catedral de São Pedro de Alcântara, ao lado dos pais, Dom Pedro II e Teresa Cristina, em Petrópolis (RJ).

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

8 Comments

  1. Sempre choro quando tenho contato (ou quando oro) com nossa extraordinaria Familia Imperial do passado.
    A Republica brasileira tem um divida IMPAGAVEL com tais seres humanos.
    Os membros do presente tambem sao maravilhosos. Amo Dom Bertrand, em especial, e admiro muitissimo Luiz Phillipe, cuja mao ja tive a honra de apertar, em Foz do Iguaçu.
    Parabens pela materia Claudio.

  2. Como monarquista que sou é sempre um prazer ler algo ISENTO sobre os governantes que fizeram há tempos, o Brasil, uma nação de respeito!
    Gostaria de colocar questões sobre a escravatura que são desconsideradas embora fundamentais!
    Todo escravo era escolhido pelos dentes, e hoje vemos os negros mesmo já de terceira e quarta geração pós abolição com dentição de tirar o chapeu! Ver um negro orgulhoso de ser negro sorrindo com dentões refulgentes é algo sobremaneira prazeroso!
    E claro, isso só aconteceu graças ao “eugenismo” dos escravagistas! Se observarmos, o negro é a ÚNICA raça que foi disseminada aos quatro cantos do globo sem esforço próprio! Ou seja, a escravidão garantiu a disseminação dos negros de uma forma ampla que não foi alcançada por qualquer outra raça!
    Negros nas américas se fizeram maiores que no continente natal, graças a eugenia imposta de fora!
    Se observarmos, o negro saradão, era o garanhão que “comia” todas! Ou seja, até para os escravos a seleção era imposta embora negligenciada pelos escravistas! Podemos até citar Willian Penn “Os homens são geralmente mais cuidadosos da descendência de seus cachorros do que da sua própria.” trocando os cachorros pelos negros criados como escravos!
    Só que da mesma forma que com os proto cães, os lobos, se escolhe os mansos para troná-los cachorros! Ou seja, o garanhão papão tinha que ser saradão, com saúde ótima, manso, puxa saco e servil, e isso fez um tremendo estrago nos descendentes!
    Não é por acaso o negro ser facilmente manipulável pelas dominancias, e as consequencias são que hoje ainda temos negros servindo de soldados para o status quo, seja como soldado do narcotráfico (não existe possibilidade de tráfico sem a anuencia, logística e SUPORTE do estado, sobretudo JUIZES e polícias e outros da área de “segurança pública”), seja como comunistas fieis com a causa, sem observar que comunismo e escravatura são a mesma coisa!
    Não por acaso, os maiores agentes racistas com os próprios negros são negros do lado oposto! Não foram escolhidos para garanhão negros de carater nobre em mais de 90% dos casos, e os resultados foram gerados pela mesma agenda de antanho, a geração do caos para a imposição de agendas governantes de cerceamento!

    Em tempo, gostaria de lembrar que a agenda de detratação da princesa Isabel via zumbi dos palmares é mais sinistra do que simplesmente a detratação em si, a meta é a secessão, o estímulo a criação de focos rebeldes libertários, pois pequenos países são mais controláveis, mais cercáveis, do que uma nação continente. O plano dos congressistas, governadores e judiciário é a secessão, o desmonte do Brasil em feudos desses lixos, se observarmos os agentes citados são xerifes em seus rincões, o gilmar merdes por exemplo é ponta de lança de uma familia de criminosos, assassinos usuários de jagunços matadores, basta ler as peripécias desse clã abjeto lá pelo oeste!
    É fundamental que entendamos que o plano é o desmantelamento da nação Brasil, e com o uso dos interesses pontuais de cada grupo sectarizado! Não é mera coincid~encia, o collor e o fhc terem emplacado as “nações indígenas”, a meta é desmantelar a amazônia, fazer um paí nordeste, fazer outros países e com o RJ fazendo o papel de mônaco dos trópicos!
    Tanto é que as UPP eram e SEMPRE foram exclusivamente para matar morador de morro assustando o resto para o êxodo fundamental, afinal morro é zona nobilíssima! Se acham que exagero, observem onde as UPPs matam mais, não é em morro de suburbio, aliás, lá, nem existem, existem as milícias! Já na zona sul, o Vidigal, a Joatinga dos pobres foi tomado por hotel seis estrelas, foi tomado pelo extase em vez da maconha e cocaina, agora só tem droga sintética, as meninas, jambo bem torneado, foram estimuladas a virar “modelo” que sempre em última análise é prostituta de book rosa, menina de programa, e o que não falta é hostel de gringo endinheirado tirando onda de super legal com a inclusão social dos negros como mucamas, jagunços, e até traficantes aviões, até mula de tráfico, para os lixos europeus (só quem fez turismo no brasil por mais de 30 anos foi o que não presta, graças a seres como o sargentelli). Não por acaso em filmes, os bandidos fogem para o Brasil, para o RJ!
    Existe um plano macabro de desmonte do Brasil, e enquanto os lixos midiáticos ficam alardeando toda sorte de salafragem contra o Bolsonaro, por trás dos panos, orquestram de forma total contra a unidade nacional!
    Divide et impera!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.

This div height required for enabling the sticky sidebar
Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views : Ad Clicks : Ad Views :